Ação integra inquérito que apura estelionato e associação criminosa; celulares foram apreendidos e valores bloqueados judicialmente
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) realizou, na manhã da última quinta-feira (24/07), uma operação de busca e apreensão em uma residência localizada em Montes Claros, no Norte do estado. O alvo da ação foi uma mulher de 39 anos, investigada por suposta participação em um esquema de estelionato contra uma idosa, que sofreu um prejuízo estimado em R$ 300 mil após cair em um golpe sofisticado arquitetado por uma associação criminosa.
A diligência faz parte de uma investigação em andamento conduzida pela Delegacia Especializada em Crimes contra o Patrimônio, que busca desarticular uma organização criminosa responsável por aplicar golpes com uso de falsas identidades bancárias, contatos telefônicos enganosos e manipulação emocional de vítimas vulneráveis, como idosos.
Durante a operação, foram apreendidos dois aparelhos celulares, que agora serão encaminhados para análise pericial. Os dispositivos devem fornecer pistas fundamentais para a identificação dos demais integrantes do grupo criminoso, bem como detalhes sobre a logística do golpe, as transferências bancárias e os contatos realizados com a vítima.
Além da busca, a Polícia Civil solicitou à Justiça o bloqueio de valores equivalentes ao total subtraído, no intuito de recuperar parte do prejuízo. Também foi requerida a quebra de sigilo telefônico e telemático dos investigados, para aprofundar as investigações e rastrear o fluxo de comunicação entre os envolvidos.
O golpe: uma armadilha cuidadosamente construída
Segundo apuração da PCMG, o esquema criminoso teve início quando a idosa foi contatada por telefone por um homem que se identificou como gerente de segurança de uma instituição bancária. Usando linguagem técnica e tom alarmante, o falso gerente alegou que a conta bancária da vítima estaria sendo alvo de fraudes e acessos suspeitos.
Com o objetivo de “proteger seus recursos financeiros”, o suposto gerente convenceu a vítima a realizar diversas transferências bancárias para contas indicadas por ele, que seriam, segundo o criminoso, “mais seguras e protegidas contra invasões”. Ao todo, foram realizadas transações que somam cerca de R$ 285 mil.
Não satisfeito com o montante já obtido, o grupo foi além: uma mulher, também integrante da quadrilha, foi até a residência da vítima se passando por funcionária do banco. Ganhando a confiança da idosa, ela conseguiu que fossem entregues pessoalmente joias avaliadas em cerca de R$ 15 mil, sob a justificativa de que os bens seriam guardados em um “cofre do banco” até o fim das investigações. A vítima, temendo por sua segurança e confiando na falsa narrativa, entregou os pertences.
A soma total do prejuízo, portanto, ultrapassa os R$ 300 mil, configurando um dos maiores golpes registrados recentemente na cidade envolvendo esse tipo de modus operandi.
Alerta da Polícia Civil: crime recorrente e altamente danoso
O delegado responsável pelo caso, Cézar Salgueiro, fez um alerta público quanto à frequência crescente de golpes financeiros contra idosos, especialmente por meio de contatos telefônicos falsos que simulam o atendimento de bancos ou órgãos públicos. Segundo ele, a vulnerabilidade emocional e a confiança natural dos idosos tornam-nos alvos fáceis para golpistas.
“Temos visto um aumento significativo nesse tipo de crime. Os estelionatários utilizam argumentos bem estruturados, nomes de funcionários reais, jargões bancários e até manipulam números de telefone para parecerem legítimos. É essencial que a população desconfie e sempre busque confirmar qualquer orientação recebida por telefone diretamente com o banco ou pelos canais oficiais”, afirmou o delegado.
Ele reforça ainda que nenhuma instituição bancária solicita transferências por telefone nem envia funcionários para recolher objetos de valor na casa de clientes. “Se houver qualquer tentativa nesse sentido, trata-se, sem dúvidas, de um golpe”, pontuou.
Desdobramentos da investigação: grupo pode ter feito novas vítimas
A Polícia Civil acredita que a mulher de 39 anos, alvo da busca e apreensão, não atuava sozinha, e que o crime foi planejado e executado por uma quadrilha com estrutura organizada. A análise dos celulares apreendidos deverá contribuir para mapear os demais envolvidos, inclusive possíveis beneficiários das contas bancárias utilizadas para receber os valores transferidos pela vítima.
As autoridades também investigam a possibilidade de o grupo ter aplicado o mesmo golpe em outras vítimas, tanto em Montes Claros quanto em municípios vizinhos. Por isso, a PCMG pede que qualquer pessoa que tenha sofrido tentativas de fraude semelhantes procure imediatamente uma delegacia e leve todas as informações e provas que puder reunir, como mensagens, números de telefone, extratos e gravações de chamadas.
A identidade da investigada não foi divulgada oficialmente, em respeito ao andamento da investigação e ao princípio da presunção de inocência. No entanto, ela poderá responder pelos crimes de estelionato (art. 171 do Código Penal), associação criminosa (art. 288) e, caso se comprove seu envolvimento direto na obtenção de vantagem ilícita, poderá ter sua pena agravada pelo fato de a vítima ser idosa, conforme prevê o Estatuto do Idoso.
Prevenção: como se proteger de golpes desse tipo
A Polícia Civil orienta a população a adotar medidas de proteção e cautela, especialmente no que diz respeito ao atendimento bancário:
Desconfie de qualquer ligação que envolva pedidos urgentes de transferências, senhas ou códigos;
Nunca forneça informações pessoais ou bancárias por telefone, e-mail ou mensagens de texto;
Não permita a entrada de estranhos em sua residência, mesmo que aleguem ser de bancos ou empresas conhecidas;
Consulte sempre os canais oficiais do seu banco antes de realizar qualquer operação incomum;
Converse com familiares sobre situações financeiras antes de tomar decisões, principalmente se houver algum elemento de urgência ou medo envolvido.
A Polícia Civil reforça o compromisso com a elucidação completa do caso e o fortalecimento das ações de prevenção e repressão a crimes patrimoniais, que vêm crescendo em diversas regiões de Minas Gerais, com foco especial em golpes dirigidos a pessoas em situação de vulnerabilidade.
As investigações seguem em andamento, e novas diligências estão previstas para os próximos dias. O objetivo é garantir justiça à vítima, recuperar os valores subtraídos e interromper a atuação criminosa do grupo, que causou não apenas danos financeiros, mas também traumas emocionais a uma idosa que confiava estar protegida por uma instituição bancária.


