Shampoo, condicionador e máscara capilar desenvolvidos em pesquisa de mestrado serão comercializados pela Coopermapi, de Bocaiuva, com a marca Potyrandê
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) percorreu o caminho que muitas vezes é um dos maiores desafios da ciência: sair dos laboratórios e chegar ao mercado. O trabalho resultou na criação de um shampoo, um condicionador e uma máscara capilar à base de mel, além da obtenção de três patentes. As tecnologias foram transferidas para a Cooperativa dos Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas (Coopermapi), de Bocaiuva, que ficará responsável pela comercialização dos produtos com a marca Potyrandê.
Os cosméticos foram desenvolvidos a partir da pesquisa de mestrado de Liliane Mendes, realizada no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biotecnologia (PPGB) da Unimontes, sob orientação da professora Vanessa de Andrade Royo, coordenadora do Laboratório de Produtos Naturais.
O trabalho começou com o desenvolvimento e a avaliação das formulações dos produtos durante a pesquisa acadêmica. Os resultados obtidos deram origem a três tecnologias distintas, relacionadas ao shampoo, ao condicionador e à máscara capilar, que posteriormente foram protegidas por meio de patentes.
A transferência para a cooperativa cria uma ponte entre a produção científica da universidade e a atividade econômica regional, permitindo que um conhecimento desenvolvido em uma pesquisa de pós-graduação seja transformado em produtos destinados ao consumidor.

Da universidade para o mercado
A formalização da parceria ocorreu em 24 de setembro, durante solenidade realizada na Sala dos Conselhos, no prédio da Reitoria da Unimontes. Na ocasião, foi assinada simbolicamente a transferência do contrato de licenciamento de propriedade intelectual pelo reitor da Universidade, professor Wagner de Paulo Santiago, e pelo presidente da Coopermapi, Luciano Fernandes de Sousa.
Também participaram da cerimônia o vice-reitor, professor Dalton Caldeira Rocha; a pró-reitora de Pesquisa, professora Maria das Dores Magalhães Veloso; integrantes da administração superior da Universidade; pesquisadores, professores, servidores técnico-administrativos e convidados.
Para a professora Vanessa Royo, o processo representa uma etapa importante da trajetória da pesquisa. Segundo ela, a transferência de tecnologia permite que os resultados obtidos dentro da universidade avancem para além do ambiente acadêmico e possam chegar à sociedade.
“A transferência de tecnologia é uma etapa fundamental para que o conhecimento produzido na Universidade possa chegar à sociedade. Neste caso, temos a oportunidade de transformar os resultados de uma pesquisa de mestrado em produtos que poderão ser comercializados pela cooperativa, criando uma conexão concreta entre ciência, inovação e setor produtivo”, afirmou.
Conhecimento que gera inovação
A iniciativa também reforça o papel das universidades na produção de conhecimento aplicado. Além da formação de profissionais e da realização de pesquisas, a Unimontes passa a ampliar a atuação na proteção e no licenciamento de tecnologias desenvolvidas por seus pesquisadores.
Durante a solenidade, o reitor Wagner de Paulo Santiago destacou a importância da pesquisa que originou os três produtos e o trabalho das pesquisadoras envolvidas.
“Em 2027, a Unimontes completará 65 anos de existência. Já formamos mais de 60 mil profissionais no ensino superior, que estão em diversas partes do mundo. Agora, também avançamos na transferência de tecnologia”, afirmou.
O reitor citou ainda outro projeto da Universidade que chegou ao setor produtivo: a transferência da tecnologia de germinação da macaúba para a Acelen Renováveis, empresa que desenvolve projeto voltado à produção de combustível sustentável para a aviação a partir da planta.
No caso dos cosméticos, a parceria tem ainda um componente regional. A Coopermapi, sediada em Bocaiuva, atua com apicultores e agricultores familiares do Norte de Minas e será responsável por levar os produtos ao mercado.
Três patentes e uma nova etapa
A obtenção das três patentes representa a proteção da propriedade intelectual gerada a partir da pesquisa de Liliane Mendes. Cada produto — shampoo, condicionador e máscara capilar — deu origem a uma tecnologia específica.
A partir do licenciamento, a pesquisa entra em uma nova fase, agora vinculada à produção e à comercialização dos cosméticos. A expectativa é que a marca Potyrandê transforme o resultado obtido no Laboratório de Produtos Naturais em uma alternativa comercial, aproximando ainda mais a universidade, os produtores e o mercado.
O projeto mostra, na prática, como uma pesquisa de mestrado pode ultrapassar os limites da academia: começa com uma pergunta científica, passa pelo desenvolvimento e pela proteção da tecnologia e termina com a possibilidade de um produto chegar ao consumidor.
No caso da Unimontes e da Coopermapi, o ingrediente que está no centro dessa história é o mel, mas o resultado vai além do cosmético. Envolve pesquisa, propriedade intelectual, inovação e a tentativa de fazer com que o conhecimento produzido no Norte de Minas também gere valor dentro da própria região.


