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Pensar, sentir e agir: as conversas que moram dentro da gente - Rede Gazeta de Comunicação

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Pensar, sentir e agir: as conversas que moram dentro da gente

Adelaide Valle Pires

Psicóloga

Outro dia me peguei pensando no que eu penso.

Não no automático.

Não naquele pensamento apressado que atravessa o dia sem pedir licença.

Mas naquele que fica.

Que retorna.

Que, às vezes, muda silenciosamente a forma como a gente olha para alguém… ou para si mesmo.

O que eu penso sobre o mundo?

Sobre as pessoas?

Sobre mim?

Essas perguntas não nasceram de um livro complicado nem de uma grande teoria.

Vieram de um baralho que criei há algum tempo.

Cartas simples.

Diretas.

Dessas que a gente vira com a mão…

e continua virando por dentro.

Percebi que, muitas vezes, a vida vai acontecendo sem que eu realmente escute meus próprios pensamentos.

A gente segue.

Resolve.

Responde.

Produz.

Mas raramente pergunta a si mesmo:

“o que estou alimentando dentro de mim?”

Talvez por isso o pensar seja tão importante.

Porque é nele que começam muitas escolhas que depois chamamos de destino.

Mas existe uma parte da vida que não passa primeiro pela cabeça.

Passa pelo sentir.

Tem coisa que a gente não fala…

mas sente.

Fica no corpo.

No olhar.

Na maneira de chegar…

ou de evitar.

Com o tempo, fui entendendo melhor essas emoções que às vezes aparecem todas misturadas. E comecei a chamá-las de TRAMA:

tristeza,

raiva,

alegria,

medo

e afeto.

Nem sempre elas chegam organizadas.

Nem sempre fazem sentido na hora.

Mas estão ali, influenciando conversas, silêncios, aproximações e distâncias.

Seria o sentir uma forma de escuta?

E então vem o agir.

A parte em que aquilo que pensamos e sentimos começa, finalmente, a ocupar espaço no mundo.

O que eu estou segurando que já poderia soltar?

O que eu continuo carregando sem perceber?

Para onde meus passos têm me levado?

E o que minhas mãos têm devolvido ao mundo?

Nem sempre tenho respostas prontas.

Mas percebo que algumas perguntas já começam a mover a vida por dentro.

Às vezes o agir nasce num passo pequeno.

Noutras vezes nasce apenas de uma pausa.

Porque até parar pode ser uma forma de consciência.

No fundo, tenho aprendido que pensar, sentir e agir não são partes separadas.

São conversas internas tentando nos tornar mais inteiros.

E talvez seja justamente aí que os relacionamentos — com os outros e com nós mesmos — comecem de verdade.