Mobilização reuniu estudantes, professores, moradores e agentes públicos para alertar sobre os riscos do calazar e a importância de manter os quintais limpos





Uma passeata pelas ruas do bairro Jardim Alegre, na região da Facela, em Montes Claros, chamou a atenção dos moradores para os cuidados necessários no combate à leishmaniose visceral, conhecida popularmente como calazar. A mobilização foi realizada na manhã desta sexta-feira (25), depois de uma série de atividades educativas na Escola Municipal Laudelina Fonseca.
A iniciativa envolveu o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), equipes da Prefeitura, estudantes e professores da escola, além da participação da fanfarra Lobos do Norte. Durante a ação, os moradores receberam orientações e material informativo sobre medidas capazes de reduzir as condições favoráveis à presença do mosquito-palha, transmissor da doença.
O Jardim Alegre foi escolhido para receber a mobilização em razão das características da região e também do histórico recente de casos. Segundo informações apresentadas durante a atividade, o bairro registrou, no ano passado, vários cães infectados e também uma morte humana provocada pela doença.
A leishmaniose visceral é uma doença infecciosa que pode atingir pessoas e animais. A transmissão ocorre pela picada da fêmea do mosquito-palha, também conhecido como birigui e identificado cientificamente como Lutzomyia longipalpis. O inseto pode transmitir o protozoário do gênero Leishmania.
Os cães têm papel importante no ciclo da doença por serem hospedeiros e reservatórios do parasita. Por isso, o controle da leishmaniose depende não apenas de ações de vigilância, mas também de cuidados adotados pelos próprios moradores, especialmente em relação às condições ambientais.
Durante as orientações realizadas no Jardim Alegre, a recomendação foi para que a população mantenha os imóveis e quintais limpos, evitando o acúmulo de matéria orgânica, folhas, fezes de animais e outros resíduos que possam favorecer a presença do vetor. A limpeza periódica dos espaços é apontada como uma das medidas de prevenção.
A diretora de Vigilância em Saúde de Montes Claros, Maria Clara Lélis Ramos Cardoso, explicou que a escolha do bairro levou em consideração a existência de áreas verdes e a grande quantidade de cães, características que podem favorecer a presença do mosquito-palha.
Ela também destacou o histórico epidemiológico da região. No ano passado, muitos cães foram identificados com a infecção e houve registro de morte humana relacionada à leishmaniose visceral.



Conhecimento que chega às casas
A escola foi um dos principais pontos da ação justamente por permitir que as informações ultrapassem os limites da sala de aula e cheguem às famílias. Antes da passeata, alunos participaram de palestras e receberam orientações sobre os cuidados com o ambiente, os animais e a prevenção da doença.
A gerente de Bem-Estar Animal da Secretaria de Ambiente, Bem-Estar Animal e Sustentabilidade, Rita de Cássia Marques Cordeiro, destacou a participação do projeto Patativa na mobilização.
Segundo ela, a intenção é estimular os estudantes a compartilhar em casa os conhecimentos adquiridos durante a atividade, ampliando a participação dos moradores nas ações de prevenção.
“Cuidar da vida animal é cuidar da vida humana, pois o ecossistema depende da integração de todos”, afirmou Rita de Cássia.
A diretora da Escola Municipal Laudelina Fonseca, Elaine Franciele Mendes, também ressaltou a importância da parceria entre a unidade de ensino e os serviços de saúde.
Para ela, trabalhar a prevenção com os estudantes contribui para ampliar a compreensão sobre a relação entre saúde humana, saúde animal e cuidado com o ambiente.
Mobilização pelas ruas
Depois das atividades realizadas na escola, estudantes, professores e servidores seguiram em caminhada pelas ruas do Jardim Alegre. A presença da fanfarra Lobos do Norte ajudou a chamar a atenção da comunidade durante o percurso.
A proposta foi levar a mensagem de prevenção para além do ambiente escolar e envolver diretamente os moradores. Durante o trajeto, agentes reforçaram as orientações e distribuíram materiais informativos.
O agente do Centro de Controle de Zoonoses Carlos Henrique entregou um panfleto à moradora Raiane Rodrigues e explicou os cuidados necessários para evitar condições favoráveis à proliferação do mosquito.
Para o morador José Augusto Soares, a ação ocorreu em um momento importante para o bairro, principalmente diante do histórico de casos registrados na região. Segundo ele, levar informação à comunidade pode contribuir para preservar vidas e evitar novas mortes.
Atenção aos sinais
A leishmaniose visceral pode apresentar sintomas como febre prolongada, fraqueza, perda de peso e aumento do fígado e do baço. A identificação precoce e o tratamento adequado são importantes para reduzir o risco de agravamento.
Em cães, a doença também pode apresentar diferentes sinais, entre eles emagrecimento, alterações na pele e pelos, crescimento exagerado das unhas, apatia e aumento de órgãos. No entanto, a ausência de sintomas não significa necessariamente que o animal esteja livre da infecção.
Por isso, diante de sinais suspeitos ou de situações de risco, a orientação é procurar os serviços de saúde ou de controle de zoonoses para receber as informações adequadas.
A mobilização realizada no Jardim Alegre reforça que o combate à leishmaniose não depende apenas das ações dos órgãos públicos. A prevenção também passa pela rotina das famílias, pelo cuidado com os animais e pela manutenção dos ambientes limpos.
Em uma doença que envolve saúde humana, saúde animal e condições ambientais, a informação se torna uma das principais ferramentas para reduzir os riscos e interromper o ciclo de transmissão.


