ONS prevê despacho térmico adicional no começo de fevereiro - Rede Gazeta de Comunicação

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ONS prevê despacho térmico adicional no começo de fevereiro

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prevê a necessidade de despacho térmico adicional no início do mês de fevereiro, como medida preventiva para garantir a segurança do fornecimento de energia elétrica no país. A projeção considera o cenário hidrológico menos favorável em algumas regiões, aliado ao aumento da carga no Sistema Interligado Nacional (SIN), típico do período de verão.

De acordo com o ONS, o despacho adicional de usinas termelétricas está previsto para ocorrer a partir do dia 31 de janeiro e pode se estender nos primeiros dias de fevereiro, dependendo da evolução das condições climáticas e do comportamento do consumo de energia. A decisão faz parte do planejamento operativo do sistema e busca preservar os níveis de armazenamento dos reservatórios das hidrelétricas, especialmente nas regiões Sudeste/Centro-Oeste, que concentram a maior parte da capacidade de armazenamento do país.

O verão de 2026 tem sido marcado por chuvas irregulares em algumas bacias hidrográficas estratégicas, o que exige maior cautela na operação do sistema elétrico. Embora os níveis dos reservatórios estejam, em geral, dentro de parâmetros considerados adequados para o período, o ONS avalia que o acionamento adicional de térmicas é uma ferramenta importante para reduzir riscos e aumentar a confiabilidade do suprimento.

Outro fator que contribui para a projeção é o aumento da demanda por energia elétrica, impulsionado pelas altas temperaturas registradas em diversas regiões do Brasil. O uso intensivo de aparelhos de refrigeração, como ar-condicionado e ventiladores, eleva significativamente a carga do sistema, especialmente nos horários de pico.

O despacho térmico adicional, no entanto, costuma ter impacto direto nos custos de geração de energia, uma vez que as usinas termelétricas possuem custo operacional mais elevado em comparação às hidrelétricas. Esse movimento pode influenciar o acionamento das bandeiras tarifárias, mecanismo criado para sinalizar aos consumidores as condições de geração de energia no país. Ainda assim, o ONS ressalta que sua atuação é estritamente técnica, focada na segurança e na continuidade do fornecimento.

Em nota, o operador reforçou que o planejamento é constantemente revisado e pode sofrer ajustes conforme novas informações hidrometeorológicas sejam incorporadas aos modelos de previsão. Caso haja melhora no regime de chuvas ou redução da carga, o despacho térmico pode ser reduzido ou até mesmo suspenso.

O ONS também destaca que o sistema elétrico brasileiro permanece robusto e capaz de atender à demanda, mesmo em cenários mais desafiadores. O uso combinado de diferentes fontes de geração — hídrica, térmica, eólica e solar — tem sido fundamental para aumentar a resiliência do SIN frente às variações climáticas.

A expectativa é que, ao longo de fevereiro, o comportamento das chuvas seja determinante para definir a estratégia operacional adotada nas semanas seguintes. Até lá, o operador seguirá monitorando o sistema em tempo real, com foco na segurança energética e na estabilidade do fornecimento em todo o território nacional.