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Onda de calor aumenta procura por climatização e coloca Norte de Minas em alerta - Rede Gazeta de Comunicação

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Onda de calor aumenta procura por climatização e coloca Norte de Minas em alerta

Região pode registrar temperaturas próximas de 40°C, enquanto Montes Claros enfrenta baixa umidade; Defesa Civil orienta população a reforçar hidratação e evitar exposição ao sol

A onda de calor que atinge Minas Gerais exige atenção redobrada no Norte do Estado. Além de alterar hábitos de consumo e aumentar a procura por bebidas, sorvetes e aparelhos de climatização, as temperaturas elevadas estão associadas a índices muito baixos de umidade do ar, aumentando os riscos para a saúde e para a ocorrência de incêndios.

O alerta chega em um momento em que 623 municípios mineiros estão sob aviso vermelho do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), classificado como de grande perigo. O aviso inclui o Norte de Minas e é provocado pela previsão de temperaturas pelo menos 5°C acima da média por período superior a cinco dias. A vigência do alerta vermelho está prevista até as 18h desta quarta-feira (30).

No Norte de Minas, o calor pode ser ainda mais intenso. A previsão do Sistema de Meteorologia e Recursos Hídricos de Minas Gerais (SIMGE) apontou temperaturas máximas de até 40°C na região, além de umidade relativa do ar abaixo de 25% nas horas mais quentes.

Montes Claros está entre os municípios atingidos pelo alerta. A cidade chegou a registrar 10% de umidade relativa do ar na segunda-feira (28), um índice considerado extremamente baixo e que exige cuidados adicionais com hidratação, exposição ao sol e qualidade do ar.

Alerta também para a saúde

Além do calor, a combinação de temperaturas elevadas e ar seco pode provocar ressecamento da pele e das mucosas, desconforto nos olhos, nariz e boca e agravar problemas respiratórios.

Para Montes Claros e região, as orientações divulgadas com base nos alertas meteorológicos incluem beber bastante água mesmo sem sentir sede, evitar atividades físicas ao ar livre nos períodos mais quentes e reduzir a exposição direta ao sol, especialmente entre 10h e 17h.

Também é recomendado manter os ambientes ventilados e, quando possível, aumentar a umidade do ar dentro de casa e no trabalho. Panos úmidos e recipientes com água podem ajudar em ambientes muito secos.

A recomendação é evitar queimadas e qualquer tipo de queima de lixo ou vegetação. Com a vegetação mais seca e a baixa umidade, o fogo pode se espalhar com maior facilidade.

Em Montes Claros, a Defesa Civil funciona em regime permanente e pode ser acionada pelo 199. Em situações envolvendo incêndios, o Corpo de Bombeiros atende pelo 193.

Calor aumenta conta de energia

O impacto da onda de calor também chega diretamente ao bolso.

Segundo o coordenador de Energia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Sérgio Pataca, o uso prolongado do ar-condicionado é um dos principais fatores de aumento do consumo residencial.

Embora equipamentos como chuveiros possam apresentar potência elevada, permanecem ligados durante poucos minutos. O ar-condicionado, por outro lado, pode funcionar durante oito horas ou até durante toda a noite.

Em períodos de calor intenso, o consumo residencial pode aumentar entre 30% e 40% e, dependendo da intensidade do uso dos equipamentos, chegar a dobrar.

Como referência, Pataca calcula que um aparelho funcionando oito horas por noite, considerando um custo de R$ 1 por hora, poderia acrescentar aproximadamente R$ 240 à conta mensal. O valor é apenas uma estimativa e varia de acordo com o equipamento, sua eficiência e o tempo de utilização.

No comércio e na indústria, o impacto também pode ser significativo. Empresas de alimentos, bebidas e medicamentos, por exemplo, precisam manter sistemas de refrigeração e controle de temperatura funcionando por períodos mais longos.

Procura por ar-condicionado dispara

O calor também movimenta o mercado de instalação e manutenção de equipamentos de climatização.

Segundo Caio Alexandre Evangelista, instrutor de Formação Profissional de Refrigeração e Climatização do SENAI Américo René Giannetti, a procura por manutenção e instalação de aparelhos de ar-condicionado aumenta, em média, 150% durante os períodos de altas temperaturas.

O aumento da demanda ocorre justamente quando os equipamentos passam a ser utilizados por mais tempo e ficam submetidos a maior esforço.

Uma das orientações é evitar configurar o aparelho em temperaturas excessivamente baixas. Segundo o especialista, colocar o termostato em uma temperatura muito inferior não significa que o ambiente será resfriado mais rapidamente e pode elevar o consumo.

A indicação é manter o aparelho próximo de 24°C, além de realizar limpeza e manutenção periódicas.

Bebidas e sorvetes ganham espaço

Se a onda de calor pesa na conta de energia, alguns segmentos da economia são beneficiados pelo aumento das temperaturas.

Bebidas, sucos, águas, isotônicos, energéticos, cervejas, sorvetes e gelatos estão entre os produtos que tendem a registrar aumento de procura.

Segundo o presidente da Câmara da Indústria de Alimentos e Bebidas da FIEMG, Vinícius Dantas, o calor provoca mudanças rápidas no comportamento do consumidor e exige que a indústria tenha capacidade para aumentar a distribuição e manter os produtos em condições adequadas.

No setor de sorvetes, o crescimento já aparece nos números. Segundo o presidente do Sindsorvete-MG, Wander Bertolace, as vendas cresceram mais de 30% de julho para agosto e podem avançar entre 30% e 40% de agosto para setembro.

Caso as temperaturas continuem elevadas e não ocorram chuvas intensas, a previsão do setor é de que o consumo no pico do verão fique entre 70% e 75% acima do registrado nos meses de maio a agosto.

No setor de bebidas, levantamento da Scanntech citado pelo SindBebidas-MG aponta que cada aumento de 1°C na temperatura média pode elevar em aproximadamente 4,1% o volume de vendas de bebidas mais sensíveis ao calor.

Em episódios de calor atípico, com temperaturas de 3°C a 5°C acima da média, o crescimento pode ficar entre 12% e 20%.

Café também sente os efeitos

O calor extremo, entretanto, não representa oportunidade para todos os setores.

Café, chocolate, pão e vinho estão entre os produtos que podem perder espaço ou enfrentar dificuldades diante das temperaturas elevadas.

No café, o problema começa ainda no campo. Segundo Sérgio Meirelles, presidente do Sindicato da Indústria do Café de Minas Gerais (Sindicafé-MG), o calor intenso aumenta a perda de água pelas folhas dos cafeeiros e pode prejudicar a floração.

A preocupação é maior porque o período entre outubro e dezembro é importante para o plantio, acompanhando a chegada da estação chuvosa.

Depois da colheita, as condições de armazenamento também precisam ser monitoradas para evitar perda de qualidade dos grãos.

Norte de Minas precisa manter atenção

O cenário regional exige atenção não apenas durante os horários de maior temperatura, mas também nas atividades realizadas ao ar livre.

Com previsão de temperaturas que podem alcançar 40°C no Norte de Minas e umidade inferior a 25% nas horas mais quentes, a orientação é reduzir a exposição prolongada ao sol, manter hidratação constante e evitar exercícios físicos nos horários de maior calor.

Em Montes Claros, onde a umidade chegou a 10% nesta semana, o ar extremamente seco reforça o alerta para problemas respiratórios, ressecamento das mucosas e risco de incêndios.

O Inmet também orienta a população a procurar atendimento médico diante de sintomas importantes relacionados ao calor ou à dificuldade respiratória. Em situações de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelo 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.

No Norte de Minas, portanto, o calor não é apenas uma questão de desconforto. Ele interfere na saúde, aumenta a pressão sobre o consumo de energia, movimenta determinados setores do comércio e da indústria e amplia os riscos provocados pela baixa umidade e pela vegetação seca.