O professor Pequi e o poder de brincar com a própria energia - Rede Gazeta de Comunicação

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O professor Pequi e o poder de brincar com a própria energia

Adelaide Valle Pires

Psicóloga por formação, arqueologa de coração

Ontem fui à festa do Pequi. Tudo estava bonito — os palcos, as cores, os aromas da comida, as exposições de artistas e artesãos.

Uma festa organizada com carinho, daquelas que parecem pulsar vida em cada detalhe.

Mas, entre tantos encantos, o que me atraiu mesmo foi um cantinho reservado às crianças: um espaço cheio de cor, lápis espalhados, desenhos e aquele barulhinho alegre que só o brincar produz.

Ali, sobre a mesa, encontrei uma cartilha da Cemig — Energia sem risco, sem desperdício e com muita cor.

A primeira página trazia um convite simples e poderoso: “Vamos aprender colorindo.”

Logo vinham três mensagens que me tocaram:

1.         Energia: vamos usar com cuidado e inteligência.

2.         Economizar: é cuidar do planeta.

3.         Segurança: é coisa séria.

Três lições que valem tanto para a eletricidade quanto para a vida.

Tenho refletido há tempos sobre isso, especialmente desde que criei meu desenho da moeda TENEURO, símbolo dos dois recursos que todos possuímos: tempo e neurônio.

São eles que movem nosso crescimento, nosso aprender e nosso viver.

Mas, curiosamente, às vezes fazemos o contrário do que deveríamos: economizamos nossos neurônios — deixamos de pensar, criar, renovar — e desperdiçamos nosso tempo, esse precioso que não volta mais.

Economizar, descobri, é também cuidar de si: é transformar energia em sabedoria.

Antes mesmo de chegar à festa, tive outra cena simbólica.

Enquanto esperava uma amiga na portaria, o porteiro me falou orgulhoso de uma árvore de pau-brasil no condomínio. Apontou para ela e contou que a plantou quando o prédio ainda era obra.

Mostrou-me ainda duas outras árvores, em frente ao prédio, plantadas na mesma época — pequenas, tímidas.

Na hora, me veio à lembrança um texto, “O recado das árvores”:

Pau-brasil: reconsidere seus valores. Uma árvore em pé representa mais riqueza que uma árvore tombada.

Castanheira: a poda significa desbastar, suprimir, conter, reprimir. Observe onde vai me plantar. Os fios elétricos ficam por conta do seu bom senso.

Pensei: as árvores, as crianças e a energia — todas elas estão ali nos ensinando o mesmo.

É preciso aprender a brincar com o que nos ensina.

Foi então que imaginei o Professor Pequi chegando por ali, animado, com o sol refletindo no brilho dourado de sua pele.

À frente do tronco, uma lousa improvisada com um cartaz: um eixo cruzado com as palavras brincar e jogar na vertical, inteiro e partes na horizontal.

Ele aponta com um galho e explica:

— Este é um mapa da educação com entretenimento: o jeito mais divertido de aprender.

E continua:

 — Quando a gente brinca com o todo, nasce o brinquedo — o faz de conta, o universo da imaginação.

Quando a gente joga com o todo, aparecem os jogos sérios — aqueles com propósito e meta, que nos ajudam a evoluir.

Brincar com partes é o desenho divertido, o aprendizado leve e curioso.

Jogar com partes é a gamificação — transformar rotina em desafio, tarefa em conquista, processo em jogo.

Faz uma pausa, olha para o céu e conclui sereno:

— Aprender precisa ser um ato de alegria.

Meu lema é do time educar brincando, porque o brincar é a arte de permanecer curioso.

Antes de se despedir, escreve no chão, com a ponta do galho:

“Nós não paramos de brincar porque envelhecemos; envelhecemos porque paramos de brincar.”

— Oliver Wendell Holmes, extraído do livro Gamification, de Flora Alves.

E eu, que comecei o dia ouvindo o recado de uma árvore e terminei encontrando uma cartilha iluminada, entendi que energia, cuidado e brincadeira fazem parte da mesma lição.

A educação floresce quando há encantamento — e o encantamento começa quando o aprender vira desenho divertido.

A festa encerrou, mas o brincar — esse continua.