O presente inesperado - Rede Gazeta de Comunicação

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O presente inesperado

Adelaide Valle Pires

Psicóloga por formação, arqueóloga de coração

Comecei o dia com gratidão e compaixão na cabeça. Era esse o meu tema.

Foi então que o professor lançou no grupo um pedido simples: uma imagem e uma história em vinte palavras. “Um presente de Natal”, disse ele.

Demorei um pouco para entender. Achei que ele pedia um presente, quando, na verdade, estava oferecendo um.

O sinal PEM apareceu inteiro para mim ali.

O princípio foi o desafio do professor.

A escolha: não narrar o que eu via na imagem, mas o que ela provocava em mim.

A mudança veio no foco.

Foi nesse deslocamento que percebi: reduzir não empobrece. Ao contrário, quando confio no essencial, o texto ganha densidade.

Síntese não é perda. É presença.

Nesse gesto havia método. O meu método CIA: capacidade de escuta, intenção clara, abstração suficiente para não aprisionar o sentido.

Aprendi, mais uma vez, que aprender é isso: ser vista, provocada e acompanhada.

No fim, compreendi com ternura:

o presente não era para o professor.

Era para nós, alunos.

Um convite ao essencial, oferecido com cuidado.