Regional FIEMG Norte criou 5.483 vagas formais entre janeiro e julho; indústria avançou em julho, enquanto serviços e municípios tiveram resultados distintos
O mercado de trabalho formal do Norte de Minas continua apresentando saldo positivo em 2026, mas os números mostram uma economia em movimento desigual entre setores e municípios. Levantamento com base nos dados do Novo Caged analisados pelo Observatório da Indústria de Minas Gerais aponta que a Regional FIEMG Norte acumulou 5.483 novos postos de trabalho com carteira assinada entre janeiro e julho, resultado praticamente estável em relação às 5.507 vagas abertas no mesmo período de 2025.
O desempenho mais recente, porém, revela uma mudança importante na composição desse resultado. Em julho, a Regional Norte registrou saldo positivo de 253 empregos formais, bem abaixo das 1.506 vagas criadas no mesmo mês do ano anterior. A desaceleração não significa, entretanto, paralisação do mercado de trabalho. O que aparece nos dados é uma distribuição diferente entre os setores da economia regional.
A indústria foi o principal motor da geração de empregos em julho, com saldo de 350 vagas. Dentro do setor, a indústria de transformação respondeu por 193 postos, enquanto a construção civil acrescentou 144 empregos. O resultado ajudou a compensar o desempenho negativo de outros segmentos e manteve a Regional FIEMG Norte no campo positivo.
O movimento ganha importância porque a indústria possui peso expressivo na economia regional. Dados estruturais da FIEMG mostram que a Regional Norte reunia, em 2023, 3.009 empresas industriais, responsáveis por 45.749 empregos. Desse total, a indústria de transformação concentrava 1.570 empresas e 32.628 empregos; a construção tinha 1.269 empresas e 11.257 trabalhadores; a indústria extrativa somava 99 empresas e 1.342 empregos; e os serviços industriais de utilidade pública reuniam 71 empresas e 522 postos.
O desempenho industrial também ajuda a explicar por que Montes Claros e outros municípios do Norte vêm buscando ampliar a integração entre grandes empresas, fornecedores e prestadores de serviços. A região possui atividades diversificadas, que incluem indústria farmacêutica, alimentos, metalurgia, mineração, construção e outras cadeias produtivas.
Serviços ainda lideram no acumulado
Se julho foi marcado pela indústria, o cenário muda quando se observa o acumulado do ano. Serviços continuam liderando a geração de empregos na Regional Norte, com 3.218 novas vagas entre janeiro e julho. Na sequência aparecem a indústria, com 1.454 postos, e a agropecuária, com 970.
O resultado de julho, porém, foi negativo para os serviços, que fecharam o mês com 129 postos a menos. A diferença mostra que o setor continua sendo fundamental para o emprego regional, mas passou por uma perda de ritmo no período.
A agropecuária também aparece entre os principais responsáveis pelo saldo positivo acumulado. O comportamento do setor merece atenção porque o Norte de Minas possui forte dependência de atividades ligadas à produção rural, à fruticultura irrigada, à pecuária e às cadeias de comercialização e processamento de alimentos.
Municípios têm comportamentos diferentes
Os números também mostram que não existe um único mercado de trabalho no Norte de Minas. Em julho, Janaúba liderou a geração de empregos, com saldo de 144 novas vagas, seguida por Itacarambi, com 102, e Jaíba, com 71 postos.
Na outra ponta, Montes Claros registrou saldo negativo de 203 empregos no mês, o pior resultado entre os municípios destacados no levantamento. A diferença entre os municípios reforça o caráter heterogêneo da economia regional: enquanto algumas cidades ampliaram contratações, outras enfrentaram redução do estoque de empregos formais.
Montes Claros, entretanto, continua sendo o principal polo econômico e de serviços da região. Em abril, por exemplo, o município registrou 4.585 admissões e 4.203 desligamentos, com saldo positivo de 382 vagas. O estoque chegou a 96.387 empregos formais, segundo dados do Caged divulgados pela Prefeitura. No acumulado de janeiro a abril, eram 1.648 novos postos, média superior a 412 vagas por mês.
Minas mantém mercado aquecido
O cenário regional ocorre em um Estado que também registra expansão do emprego formal. No primeiro semestre de 2026, Minas Gerais acumulou 108.977 novos empregos com carteira assinada, segundo o Novo Caged. No país, foram criados 921.645 postos no mesmo período. Serviços lideraram a geração nacional, com 571.926 vagas, enquanto a indústria abriu 143.442 e a agropecuária, 40.853.
Em Minas, a taxa de desemprego também recuou para 3,8% no segundo trimestre de 2026, ante 5% nos três primeiros meses do ano. A FIEMG aponta aumento da ocupação no período, embora a indústria geral tenha apresentado queda de 8% na comparação anual.
O quadro indica que o mercado de trabalho mineiro continua resiliente, mas enfrenta um ambiente de crescimento mais moderado. Juros elevados, crédito restrito, cenário internacional e incertezas econômicas aparecem entre os fatores que podem limitar uma aceleração mais forte das contratações. A própria FIEMG avalia que a indústria mineira fechou o primeiro semestre com avanços no emprego, nas horas trabalhadas e na massa salarial, mas com expectativa de crescimento moderado para 2026.
No Norte de Minas, os números reforçam uma característica conhecida da economia regional: a diversificação será decisiva para sustentar a geração de renda e emprego. A indústria ganhou força em julho, os serviços continuam sendo o maior empregador no acumulado e a agropecuária permanece importante, embora sujeita às condições climáticas e às oscilações próprias do setor.
Mais do que o número absoluto de vagas, o retrato do mercado formal revela uma economia regional que segue criando empregos, mas em velocidades diferentes. Para os próximos meses, o desafio será transformar a capacidade industrial, a força dos serviços e a vocação agropecuária do Norte de Minas em uma geração de postos de trabalho mais constante e distribuída entre os municípios.


