A campanha de João Fonseca no torneio de simples do Rio Open chegou ao fim nesta quinta-feira (19/2). Em uma noite marcada por tensão, oscilações e uma atuação extremamente sólida do adversário, o jovem brasileiro foi superado pelo peruano Ignacio Buse, que venceu de virada por 2 sets a 1, com parciais de 5/7, 6/3 e 6/4.
O resultado silenciou a Quadra Guga Kuerten, no Jockey Club Brasileiro, e interrompeu a trajetória promissora de Fonseca na chave principal. Apesar do apoio maciço da torcida, o brasileiro demonstrou nervosismo em momentos decisivos e acumulou erros que acabaram sendo determinantes para o desfecho da partida.
Chuva, atraso e intensidade desde o início
O confronto teve início com duas horas e quarenta minutos de atraso em função da forte chuva que atingiu o Rio de Janeiro. Nem mesmo a longa espera, porém, diminuiu a intensidade do duelo.
Logo nos primeiros games, Ignacio Buse deixou claro que não se intimidaria diante do público favorável ao brasileiro. Fonseca começou agressivo, variando bem os golpes e explorando o saque, mas encontrou resistência imediata do peruano, que respondeu com consistência e precisão nas devoluções.
O primeiro set foi caracterizado pelo equilíbrio. Ambos os jogadores confirmaram seus serviços com relativa segurança, e as oportunidades de quebra surgiram de forma pontual. Quando o placar apontava 5 a 5, Fonseca elevou o nível, pressionou o adversário e conseguiu a quebra crucial. Na sequência, confirmou o serviço e fechou o set em 7 a 5, levando a torcida ao delírio.
Reação peruana muda o cenário
Se o desfecho do primeiro set favoreceu o brasileiro, o segundo marcou uma virada de dinâmica. Fonseca iniciou confiante e chegou a construir break points logo no game inaugural. Buse, no entanto, reagiu com frieza, salvou as ameaças e passou a controlar o ritmo da partida.
Com devoluções profundas e excelente leitura dos pontos, o peruano conquistou uma quebra logo em seguida e abriu vantagem. A solidez defensiva e a capacidade de contra-ataque de Buse começaram a incomodar Fonseca, que passou a demonstrar sinais claros de ansiedade.
Mesmo apoiado pela torcida, o brasileiro encontrou dificuldades para encaixar seu jogo. Os erros não forçados aumentaram, enquanto o adversário manteve alto nível de consistência. O set terminou em 6 a 3 para o peruano, restabelecendo o equilíbrio no placar.
Nervosismo pesa no set decisivo
O terceiro set foi marcado por tensão crescente. Logo no início, Fonseca sofreu uma quebra sem pontuar em seu game de serviço, situação que ampliou a pressão sobre o brasileiro.
Visivelmente incomodado, o jovem tenista oscilou emocionalmente. Ignacio Buse, por outro lado, exibiu maturidade tática, variando bem os golpes e mantendo regularidade impressionante. O peruano chegou a salvar três break points em um dos games mais disputados da parcial, frustrando a reação do brasileiro.
A partir desse momento, Buse consolidou o controle da partida. Fonseca ainda tentou forçar o ritmo e buscar alternativas, mas esbarrou na consistência do adversário. Sem perder a intensidade, o peruano confirmou seus serviços até fechar o set em 6 a 4 e garantir vaga na semifinal.
Próximos compromissos
Apesar da eliminação no simples, João Fonseca retorna à quadra já nesta sexta-feira (20/2), desta vez pela chave de duplas. Ao lado de Marcelo Melo, o brasileiro disputará a semifinal contra os alemães Jakob Schnaitter e Mark Wallner. A partida será o quarto jogo da Quadra 1, cuja programação tem início às 16h.
Ignacio Buse também volta à ação na mesma data. O peruano enfrentará o italiano Matteo Berrettini em busca de vaga na final do torneio de simples.
Derrota que deixa lições
A eliminação encerra uma campanha que, embora interrompida, reforça o momento de consolidação de João Fonseca no circuito. Aos 19 anos, o brasileiro segue como uma das principais promessas do tênis nacional e continua acumulando experiência em palcos de alto nível.
Do outro lado, Ignacio Buse sai fortalecido. Com atuação consistente, madura e tecnicamente segura, o peruano demonstrou personalidade diante da torcida adversária e confirmou a vitória de forma merecida.
Em uma noite de contrastes emocionais, o Rio Open testemunhou não apenas a queda de um favorito local, mas também a afirmação de um adversário que soube aproveitar cada brecha oferecida pelo jogo — e pela pressão natural de um duelo decisivo.


