Investimento bilionário reforça a integração energética entre o Norte de Minas e São Paulo e amplia a capacidade de escoamento de energias renováveis no país
A Neoenergia anunciou nesta segunda-feira (1º) a entrega de mais uma etapa do projeto de transmissão Alto Paranaíba, empreendimento estratégico que interliga Minas Gerais a São Paulo. O novo trecho concluído corresponde ao lote 2 do leilão de transmissão nº 1 de 2022, promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e integra um pacote de investimentos estimados em R$ 4,937 bilhões.
Nesta fase, foi construída uma linha de transmissão de 500 kV, com 794 torres distribuídas ao longo de 214 quilômetros entre as subestações Arinos II e Paracatu IV. O projeto incluiu ainda a ampliação dessas unidades, com a instalação de 819 Megavolt-Ampere Reativo (MVAR), reforçando a estabilidade do sistema elétrico nacional.
Segundo a Neoenergia, o objetivo central é aumentar a capacidade de transmissão entre o Norte de Minas e São Paulo, criando condições para o escoamento da produção energética, especialmente das fontes renováveis – como solar e eólica – que vêm ganhando protagonismo no país.
Importância estratégica para o sistema elétrico
A entrega ocorre após a conclusão dos testes de energização conduzidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que confirmou a entrada em operação do trecho na última sexta-feira (30). De acordo com o Informe Preliminar Diário de Operação (IPDO), a nova linha contribuirá para melhorar a fluidez do sistema e permitirá o escoamento mais eficiente da geração renovável do Norte de Minas e também da Região Nordeste, tradicional polo de energia eólica.
Estrutura do projeto Alto Paranaíba
O empreendimento Alto Paranaíba é um dos maiores da Neoenergia na área de transmissão. Além do trecho já entregue, o projeto contempla:
Linha Paracatu IV – Nova Ponte III (291 km)
Linha Nova Ponte III – Araraquara II (307 km)
Linha Araraquara II – Araraquara (11 km)
Subestação Nova Ponte III
Conexões entre Nova Ponte III e a linha Itumbiara – Nova Ponte (36 km)
Com a conclusão total, prevista até dezembro de 2025, o projeto deverá adicionar R$ 403 milhões em Receita Anual Permitida (RAP) à companhia, segundo dados apresentados no relatório do segundo trimestre. Atualmente, cerca de 2% da RAP já está liberada, o equivalente a R$ 7,4 milhões. Para o ciclo tarifário 2024/2025, a RAP total do empreendimento está projetada em R$ 410 milhões.
Vale destacar que a Neoenergia venceu o leilão de 2022 ao oferecer um deságio de 55,33% em relação à RAP máxima estabelecida pela Aneel, reforçando a competitividade do grupo no setor de transmissão.
Expansão nacional e investimentos
Além do Alto Paranaíba, a Neoenergia mantém em andamento outros três projetos de transmissão: Vale do Itajaí, Guanabara e Morro do Chapéu. Este último já registrou avanços significativos, com a entrada em operação comercial do trecho Poções III/Medeiros Neto II, na Bahia, no mês passado.
A companhia destacou que deve concluir o ciclo de investimentos em transmissão até o fim de 2025. Apenas no primeiro semestre deste ano, os aportes realizados somaram R$ 1,9 bilhão, distribuídos entre linhas e subestações de diferentes lotes conquistados em leilões.
Impacto para Minas Gerais e São Paulo
No caso específico do Alto Paranaíba, a obra também traz impactos positivos para a economia regional. A construção do trecho gerou empregos diretos e indiretos, movimentou fornecedores locais e fortaleceu a infraestrutura energética em regiões que despontam como polos de energia solar fotovoltaica, principalmente no Norte de Minas Gerais.
Com a entrega desse segundo trecho, a Neoenergia avança no cronograma e reforça seu papel como uma das principais companhias do setor elétrico brasileiro, atuando não apenas na geração, mas também na transmissão e distribuição de energia.


