A necessidade de investimentos estruturais e políticas públicas voltadas ao fortalecimento do turismo na bacia hidrográfica do Rio Grande dominou o debate realizado nesta quinta-feira (19), durante audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O encontro reuniu prefeitos, representantes de associações e membros do governo estadual para discutir estratégias de desenvolvimento econômico para uma das regiões mais promissoras do estado.
O principal ponto levantado pelos gestores municipais foi a garantia de uma cota mínima de água no Lago de Furnas, considerado um dos maiores atrativos turísticos de Minas Gerais e conhecido nacionalmente como “Mar de Minas”. A reivindicação é para que o nível mínimo do reservatório seja mantido em 762 metros de altitude, condição vista como essencial para assegurar o pleno uso turístico, ambiental e econômico da região.
A coordenadora do Movimento Pró Furnas 762, Maria Elisa Ordones de Oliveira, destacou que a manutenção desse nível permitiria não apenas a preservação das atividades turísticas, mas também o fortalecimento de setores como pesca, agricultura e abastecimento. Segundo ela, a atual outorga da usina hidrelétrica — sob responsabilidade da empresa Axia Energia — prevê um nível mínimo inferior, o que tem gerado insegurança para investimentos e prejuízos econômicos em períodos de estiagem.
Prefeitos da região reforçaram o impacto direto da oscilação do nível do lago na economia local. O prefeito de Capitólio, Cristiano Gerardão, questionou a viabilidade de novos investimentos diante da instabilidade hídrica. “Quem vai querer investir em um município que, em grande parte do ano, não tem água?”, indagou. Já o prefeito de São Roque de Minas, Brexinha, ressaltou que os efeitos se estendem também à Serra da Canastra, outro importante polo turístico mineiro.
Além da questão hídrica, os gestores apontaram problemas estruturais que comprometem o desenvolvimento regional, como a precariedade das estradas e falhas no fornecimento de energia elétrica. Segundo relatos, a má conservação das rodovias dificulta o acesso de turistas e prejudica o escoamento da produção agrícola, enquanto as constantes interrupções no fornecimento de energia afastam investimentos e impactam diretamente o setor produtivo.
Durante a audiência, representantes do Governo de Minas apresentaram projetos em andamento para enfrentar parte desses desafios. Entre as iniciativas destacadas está a proposta de concessão das balsas que realizam a travessia no Lago de Furnas, por meio de uma parceria público-privada (PPP). O objetivo é modernizar o serviço, garantir manutenção adequada, padronizar tarifas e reduzir custos para os municípios.
Atualmente, a estrutura das balsas é mantida pela empresa responsável pela usina, enquanto os custos operacionais são divididos entre prefeituras e usuários. Com a concessão, o governo estadual assumirá parte desses custos em parceria com a iniciativa privada, o que poderá gerar economia anual estimada entre R$ 600 mil e R$ 1,5 milhão para os municípios envolvidos.
Outro projeto considerado estratégico é a construção da ponte que ligará os municípios de Delfinópolis e Cássia. Com extensão prevista de 1.280 metros e investimento estimado em R$ 146 milhões, a obra deve melhorar significativamente a mobilidade na região, além de facilitar o transporte de produtos e o acesso turístico. A previsão é que a ponte seja concluída até 2030.
O Governo do Estado também destacou ações voltadas ao fortalecimento de cadeias produtivas locais, como o café e os produtos lácteos, além de iniciativas para melhorar a logística e a infraestrutura energética e hídrica da região. No campo do turismo, a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) informou que o “Mar de Minas” é tratado como área prioritária, com políticas de incentivo e regionalização sendo implementadas.
Para o deputado Antonio Carlos Arantes, autor do requerimento que motivou a audiência, o momento é decisivo para transformar o crescimento do turismo em desenvolvimento sustentável. Segundo ele, o aumento da demanda por destinos na região precisa ser acompanhado por investimentos em infraestrutura e planejamento.
A audiência evidenciou que, apesar do grande potencial turístico e econômico da bacia do Rio Grande, a região ainda enfrenta entraves que limitam seu pleno desenvolvimento. A garantia da cota mínima do Lago de Furnas, aliada a melhorias em infraestrutura e serviços, surge como uma das principais demandas para consolidar o turismo como vetor de crescimento e geração de renda no Sul e Centro-Oeste de Minas Gerais.


