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MORRE ZÉ VICENTE, O “GENTE DA GENTE” | Ícone da comunicação e da política do Norte de Minas deixa legado - Rede Gazeta de Comunicação

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MORRE ZÉ VICENTE, O “GENTE DA GENTE” | Ícone da comunicação e da política do Norte de Minas deixa legado

Radialista, violeiro, repentista, vereador, vice-prefeito e prefeito de Montes Claros faleceu aos 84 anos após complicações de aneurisma cerebral

O Norte de Minas amanheceu de luto nesta quarta-feira, 6 de maio de 2026. Faleceu na noite anterior, terça-feira, 5 de maio, aos 84 anos, José Vicente Medeiros, o Zé Vicente. Radialista, apresentador de TV, violeiro, artesão, repentista, vereador por dois mandatos, vice-prefeito e prefeito de Montes Claros, ele construiu uma trajetória que une, de forma rara, as letras, a arte e a vida pública.

Conhecido pela expressão que virou marca — “Gente da gente” —, Zé Vicente faleceu em decorrência de complicações de um aneurisma cerebral. Ele havia sido internado no final de fevereiro deste ano e, no dia 20 de março, foi submetido a um procedimento cirúrgico com retirada da maior parte da lesão. Desde então, permanecia em observação, mas não resistiu.

Um político à moda do Império: das letras e do povo

Em tempos nos quais o país agoniza para encontrar representantes que conciliem a erudição e a sensibilidade popular, Zé Vicente lembrava aqueles políticos do Brasil Império, no século XIX, que além de homens públicos eram também homens das letras: poetas, escritores e jornalistas. Ele foi tudo isso, sem nunca perder as raízes do campo.

Nascido em 26 de julho de 1941 na localidade rural de Claraval, distrito de Claro dos Poções — conhecida como Vereda do Ouro, hoje comunidade rural de Montes Claros —, Zé Vicente viveu a infância, a adolescência e a juventude no campo. Aos 21 anos, mudou-se para a cidade, mas carregou para sempre consigo as marcas da vida rural.

Filho de Caetano Félix Medeiros e Ana Pereira Prates, o comunicador costumava dizer que não conseguiu ganhar dinheiro, mas criou a família e se considerava a pessoa mais rica de amizades em Montes Claros e em todo o Norte de Minas.

60 anos de rádio, arte e devoção

Zé Vicente foi violeiro, artesão, repentista, radialista e apresentador de TV. Ao longo de 60 anos de rádio, marcou época com apresentações musicais e eventos como o Bola Show — um caminhão com alto-falante que percorria as cidades de Janaúba e Jaíba.

Ao lado do saudoso cordelista, cantor e compositor Téo Azevedo, foi presidente da Associação dos Repentistas, Poetas Populares do Norte de Minas (ARPNM). Juntos, gravaram o primeiro disco em São Paulo, em alusão ao Rio São Francisco.

Sua veia artística e comunitária também se manifestava na fé. Há quase 50 anos, Zé Vicente participava, todo mês de julho, da Romaria do Senhor do Bonfim — uma caminhada de 50 quilômetros a pé, pela BR-135, entre Montes Claros e Bocaiúva.

Legado político e familiar

Na política, sua trajetória começou ainda na década de 1970, quando se candidatou pela primeira vez a vereador. Eleito por dois mandatos, foi também vice-prefeito e, por sete meses, assumiu como prefeito de Montes Claros após o afastamento do titular Ruy Muniz.

No início de fevereiro deste ano, Zé Vicente participou do lançamento do livro “O Homem do an, an!” , que relata sua própria história e a de sua gente. A obra foi escrita por seu filho, Álvaro Vicente, também radialista e advogado.

Zé Vicente deixa os filhos Ricardo, João Fróes (radialista), Lauro Alex, Álvaro Vicente (radialista, advogado e acadêmico de Letras), Cleonice, Mônica e Áurea — sua ex-chefe de gabinete na Câmara e na prefeitura. Com sua partida, o Norte de Minas perde não apenas um gestor público, mas um artista completo e, acima de tudo, um homem do povo — o “Gente da gente” .

(João Pedro Issa, colaborador)