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Moradores de Diamantina se mobilizam contra concessão do Parque Estadual do Biribiri - Rede Gazeta de Comunicação

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Moradores de Diamantina se mobilizam contra concessão do Parque Estadual do Biribiri

A proposta de concessão do Parque Estadual do Biribiri à iniciativa privada tem gerado forte reação da população de Diamantina, que se mobiliza para impedir mudanças no modelo de gestão da unidade de conservação. Durante visita técnica realizada na última sexta-feira (27/3) pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, moradores entregaram um abaixo-assinado com cerca de 4,5 mil assinaturas contrárias ao projeto.

A comitiva parlamentar foi composta pelas deputadas Beatriz Cerqueira e Bella Gonçalves, além do deputado Marquinho Lemos. A visita teve como objetivo ouvir a comunidade local, que reivindica maior participação nas decisões sobre o futuro do parque e questiona os impactos da possível concessão.

Com aproximadamente 17 mil hectares, o Parque Estadual do Biribiri é uma das áreas naturais mais visitadas de Minas Gerais, conhecido por suas trilhas, cachoeiras e pela rica biodiversidade. Além do valor ambiental, o espaço carrega forte significado cultural e afetivo para os moradores da região, que utilizam o local há décadas como área de lazer, convivência e práticas tradicionais.

Entre as principais preocupações da população está a possibilidade de cobrança de ingressos, prevista no modelo de concessão. Para muitos moradores, a medida pode restringir o acesso ao parque, especialmente para pessoas de baixa renda. Representantes de movimentos sociais argumentam que a cobrança descaracterizaria a função pública da unidade e aprofundaria desigualdades sociais.

“Existe um vínculo histórico muito forte entre a cidade e o parque. É um espaço de memória, de convivência e de pertencimento”, destacou um dos integrantes do movimento contrário à concessão. Moradores também criticaram o processo de consulta pública conduzido pelo Instituto Estadual de Florestas, alegando dificuldades de acesso e problemas técnicos durante a audiência realizada em fevereiro.

Outra questão levantada durante a visita foi a atual estrutura de gestão do parque. Segundo relatos, a unidade conta com apenas um servidor efetivo e 11 funcionários terceirizados, o que evidencia a necessidade de investimentos e melhorias na manutenção. Ainda assim, parte da comunidade defende que esses investimentos sejam feitos diretamente pelo poder público, sem a necessidade de transferir a gestão à iniciativa privada.

Os parlamentares presentes manifestaram apoio às reivindicações da população. A deputada Beatriz Cerqueira criticou o que classificou como uma priorização de interesses de mercado em detrimento de políticas públicas voltadas ao turismo comunitário e sustentável. Já Bella Gonçalves reforçou a importância de ampliar o debate e garantir que a população local tenha voz ativa no processo decisório. O deputado Marquinho Lemos também questionou a proposta, apontando a ausência de contrapartidas claras para a comunidade.

Por outro lado, o Governo de Minas, por meio do IEF, defende que o modelo de concessão não implica privatização da área, uma vez que a propriedade permanece pública. Segundo o órgão, a iniciativa busca atrair investimentos para infraestrutura, manutenção e qualificação dos serviços oferecidos aos visitantes. A proposta prevê contrato de 30 anos, com aportes iniciais e investimentos contínuos ao longo da concessão.

O projeto integra o Programa de Concessões de Parques Estaduais, desenvolvido com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. De acordo com o IEF, foram recebidas mais de 200 contribuições durante a fase de consulta pública, que estão sendo analisadas e poderão ser incorporadas ao edital final.

Localizado na Serra do Espinhaço, o Parque Estadual do Biribiri desempenha papel estratégico na preservação ambiental, sendo divisor de águas das bacias dos rios São Francisco, Doce e Jequitinhonha. A área abriga ecossistemas de cerrado e campos rupestres, além de espécies ameaçadas de extinção, como o lobo-guará e a onça-parda.

O parque também reúne importantes patrimônios históricos e arqueológicos, como pinturas rupestres e vestígios do antigo “Caminho dos Escravos”, além da tradicional Vila do Biribiri, que reforça o valor cultural da região.

Diante da mobilização popular, a Comissão de Meio Ambiente da ALMG deve promover novas audiências públicas para ampliar o debate. O leilão da concessão está previsto para o segundo semestre de 2026, mas a pressão da comunidade pode influenciar os rumos do projeto, colocando em pauta a necessidade de conciliar preservação ambiental, acesso público e desenvolvimento sustentável.