A Polícia Militar de Minas Gerais, pertencente à 11ª Região de Polícia Militar (RPM), desencadeou na tarde do último sábado (6) uma operação de caráter emergencial no bairro Vila Castelo Branco, em Montes Claros, após receber informações que apontavam para uma possível escalada de violência armada na região. Segundo relatos encaminhados à corporação, indivíduos estariam se mobilizando para um eventual revide aos ataques registrados nos dias 4 e 5 de dezembro, quando disparos de arma de fogo foram efetuados no mesmo bairro, gerando apreensão entre moradores e motivando reforço no patrulhamento.
Diante do risco iminente de novos confrontos, equipes militares se deslocaram ao imóvel indicado nas denúncias. Ao se aproximarem de uma das residências, os policiais visualizaram, por meio de uma janela, um adolescente de 17 anos tentando esconder um revólver atrás de um sofá na sala. A arma – um revólver calibre .32 municiado com cinco cartuchos intactos – foi imediatamente apreendida. No mesmo ambiente, onde também estava um jovem de 22 anos, os militares localizaram uma munição calibre .38, reforçando as suspeitas de que o local era utilizado para armazenamento de armamento.
Ao ser questionado, o jovem de 22 anos afirmou aos policiais que vinha sofrendo ameaças de indivíduos da parte alta do bairro e, temendo represálias, buscou apoio armado com o adolescente, que, segundo ele, seria responsável por possuir e fabricar armas de fogo de maneira clandestina. O menor confirmou a versão e revelou ainda que havia, em sua residência, outra arma de fabricação caseira e municiada, construída por ele mesmo, além de relatar que um segundo revólver calibre .38 teria sido vendido a outra pessoa antes da chegada da polícia.
A guarnição seguiu até o endereço mencionado pelo adolescente. Na residência, com a autorização e presença da mãe do menor, os militares localizaram uma arma longa de fabricação caseira contendo um carregador acoplado, além de vasta quantidade de munição. No total, foram apreendidas 17 munições calibre .380, sete munições calibre .38, R$ 40,00 em dinheiro trocado, um carregador alongado ainda em fase de produção, duas réplicas de arma de fogo do tipo pistola e um aparelho celular que, segundo os militares, pode conter conversas e registros relacionados às disputas ocorridas no bairro. As munições calibre .38 foram encontradas dentro da caixa do aparelho celular que pertencia a um terceiro envolvido, um jovem de 21 anos.
A operação resultou na detenção de dois adultos e na apreensão do adolescente. Os dois jovens, de 21 e 22 anos, receberam voz de prisão por posse ilegal de munições de uso permitido. Já o adolescente de 17 anos foi apreendido por atos infracionais análogos aos crimes de posse ilegal de arma de fogo e munições. Todos foram conduzidos à Delegacia de Polícia Judiciária, juntamente com o armamento, munições, acessórios e demais materiais recolhidos.
A Polícia Militar destacou que a ação integra um conjunto de medidas adotadas para conter conflitos entre grupos rivais no Vila Castelo Branco, região que vem demandando atenção reforçada das forças de segurança. As investigações agora seguem sob responsabilidade da Polícia Civil, que deverá analisar o material apreendido e apurar a possível relação dos suspeitos com episódios recentes de disparos e ameaças no bairro.


