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Montes Claros cresce em população, economia, emprego e infraestrutura em uma década - Rede Gazeta de Comunicação

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Montes Claros cresce em população, economia, emprego e infraestrutura em uma década

Em dez anos, cidade passou de cerca de 398 mil para 440,7 mil habitantes, ampliou o PIB, aumentou o número de trabalhadores formais e avançou em habitação, drenagem e serviços públicos

Montes Claros chega a 2026 com uma dimensão econômica, urbana e social diferente daquela registrada há dez anos. A cidade cresceu em população, ampliou sua atividade econômica, aumentou o estoque de empregos formais e passou a demandar uma estrutura cada vez maior de saúde, habitação, mobilidade, drenagem, educação e assistência social.

Em 2016, a população estimada de Montes Claros era de aproximadamente 398 mil habitantes. Em 2026, a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) chega a 440.700 moradores. O Censo de 2022 havia contabilizado 414.240 habitantes.

São mais de 42 mil pessoas a mais na estimativa em uma década. Esse crescimento não ocorre apenas nos números populacionais. Ele representa mais famílias, mais consumidores, mais trabalhadores e também uma pressão maior sobre a infraestrutura e os serviços públicos.

PIB sai de R$ 8,7 bilhões para R$ 13,3 bilhões

Na economia, os números também mostram uma expansão expressiva. Segundo dados do IBGE compilados a partir do PIB dos Municípios, o Produto Interno Bruto de Montes Claros passou de R$ 8,77 bilhões em 2016 para R$ 13,33 bilhões em 2023, último ano disponível na série municipal. Em valores nominais, isso representa aumento de aproximadamente 52%.

O PIB per capita também avançou. Em 2016, estava na faixa de R$ 22 mil e chegou a R$ 32.170 em 2023. É importante, porém, fazer uma ressalva: PIB per capita não significa renda efetivamente recebida por cada morador e a comparação nominal entre anos não desconta a inflação.

A economia montes-clarense é diversificada. Em 2021, os serviços respondiam por 57,8% do valor adicionado, a indústria por 20,7%, a administração pública por 19,9% e a agropecuária por 1,6%.

Mais empresas e quase 100 mil empregos formais

O crescimento econômico aparece também no mercado de trabalho. Levantamento divulgado pela Prefeitura em 2025 apontava 47.894 empresas ativas em Montes Claros. Desse universo, 95,36% eram micro e pequenas empresas e 26.694 estavam classificadas como microempreendedores individuais.

Em 2024, as empresas instaladas no município contrataram 52.785 trabalhadores e desligaram 49.317, resultando em saldo positivo de 3.468 empregos formais naquele ano.

O movimento continuou em 2025 e 2026. Em maio de 2026, o estoque de trabalhadores com emprego formal chegou a 96.570. Entre janeiro e maio daquele ano, o saldo acumulado era de 1.831 novos postos de trabalho, 37% acima do resultado registrado no mesmo período de 2025.

Em março, o estoque chegou a 99.891 trabalhadores formais, segundo os dados mais recentes divulgados pelo município.

Crescimento também chega à moradia

Uma cidade que cresce precisa produzir moradia. Nos últimos anos, Montes Claros voltou a ampliar a utilização de instrumentos de habitação de interesse social. Em 2026, decretos municipais criaram ou ampliaram áreas classificadas como Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) para viabilizar empreendimentos vinculados ao Minha Casa, Minha Vida.

Entre os projetos estão aproximadamente 500 unidades habitacionais em área próxima ao Residencial Vitória, além de empreendimentos de 420 e 280 unidades no bairro Vila Atlântida. Somados, os três projetos representam cerca de 1.200 moradias previstas em áreas destinadas à habitação de interesse social.

A expansão habitacional acompanha uma cidade que deixou de ser apenas polo regional de comércio e serviços para assumir, cada vez mais, características de um centro urbano de grande porte.

Infraestrutura para uma cidade maior

O crescimento populacional e econômico também exige investimentos que nem sempre aparecem imediatamente aos olhos. Um exemplo é a drenagem. Nos últimos anos, foram implantados mais de 70 quilômetros de redes de drenagem pluvial em Montes Claros, extensão superior à distância entre a cidade e Capitão Enéas. A medida busca enfrentar pontos históricos de alagamento e ampliar a capacidade de escoamento das águas das chuvas.

Na saúde, a dimensão regional de Montes Claros também influencia diretamente a necessidade de investimentos. Em 2025, o município destinou mais de R$ 127 milhões acima do mínimo constitucional para ações e serviços públicos de saúde, segundo prestação de contas divulgada pela Prefeitura.

Para os próximos anos, está projetado um Hospital Municipal com 242 leitos, sendo 30 de UTI, e dez salas cirúrgicas, com investimento estimado em cerca de R$ 220 milhões. A unidade deverá ampliar a capacidade de atendimento pelo SUS em uma cidade que recebe pacientes de dezenas de municípios do Norte de Minas.

Uma cidade maior traz uma conta maior

Os números financeiros ajudam a dimensionar essa transformação. A receita realizada pelo município passou de R$ 576,7 milhões em 2016 para R$ 2,148 bilhões em 2025, segundo dados do Siconfi/Tesouro Nacional. É um crescimento nominal de aproximadamente 273%, mas a comparação precisa considerar inflação, mudanças econômicas e alterações na estrutura de receitas ao longo do período.

O investimento público também ganhou escala. Em 2016, foram empenhados cerca de R$ 70,4 milhões em investimentos. Em 2025, o valor chegou a aproximadamente R$ 203,3 milhões.

Dez anos depois, portanto, Montes Claros não é apenas uma cidade com mais moradores. É uma cidade com uma economia maior, um mercado de trabalho mais amplo, maior arrecadação e uma estrutura urbana que precisa acompanhar o ritmo de crescimento.

A transformação tem dois lados. De um, estão os números de expansão econômica, novos empregos, empresas, moradias e obras. Do outro, o desafio permanente de fazer esse crescimento chegar à qualidade de vida, reduzir desigualdades e garantir que a infraestrutura acompanhe uma população que já se aproxima de meio milhão de habitantes.

É nesse ponto que se mede o tamanho de uma cidade: não apenas pelo dinheiro que circula, pelos prédios que surgem ou pelos quilômetros de asfalto e drenagem construídos, mas pela capacidade de transformar crescimento econômico em condições melhores de moradia, saúde, educação, trabalho e vida para quem escolheu Montes Claros para viver.