Obras no Laboratório de Química Agropecuária do IMA devem durar dois anos e serão realizadas sem interromper as atividades; recursos vêm do Acordo de Reparação do Rio Doce
O Laboratório de Química Agropecuária (LQA), do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), deve passar por uma reforma de quase R$ 16 milhões a partir de 2027. O investimento, viabilizado pelo Acordo de Reparação do Rio Doce, prevê a modernização da estrutura e a ampliação da capacidade de análises que dão suporte à defesa sanitária e à fiscalização de produtos agropecuários em Minas Gerais.
A reforma foi destacada pelo IMA em encontro realizado na quarta-feira (21/10), em Contagem. Segundo o instituto, os recursos já foram recebidos e a empresa contratada está na fase de planejamento dos trabalhos. A previsão é que a execução dure cerca de dois anos, com o laboratório em funcionamento durante todo o período.
O acordo que financia a intervenção foi firmado após o rompimento da Barragem de Fundão, da Samarco, em 2015, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. Os recursos destinados à reforma integram as medidas de reparação relacionadas ao desastre.
Para o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, os laboratórios são fundamentais para as ações de defesa agropecuária e segurança alimentar. A expectativa, segundo ele, é que a modernização incorpore tecnologia e contribua para melhorar a qualidade dos serviços prestados à população.
A diretora-geral do IMA, Luiza de Castro, também ressaltou a participação dos servidores na construção do projeto. O laboratório recebe amostras encaminhadas por unidades regionais de diferentes partes do estado, contribuindo para o controle sanitário e para a fiscalização de produtos que chegam ao mercado.
Reforma será feita com o prédio ocupado
A obra ficará sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra). De acordo com a subsecretária de Edificações, Débora do Carmo, o desafio será executar a reforma sem interromper as atividades do laboratório.
A estratégia considera a necessidade de manter as análises durante a intervenção, uma vez que o trabalho do LQA integra as ações de defesa sanitária animal e vegetal e a inspeção de produtos de origem animal. A Seinfra informou ter experiência em reformas realizadas em edifícios que permanecem ocupados, como hospitais e escolas.
Durante o encontro, 21 coordenadores regionais, gerentes e integrantes da diretoria do IMA conheceram as instalações e acompanharam apresentações sobre os procedimentos realizados pelos profissionais do laboratório.
Mais de 11,7 mil amostras analisadas em sete meses
A modernização ocorre em um contexto de investimentos na estrutura laboratorial do estado. Entre janeiro e julho de 2026, os laboratórios do IMA analisaram mais de 11,7 mil amostras. Os resultados subsidiam o monitoramento sanitário, a fiscalização e o controle de produtos agropecuários.
Além dos quase R$ 16 milhões previstos para a reforma, a rede laboratorial recebeu cerca de R$ 5 milhões do Acordo de Reparação do Rio Doce para aquisição de equipamentos e insumos, além de manutenção.
Outros aproximadamente R$ 7 milhões, provenientes do Fundo Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), estão destinados à compra de equipamentos para aprimorar a identificação de microrganismos e patógenos de difícil detecção em alimentos e ampliar o monitoramento de resíduos de agrotóxicos.
Desse montante, R$ 1,9 milhão será aplicado na estruturação do Laboratório de Análises de Bebidas, vinculado ao LQA. A unidade terá como foco verificar a conformidade sanitária de bebidas alcoólicas, identificar possíveis fraudes, adulterações e contaminantes e apoiar as ações de fiscalização.
A iniciativa também pode fortalecer o controle de qualidade na cadeia produtiva da cachaça, setor relevante para a agroindústria mineira. Com a reforma e a aquisição de novos equipamentos, a expectativa é ampliar a capacidade de resposta dos laboratórios às demandas de fiscalização e segurança dos alimentos em Minas Gerais.


