Minas Gerais deu um passo histórico no enfrentamento da dengue ao iniciar, neste sábado (17/1), a imunização da população com a primeira vacina 100% nacional, de dose única, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O início da aplicação ocorreu em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, município escolhido para sediar o projeto-piloto que marca uma nova etapa no combate às arboviroses no país.
O lançamento da campanha contou com a presença do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, que acompanhou de perto o início da vacinação e também recebeu a dose do imunizante, por ser morador da cidade e estar dentro da faixa etária contemplada nesta fase.
Durante o evento, Mateus Simões destacou a importância da iniciativa não apenas do ponto de vista da saúde pública, mas também como instrumento de fortalecimento da confiança da população nas vacinas.
“Eu acho que é uma questão de responsabilidade as autoridades públicas trabalharem para resgatar a confiança da população em vacinas. E, neste momento, o meu pedido é para que a população de Nova Lima compareça às unidades básicas de saúde, para que a gente possa vacinar as pessoas de 15 a 59 anos, que é a população foco dessa campanha de vacinação contra a dengue”, afirmou o vice-governador.
Vacinação em dose única e impacto populacional
A vacinação contra a dengue em Nova Lima será realizada em dose única, característica que diferencia o novo imunizante e amplia o potencial de alcance da campanha em curto período. A ação integra um estudo-piloto nacional, cujo objetivo é avaliar o impacto da imunização de mais de 50% da população elegível em um intervalo reduzido de tempo, contribuindo para a redução da circulação do vírus e para o controle de surtos.
Nesta primeira etapa, serão disponibilizadas 64 mil doses, quantitativo suficiente para atender toda a população do município dentro da faixa etária definida, que compreende pessoas de 15 a 59 anos. A expectativa é que os resultados obtidos em Nova Lima sirvam de base para a expansão gradual da vacinação em outras cidades mineiras e brasileiras.
A iniciativa é fruto de uma articulação entre o Governo de Minas, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), o Ministério da Saúde, a Fiocruz Minas e a Prefeitura de Nova Lima, reforçando a integração entre os entes federativos no enfrentamento das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.
Cidade-piloto e estratégia nacional
A escolha de Nova Lima como município-piloto não foi aleatória. Segundo a SES-MG, a definição levou em consideração critérios técnicos e epidemiológicos, além da capacidade logística e da organização da rede de atenção básica local. Além da cidade mineira, o projeto-piloto também está sendo desenvolvido em Maranguape (CE) e Botucatu (SP).
Além de avaliar o impacto da vacinação em larga escala, a experiência permitirá testar estratégias logísticas, como distribuição, armazenamento, mobilização social e registro das doses aplicadas, fornecendo subsídios importantes para a futura ampliação da campanha em âmbito estadual e nacional.
Quem pode e quem não pode se vacinar
O imunizante é indicado para pessoas entre 15 e 59 anos e apresenta eficácia geral de 79,6% na prevenção da dengue sintomática, além de 89% de proteção contra as formas graves da doença, conforme dados apresentados pelo Instituto Butantan e pelo Ministério da Saúde.
No entanto, alguns grupos não devem receber a vacina neste momento. Estão incluídos gestantes, lactantes, pessoas com imunodeficiência ou em uso de terapias imunossupressoras, além de indivíduos que tiveram diagnóstico confirmado de dengue nos últimos seis meses.
Pessoas que tiveram febre amarela, zika ou chikungunya devem aguardar pelo menos 30 dias antes de se vacinar.
As autoridades de saúde reforçam a importância de procurar uma unidade básica de saúde para esclarecer dúvidas e verificar a elegibilidade antes da aplicação.
Ampliação gradual em Minas Gerais
Na próxima fase da estratégia, quando houver ampliação da oferta de doses, a vacinação deverá priorizar profissionais da Atenção Primária à Saúde que atuam diretamente na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS). Estão incluídos agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias, enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos que realizam visitas domiciliares.
De acordo com o Ministério da Saúde, a ampliação ocorrerá de forma gradual, acompanhando o aumento da capacidade de produção do imunizante e respeitando critérios técnicos, epidemiológicos e regionais.
Recorde histórico de vacinação em 2025
A nova etapa da vacinação contra a dengue ocorre em um cenário positivo para Minas Gerais. Em 2025, o estado registrou o maior número de doses aplicadas da história, com 16,8 milhões de vacinas do Calendário Nacional de Imunização administradas à população. O resultado reflete o fortalecimento das políticas públicas de saúde e a retomada da confiança da população após os impactos da pandemia.
Entre as estratégias adotadas pelo Governo de Minas para ampliar o acesso às vacinas está o uso dos vacimóveis — veículos adaptados que funcionam como salas de vacinação itinerantes. Desde 2023, a SES-MG já repassou mais de R$ 100 milhões para que municípios e consórcios de saúde adquirissem essas unidades, especialmente para atender regiões de difícil acesso. Ao todo, 247 vacimóveis já foram entregues em todo o estado.
Investimentos e queda expressiva nos casos
O enfrentamento às arboviroses segue como prioridade em Minas Gerais. A SES-MG investe cerca de R$ 210 milhões por ano em ações de prevenção, vigilância e assistência. Somente em 2025, foram aplicados R$ 23,6 milhões em ações emergenciais e R$ 35,1 milhões repassados a consórcios intermunicipais, além do pagamento antecipado de R$ 47,3 milhões para o fortalecimento das equipes de saúde, ampliação de exames e uso de tecnologias como drones e ovitrampas para monitoramento do mosquito.
Como resultado desse conjunto de ações, o estado encerrou 2025 com uma queda expressiva nos casos de arboviroses. Foram confirmados 118.858 casos de dengue, o que representa uma redução de 92% em relação a 2024. Também foram registrados 17.803 casos de chikungunya e apenas 26 de zika, números considerados baixos diante do cenário nacional.
Com a introdução da vacina 100% nacional contra a dengue, Minas Gerais reforça seu protagonismo na saúde pública e avança na proteção da população, apostando em ciência, planejamento e integração para enfrentar um dos maiores desafios sanitários dos últimos anos.


