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Mesmo com seca prolongada, comunidades rurais de Montes Claros mantêm acesso à água - Rede Gazeta de Comunicação

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Mesmo com seca prolongada, comunidades rurais de Montes Claros mantêm acesso à água

Programa Pró-Água apoia associações comunitárias no funcionamento de poços e redes de distribuição e atende famílias que dependem dos sistemas locais de abastecimento

Mesmo diante de um período de seca prolongada, comunidades rurais de Montes Claros contam com sistemas de abastecimento mantidos por meio de uma parceria entre o poder público e as associações de moradores. O programa Pró-Água, desenvolvido pela Prefeitura, atua na captação, distribuição e manutenção das estruturas utilizadas para levar água às famílias que vivem na zona rural.

Gerenciado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, o programa utiliza recursos do Tesouro Municipal para apoiar as associações comunitárias responsáveis pela operação dos sistemas locais. Os repasses são realizados por meio de termos de fomento e podem ser utilizados para despesas necessárias ao funcionamento das redes, como o pagamento da energia elétrica consumida pelas bombas dos poços artesianos e a manutenção dos equipamentos e tubulações.

A iniciativa também prevê a entrega de materiais para melhorar ou ampliar os sistemas de captação e distribuição. Entre os itens disponibilizados estão tubos de PVC e caixas d’água, utilizados conforme as necessidades de cada comunidade.

O atendimento é direcionado a associações previamente cadastradas que possuem sistemas destinados a famílias, especialmente aquelas de baixa renda, que não contam com acesso regular a outras fontes de abastecimento.

Parceria com as comunidades

A proposta do Pró-Água é baseada na participação das próprias comunidades rurais na gestão dos sistemas. As associações ficam envolvidas no acompanhamento do abastecimento e na identificação de problemas, enquanto o programa oferece apoio financeiro, materiais e orientação.

Para Marcone Nobre de Andrade, gerente do Pró-Água, a parceria entre o município e as associações comunitárias é fundamental para garantir o funcionamento dos sistemas e reduzir desperdícios.

Segundo ele, as associações precisam estar devidamente regulamentadas e em dia com suas obrigações estatutárias para participar do programa, seguindo os critérios estabelecidos no chamamento público.

Marcone também destaca que a equipe responsável pelo programa mantém contato com as associações e oferece orientações para a operação dos sistemas.

Além de facilitar o acesso à água, a manutenção da infraestrutura de abastecimento tem reflexos sobre a permanência das famílias no campo. A disponibilidade de água para consumo e para as atividades cotidianas é um dos fatores que interferem diretamente na qualidade de vida das comunidades rurais.

A dificuldade de acesso à água pode levar moradores a deixar suas propriedades em busca de melhores condições de vida em áreas urbanas. Por isso, programas voltados à manutenção do abastecimento também são relacionados à permanência das famílias em suas comunidades de origem.

Comunidade de Tabuas

Na comunidade de Tabuas, o Pró-Água atende uma realidade que, segundo moradores, mudou após a implantação do programa. A Associação Comunitária de Tabuas reúne famílias que dependem do sistema local para o abastecimento.

A vice-presidente da entidade e gestora de projetos sociais, Luiza Maria de Jesus Nunes, considera que a chegada do programa representou uma mudança importante para os moradores.

Segundo ela, o sistema atualmente atende 72 famílias residentes na comunidade. Luiza afirma que o acesso mais regular à água contribuiu para melhorar as condições de vida e também reforçou a disposição dos moradores de permanecer em suas propriedades rurais.

Antes da estrutura atualmente utilizada, os moradores enfrentavam dificuldades para conseguir água e precisavam recorrer a alternativas que dependiam de equipamentos com manutenção frequente.

‘A água chega nas nossas torneiras’

O morador João Alves Souto lembra que, antes do Pró-Água, a comunidade enfrentava problemas para garantir o abastecimento cotidiano.

Segundo ele, uma das alternativas era buscar água na região do rio utilizando um motor movido a óleo. O equipamento, entretanto, apresentava problemas com frequência, dificultando o acesso regular ao recurso.

“Antes do Pró-Água, passávamos por muito sofrimento. Precisávamos buscar água através de um motor a óleo na beira do rio, que vivia dando problema. Agora não, a água chega nas nossas torneiras o tempo todo”, relatou.

A mudança representa, para os moradores, mais do que a disponibilidade de água. O funcionamento regular do sistema reduz a necessidade de deslocamentos para buscar o recurso e facilita tarefas básicas do cotidiano das famílias.

O abastecimento também é importante para atividades domésticas, higiene, preparo de alimentos e demais necessidades das propriedades.

Manutenção depende de acompanhamento

A operação de um sistema comunitário de abastecimento exige acompanhamento permanente. Bombas de poços artesianos dependem de energia elétrica e equipamentos como tubulações e reservatórios precisam de manutenção quando apresentam problemas.

É nesse ponto que entram os recursos destinados às associações por meio do Pró-Água. O apoio permite que as entidades tenham condições de arcar com despesas necessárias para manter os sistemas em funcionamento.

João Carlos Pereira Dias, operador do poço na comunidade, destaca que o trabalho depende da participação dos próprios moradores e do apoio recebido do município.

Segundo ele, a atividade é positiva porque existe colaboração entre a população e a Prefeitura, que oferece auxílio quando necessário.

O modelo também permite que os problemas sejam identificados mais rapidamente por quem acompanha o funcionamento do sistema no dia a dia.

Água como fator de permanência no campo

Em períodos de estiagem prolongada, a disponibilidade de água ganha ainda mais importância para as comunidades rurais. A redução das chuvas pode comprometer fontes naturais e aumentar a dependência de poços e sistemas de distribuição.

Nesse cenário, a manutenção das estruturas existentes se torna uma das estratégias para evitar interrupções no abastecimento das famílias.

O Pró-Água atua justamente nesse ponto, apoiando sistemas comunitários que já atendem moradores da zona rural e fornecendo materiais para intervenções necessárias.

Para as associações, a participação no programa também representa uma forma de dividir responsabilidades. A comunidade acompanha o sistema e participa da gestão, enquanto o poder público oferece suporte para despesas e melhorias previstas no programa.

Na comunidade de Tabuas, moradores como João Alves Souto passaram a ter uma rotina diferente daquela vivenciada antes da implantação do sistema atual. O que antes exigia deslocamento até o rio e dependia de um motor sujeito a falhas passou a ser realizado por meio da rede de distribuição.

A experiência da comunidade mostra como o acesso regular à água pode interferir diretamente na rotina das famílias rurais e na capacidade de permanência dos moradores em suas propriedades.

Em um município com extensa área rural e numerosas comunidades espalhadas pelo território, a manutenção desses sistemas representa um desafio permanente, principalmente em períodos de estiagem. O Pró-Água busca atuar nesse cenário por meio do apoio às associações responsáveis pelo abastecimento local, mantendo a infraestrutura necessária para que a água continue chegando às famílias.