Técnico argentino fica em Belo Horizonte para comandar treino com reservas enquanto delegação principal já embarca para Cusco; clássico contra o Cruzeiro no sábado pesa na decisão
A preparação do Atlético para o duelo de quarta-feira (29/4) contra o Cienciano, no Peru, pela Copa Sul-Americana, ganhou um contorno incomum nos bastidores. Nesta segunda-feira (27/4), o clube divulgou a lista de relacionados para a viagem, mas a grande surpresa veio à parte: o técnico Eduardo Domínguez não acompanhará a delegação principal. O argentino, ao lado do auxiliar Leandro Diaz e do preparador físico Adrián Vaccarini, permanecerá em Belo Horizonte para comandar o treino desta terça-feira (28/4) com os atletas que ficarão de fora do compromisso internacional.
A decisão, inusitada no futebol brasileiro, escancara a preocupação do Atlético com o desgaste físico e a logística. Enquanto a maior parte do grupo embarca com antecedência para se adaptar à altitude de 3.399 metros de Cusco, Domínguez e o vice de futebol Paulo Bracks voam separadamente na noite desta terça-feira, chegando às vésperas da partida. O jogo está marcado para as 21h30 (horário de Brasília) no Estádio Inca Garcilaso de la Vega, palco de um desafio extra para os atleticanos.
Nos bastidores, a explicação é clara: otimizar os dias de preparação no Brasil. Enquanto a delegação principal já estará no Peru se aclimatando, Domínguez quer aproveitar o máximo de tempo possível na Cidade do Galo para ajustar a equipe que encara o clássico contra o Cruzeiro no sábado (2/5), às 21h, no Mineirão, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida contra o arquirrival carrega um peso extra, especialmente após a derrota na final do Campeonato Mineiro em março, e o técnico argentino sabe que o resultado na Sul-Americana não pode comprometer o desempenho no fim de semana.
Nos dias seguintes à viagem, enquanto Domínguez estiver no Peru, os trabalhos na Cidade do Galo serão comandados pelos auxiliares que ficaram em Belo Horizonte. A medida, ainda que arriscada do ponto de vista da integração do grupo na altitude, mostra que o clube tenta equilibrar duas frentes igualmente importantes: a recuperação na Sul-Americana — onde o Atlético ocupa a terceira posição do Grupo B, com três pontos, atrás do líder Cienciano (quatro) — e a fuga da zona incômoda no Brasileirão, já que o time aparece na 15ª colocação, com 14 pontos, mesma pontuação do Santos, primeiro time dentro do Z-4.
Além da ausência momentânea de Domínguez, outro desfalque de peso já havia sido confirmado: Hulk, principal referência do ataque alvinegro, não viaja para o Peru. O camisa 7 segue em tratamento e não foi relacionado para o compromisso internacional. Com isso, o Atlético terá que encontrar soluções ofensivas em Cusco sem seu principal articulador, e ainda sob o comando à distância de um técnico que chegará em cima da hora.
A lista de relacionados divulgada na segunda-feira trouxe nomes como Everson, Fuchs, Battaglia, Zaracho e Paulinho, mas a verdadeira provação será suportar os 90 minutos a 3,4 mil metros de altitude. Resta saber se a logística escolhida por Domínguez — viajar separado para treinar os reservas no Brasil — será vista como estratégia inteligente ou como um risco desnecessário. A resposta, como sempre, virá do gramado.



