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Laudo aponta broncoaspiração como causa da morte de bebê; pais são liberados - Rede Gazeta de Comunicação

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Laudo aponta broncoaspiração como causa da morte de bebê; pais são liberados

Necropsia identificou leite na traqueia e sinais de desidratação, mas não constatou lesões corporais nem indícios de violência sexual. Suspeita inicial surgiu após avaliação médica, e Polícia Civil continuará investigando o caso.

A morte de uma bebê de quase três meses, registrada na manhã de terça-feira (13), em Mirabela, no Norte de Minas, foi atribuída à broncoaspiração após o engasgo com leite. A conclusão foi apresentada pelo delegado Luiz Carlos Dias, responsável pela investigação, após a realização do exame de necropsia no Instituto Médico-Legal (IML). Os pais da criança, que haviam sido conduzidos à Delegacia de Plantão de Montes Claros, foram liberados na noite do mesmo dia.

Segundo o delegado, o exame médico-legal identificou grande quantidade de leite na traqueia da criança, condição que provocou a morte. A bebê completaria três meses nesta quarta-feira (14).

“A criança foi encaminhada ao IML, já passou por exames necroscópicos, e o médico legista constatou que a causa da morte dessa criança foi broncoaspiração. A criança estava com bastante leite na traqueia, o que motivou o óbito”, afirmou Luiz Carlos Dias em entrevista à imprensa na noite de terça-feira.

Suspeita inicial de violência foi descartada

O caso mobilizou as forças de segurança depois que, durante o atendimento médico, foram identificadas alterações no corpo da bebê que inicialmente levantaram suspeitas de violência. Em nota divulgada na tarde de terça-feira, a Polícia Civil informou que a avaliação hospitalar havia apontado possíveis lesões em diferentes partes do corpo, incluindo antebraços, mandíbula, tórax, abdômen e regiões glútea, coccígea e íntima.

A suspeita levou ao acionamento da Polícia Militar e à condução dos pais para esclarecimentos. Entretanto, conforme o delegado, o exame realizado pelo médico-legista não confirmou a presença de lesões provocadas por agressão nem encontrou vestígios de violência sexual.

De acordo com Luiz Carlos Dias, as marcas inicialmente interpretadas como hematomas foram atribuídas pelo legista ao rigor cadavérico, fenômeno natural que ocorre após a morte e pode provocar alterações na aparência e na coloração do corpo.

“Não eram hematomas. Segundo o médico legista, tratava-se, na verdade, de rigor cadavérico. Isso acabou sendo confundido com hematomas, o que motivou o acionamento da Polícia Militar para comparecer ao hospital, já que havia a suspeita de lesão corporal. Posteriormente, essa hipótese foi descartada pelo médico legista”, explicou.

O delegado fez questão de esclarecer publicamente o resultado do exame e pediu cautela à população diante das informações que circularam sobre o caso. Segundo ele, a perícia não identificou sinais de violência contra a criança nem indícios de crime sexual.

Bebê apresentava desidratação

Durante a investigação, a mãe relatou que a filha apresentou um quadro de diarreia durante a madrugada que antecedeu a morte. O exame necroscópico também apontou que a criança estava desidratada.

As informações integram o conjunto de elementos apurados pelas autoridades para esclarecer as circunstâncias da morte. A causa apontada pelo laudo foi a broncoaspiração de leite, conforme declarado pelo delegado.

Embora os pais tenham sido liberados após a conclusão dos exames iniciais e o afastamento da suspeita de violência indicada na avaliação hospitalar, o caso não foi encerrado. A Polícia Civil informou que as investigações terão continuidade na delegacia responsável por Mirabela.

Defesa critica divulgação precipitada de acusações

Em manifestação encaminhada à imprensa, a defesa do pai informou que ele já se encontrava em liberdade após a realização da necropsia. Os advogados destacaram que o exame apontou a broncoaspiração de leite materno como causa da morte e, segundo a nota, não identificou sinais ou vestígios de crime sexual.

A defesa também criticou a divulgação antecipada de suspeitas antes do esclarecimento dos fatos pelas autoridades competentes. No posicionamento, ressaltou que informações não confirmadas podem atingir a reputação e a dignidade de pessoas investigadas, com consequências graves e, por vezes, irreparáveis.

O caso evidencia a importância de distinguir suspeitas iniciais de conclusões periciais. Neste episódio, a avaliação médica que levantou a possibilidade de lesões motivou a apuração policial, mas o exame necroscópico, conforme as informações divulgadas pelo delegado, não confirmou sinais de agressão.

Os pais foram liberados, e a investigação prossegue em Mirabela para reunir e analisar os elementos necessários ao esclarecimento completo da ocorrência.