A cidade de Januária, localizada às margens do rio São Francisco, no Norte de Minas Gerais, tornou-se referência nacional ao abrigar o primeiro museu memorial do Brasil dedicado exclusivamente ao pão de queijo, símbolo maior da culinária mineira. O Museu Memorial do Pão de Queijo Geraldo Farias e Dália Farias preserva não apenas os sabores da tradição, mas também os saberes, memórias e afetos em torno dessa iguaria que se tornou marca da identidade cultural de Minas Gerais e do país.
Uma homenagem às tradições familiares
O museu foi inaugurado em 2013, resultado de um projeto apresentado ao Conselho Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico de Januária, com apoio da prefeitura e reconhecimento posterior do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), do Sistema Estadual de Museus de Minas Gerais (SEMMG) e da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG).
O espaço surgiu como iniciativa do professor e servidor público Edilson Geraldo Viana, o saudoso Diu Farias, filho do casal homenageado, Geraldo e Dália Farias, conhecidos em toda a cidade pela produção artesanal de quitandas e, sobretudo, do pão de queijo, que conquistava clientes e vizinhos pela qualidade e pelo sabor autêntico.
A coordenação atual está sob responsabilidade de Silfarley Viana, neto do casal, mais conhecido como Sil, que atua como agente cultural e mantém vivo o legado de seus avós e de seu pai.
A casa e o acervo preservado
Inicialmente, o museu funcionava em um imóvel localizado na Praça Santa Cruz, na popular “Rua de Baixo”, onde o casal Farias residiu e produziu quitandas durante décadas. Atualmente, está instalado em outra casa antiga, situada na Rua Geraldo Alves de Farias, nº 105, também na região da Praça Santa Cruz. Construído no início do século XX, o casarão mantém preservada sua arquitetura original, oferecendo aos visitantes um mergulho no passado, tanto pela memória familiar quanto pela tradição gastronômica da cidade.
O acervo reúne utensílios históricos utilizados no preparo das quitandas, como colheres de pau, pilões, pratos de madeira, raladores e formas antigas, além de fotografias, documentos pessoais e registros de época. Parte importante da coleção é formada também por obras de arte popular pertencentes a Diu Farias, idealizador do projeto.
O pão de queijo como símbolo cultural
O museu valoriza especialmente a figura das quitandeiras, mulheres responsáveis por perpetuar a tradição do pão de queijo e de outras iguarias da culinária regional, como a peta, o fofão, a brevidade, o bolo de puba e os biscoitos de polvilho, também conhecidos como “goma” de mandioca.
De acordo com Silfarley Viana, preservar essa memória é também uma forma de manter viva a identidade cultural do povo januárense:
“O pão de queijo ultrapassa a função de alimento. Ele representa afeto, partilha, família reunida. Nosso objetivo é que o museu seja um espaço de encontro, de preservação da história e de valorização das raízes de Januária e de Minas Gerais”, destacou.
Reconhecimento e visitas gratuitas
Aberto ao público com entrada gratuita, o espaço recebe estudantes, turistas e moradores da região interessados em conhecer de perto a história de uma das maiores riquezas culturais de Minas Gerais. A instituição promove ainda ações educativas, oficinas e rodas de conversa sobre patrimônio imaterial, gastronomia e memória cultural.
Ao conquistar o título de primeiro museu do Brasil dedicado ao pão de queijo, Januária reforça seu papel como cidade histórica e culturalmente relevante no Norte de Minas, atraindo visitantes que desejam não apenas provar a iguaria, mas também compreender o contexto social e familiar que envolve sua produção artesanal.
Assim, o Museu Memorial do Pão de Queijo Geraldo Farias e Dália Farias se consolida como um espaço único no país, onde tradição, memória e identidade se encontram para valorizar o patrimônio imaterial de Minas e preservar a história de gerações que fizeram do pão de queijo muito mais do que um alimento: um verdadeiro símbolo de Minas Gerais para o Brasil e para o mundo.


