Como parte das ações do Janeiro Roxo, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da hanseníase, o Governo de Minas Gerais iniciou a oferta inédita de testes moleculares na rede pública de saúde para o diagnóstico e acompanhamento da doença. Os exames são realizados pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), vinculada à Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), e representam um avanço significativo no cuidado aos pacientes e no fortalecimento da vigilância em saúde em todo o estado.
A iniciativa amplia o apoio laboratorial ao diagnóstico clínico da hanseníase, especialmente no acompanhamento de contatos de casos confirmados, na confirmação diagnóstica em situações complexas e na definição mais precisa da conduta terapêutica. Com isso, Minas Gerais dá um passo importante na modernização da resposta à doença, reduzindo o tempo de espera pelos resultados e qualificando a tomada de decisões pelas equipes de saúde.
Diagnóstico precoce como estratégia central
Para o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, o diagnóstico precoce é um dos pilares fundamentais para interromper a transmissão da hanseníase e evitar o surgimento de sequelas físicas e neurológicas.
“A hanseníase é uma doença histórica, muitas vezes esquecida, mas que continua presente. Em Minas, são mais de mil casos notificados todos os anos, e há pessoas que convivem com a doença sem saber. Por isso, prevenção e diagnóstico precoce fazem toda a diferença”, destacou o secretário.
Segundo Baccheretti, o fortalecimento da rede de cuidados começa na Atenção Primária à Saúde, principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Qualquer pessoa que perceba manchas na pele, alteração de sensibilidade ou tenha alguma dúvida deve procurar a unidade de saúde, que é o lugar de acolhimento, orientação e encaminhamento, quando necessário. O tratamento é gratuito e, iniciado precocemente, interrompe a transmissão”, reforçou.
Avanço inédito no diagnóstico laboratorial
Com capacidade para realizar cerca de 500 exames ao longo de 2026, a Funed recebeu kits do Ministério da Saúde para a execução inicial de mais de 280 testes moleculares. A oferta é inédita na rede pública estadual e representa um reforço importante ao diagnóstico clínico da hanseníase, sobretudo em situações que exigem maior precisão na avaliação da doença.
Os testes moleculares foram aprovados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e implantados pelo Ministério da Saúde. Em Minas Gerais, a realização ocorre no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-MG), reduzindo significativamente o tempo de resposta. Antes, essas análises estavam concentradas em apenas três laboratórios de referência no país, o que dificultava o acesso e atrasava os resultados.
De acordo com a chefe do Serviço de Doenças Bacterianas e Fúngicas da Funed, Carmem Dolores Faria, a incorporação dos novos exames fortalece a atuação do estado no enfrentamento da hanseníase.
“A hanseníase é uma doença complexa, com desafios no diagnóstico. Com esses novos exames, a Funed se consolida como referência estadual no apoio ao diagnóstico e no controle da doença”, explicou.
Vigilância permanente e fortalecimento da Atenção Primária
Minas Gerais apresenta índices de detecção da hanseníase historicamente abaixo da média nacional, com 1.294 casos registrados em 2024 e 1.080 em 2025. Mesmo com números inferiores à média do país, a SES-MG mantém a vigilância permanente como prioridade, reconhecendo a importância da detecção precoce para evitar a cadeia de transmissão e as incapacidades físicas associadas à doença.
Para alcançar resultados efetivos em um estado com grande diversidade territorial, a Secretaria investe no fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, na capacitação contínua das equipes municipais e na ampliação das ações de busca ativa de casos.
“O Plano Estadual de Enfrentamento da Hanseníase orienta as ações em todo o estado, com foco na detecção precoce, na busca ativa de casos, no acompanhamento dos contatos e no monitoramento contínuo dos indicadores, respeitando a realidade de cada região”, ressaltou Fábio Baccheretti.
Diagnóstico, tratamento e informação
O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico e dermatoneurológico, realizado nas unidades de saúde. O tratamento é gratuito, oferecido pelo SUS, e consiste na poliquimioterapia, com duração de seis a 12 meses, de acordo com a forma clínica da doença. Após a primeira dose do medicamento, o paciente já não transmite a hanseníase.
O médico dermatologista e hansenologista Yargos Rodrigues Menezes explica que a doença afeta principalmente a pele e os nervos periféricos.
“Os sinais incluem manchas com alteração de sensibilidade, caroços, feridas que não cicatrizam e queimaduras que o paciente não sente. O tratamento começa no mesmo dia do diagnóstico e garante a cura”, afirmou.
Além dos desafios clínicos, a hanseníase ainda é cercada por estigma e preconceito, fatores que contribuem para diagnósticos tardios e agravamento dos casos. Para o especialista, ampliar o acesso à informação é essencial para mudar esse cenário.
“Informação de qualidade ajuda a desconstruir o preconceito e evita sequelas irreversíveis”, destacou.
Com a ampliação dos testes moleculares e o fortalecimento das ações do Janeiro Roxo, o Governo de Minas reforça seu compromisso com a saúde pública, investindo em tecnologia, qualificação da rede assistencial e informação para garantir diagnóstico precoce, tratamento adequado e mais qualidade de vida para a população.


