A inflação em Montes Claros registrou leve desaceleração no mês de agosto, acompanhando a tendência de estabilidade observada em outras regiões do país. O Índice de Preços ao Consumidor do Município (IPC Moc), calculado pelo Setor de Índice de Preços ao Consumidor do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), caiu de 0,30% em julho para 0,21% em agosto.
Com o resultado, o acumulado em 2025 chega a 4,14%, enquanto o índice dos últimos 12 meses permanece em 6,85%. A pesquisa, realizada mensalmente desde 1982, mede a variação de preços em 400 estabelecimentos da cidade, com base nas despesas de consumo de famílias de renda entre um e seis salários mínimos.
Alerta para efeitos do tarifaço norte-americano
Apesar do recuo, a coordenadora geral do IPC Moc, professora Vânia Vilas Boas Vieira Lopes, alerta que o cenário pode mudar a partir de setembro com os efeitos do chamado tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Desde 6 de agosto, entrou em vigor uma taxa extra de 50% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.
“O impacto ainda não foi refletido no índice de agosto, mas há projeção de que nos próximos dois meses tenhamos um aumento progressivo, especialmente em setores dependentes de importação, como alimentação e eletrônicos”, explicou a docente.
Segundo ela, embora a queda seja positiva, os preços continuam altos em relação ao patamar anterior. “É preciso cautela. Só poderemos falar em tendência de estabilidade ou redução consistente se observarmos variações negativas mais amplas e persistentes”, acrescentou.
Alimentação pesa mais no bolso
O grupo Alimentação, que possui maior peso (29,47%) na composição do orçamento doméstico, registrou alta de 0,40% em agosto, contribuindo com 0,12 ponto percentual para o resultado do índice.
Entre os alimentos que ficaram mais caros estão chuchu (48,57%), abóbora (48,51%), banana caturra (25,45%), limão (23,96%) e maracujá (23,53%). Produtos industrializados como água mineral (5%), pudim em pó (4,85%) e margarina (1,98%) também puxaram a alta.
Por outro lado, itens básicos como cebola (-16,49%), alho (-16,28%), tomate (-14,30%), batata inglesa (-6,67%), arroz (-2,65%) e feijão (-1,43%) registraram quedas expressivas.
De acordo com Vânia Vilas Boas, a safra agrícola favoreceu a redução de preços de vários alimentos essenciais da cesta básica, como arroz, açúcar e óleo de soja. “A alimentação dentro do domicílio vem apresentando quedas sucessivas desde maio, o que tem colaborado para segurar a inflação local”, observou.
Vestuário e habitação em queda
O grupo Vestuário, com peso de 5,98%, registrou variação negativa de -0,69%, reduzindo 0,04 ponto percentual no índice geral. Peças de uso sazonal, como maiôs e biquínis (-15,46%) e conjuntos infantis (-4,49%), lideraram as quedas.
Já o grupo Habitação, responsável por 21,25% do orçamento, subiu 0,19%, com impacto de 0,04 ponto percentual. O resultado foi puxado por reajustes em aluguéis (0,36%) e materiais de construção, como revestimentos (6,08%) e areia (4,90%).
Outros grupos
Saúde e Cuidados Pessoais: +0,77% (impacto de 0,07 p.p.).
Transportes e Comunicação: +0,11% (impacto de 0,02 p.p.).
Educação e Despesas Pessoais: +0,01% (sem impacto).
Artigos de Residência e Serviços Domésticos: +0,04% (sem impacto).
Cesta básica exige 37% do salário
Os preços da cesta básica em Montes Claros, chamada de Ração Essencial Mínima, apresentaram leve alta de 0,04% em agosto, após queda expressiva de -5,21% em julho. O conjunto de 13 produtos alimentícios custou R$ 564,80, contra R$ 564,60 no mês anterior.
Considerando o salário mínimo de R$ 1.518, o trabalhador precisou destinar 37,20% de sua renda para a compra dos itens básicos de alimentação. Restaram R$ 953,20 para despesas com moradia, transporte, saúde, educação e lazer.
Perspectivas
Para os próximos meses, o IPC Moc deve enfrentar pressões externas ligadas ao tarifaço norte-americano e à possível elevação de custos em setores dependentes de importações. No entanto, a evolução das safras agrícolas e a demanda interna ainda serão fatores decisivos para determinar o fôlego da inflação local.
“Temos um alívio temporário, mas precisamos monitorar os desdobramentos internacionais e seus reflexos no custo de vida das famílias montes-clarenses”, concluiu a coordenadora Vânia Vilas Boas.


