Humberto Guimarães Souto, meu primeiro patrão - Rede Gazeta de Comunicação

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Humberto Guimarães Souto, meu primeiro patrão

(parte da minha reminiscência)

JOSÉ PONCIANO NETO

Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros -IHGMC e Acadêmico (Diretor Financeiro) da Academia Maçônica de Letras do Norte de Minas, além de Colunista Literário

Morreu nessa terça-feira 04 de fevereiro 2025 em Brasília-DF, o ex-vereador – deputado estadual – deputado federal e prefeito Humberto Guimarães Souto. Sem dúvida, foi uma originalidade política que lhe tornou uma pessoa emblemática na política brasileira.

Era fazendeiro e empresário na área da comunicação [Rádio Educadora], Contador e advogado; era a pessoa que tinha a concessão da antiga Rodoviária de Montes Claros que se situava na Praça da Estação com a Rua Melo Viana – hoje o CRAS Central.

No alto dos meus 14 e 15 anos fui trabalhar na rodoviária [antiga] onde me juntei a outros servidores da estação rodoviária.

Para nós funcionários [Wilson; Paulinho; Toni; Neto; Olímpio; Geraldo; Cleinilton Santos e dentre outros este escriba; naquele ambiente de embarque e desembarque era como se fosse uma casa de família. Nosso saudoso gerente era o Sr. Clemente Santos – homem de confiança do Dr. Humberto – pessoa, de uma paciência invejável e bastante empático – inclusive, pai do Cleinilton Santos.

O Dr. Humberto Souto passava por lá [rodoviária] de vez enquanto. Entrava em todos os setores, guarda-volumes – clichês – embarque e desembarque – espionava os banheiros se estavam limpos; depois de uma rápida vistoria, entrava no escritório da administração e financeiro; sentava com Sr. Clemente Santos, olhava os mapas [registros] de viagens das empresas – assinava nossos holerites para pagamentos – digam de passagem, nunca atrasaram – despedia rapidamente com um breve aceno de mão – entrava no seu “Vemaguet”, e pronto!

Ele tocou muitas vidas. Ele contratou muitos que precisavam de empregos tanto na rodoviária, quanto na sua fazenda à beira do Rio Verde Grande (localizada na comunidade de Mamonas), onde seu administrador e vaqueiro, [Sr. Domingos] trabalhou muitos anos até seu falecimento em 2023.

Ele deu aos seus funcionários exemplos de valor à vida profissional; não admitia “corpo mole” – diante dessa posição austera (herdada da Dª. Quita Guimarães) – ele [Humberto] cobrava do Sr. Clemente Santos, diversas explicações sobre os funcionários.

Trabalhávamos duro; era diferente os horários (escalas) – começavam as 05:00hs – quando chegava o primeiro ônibus de BH, até as 22:00hs quando saia o último ônibus da DANIF p/ BH. Eram várias empresas de ônibus: DANIF – IMPERIAL – TRANSBARREIRAS – TOLENTINO – SANTA RITA – SANTANA e outra que não me recordo mais – depois veio a Transnorte de Sr. Henrique e Zé Caixeta compraram as empresas e monopolizou as linhas.

Logo às primeiras horas do dia (antes do sol); uma das músicas que mais ouvíamos na rodoviária – sem entender nada de inglês – “there’s no more corn on the brasos; da banda The Walkers, lançada em fevereiro de 1970; acho que era a melodia que nos trazia um alívio por achar que era romântica. Tinha a “País Tropical” (Jorge Ben); outra era “Sentado à Beira do Caminho” (Erasmo Carlos). – Mas, quando o Sr. Humberto Souto chegava, desligar o rádio, era uma obrigação emergencial! Dr. Humberto Souto dizia que lugar de música era na lanchonete “Love Story” no interior da rodoviária.

Dr. Humberto Souto e o Sr. Clemente Santos tinham como premissa, motivar as pessoas a fazer o melhor trabalho que pudessem, de forma a administração da rodoviária não sofrer punição pelo o DER.

Eu tive a oportunidade de aprender muito com o então ex-vereador Dr. Humberto Souto; este aprendizado nos fez “comprometidos” e “honestos” com o trabalho; dois adjetivos que eram as “senhas” do Sr. Clemente a pedido do Dr. Humberto; de vez enquanto – “aquele menino” de 14 – 15 anos levava serviços para casa; eram páginas de blocos de notas manuscritas (perfeitamente limpas) – uma cópia para o DER, outra para as empresas de ônibus e uma para a administração.

Dr. Humberto Souto com aquele “ponderoso” jeito, sendo ex-vereador – cogitado e já em campanha para deputado estadual – “dono da Rodoviária” – pouco conversava com a gente. Eu por exemplo, tinha até medo de levar um “sermão”! – Nunca foi preciso!

Dr. Humberto Souto deixou um legado impressionante – está sendo considerado (por muitos) o melhor prefeito de Montes Claros; o seu trabalho árduo era para garantir que as pessoas pudessem enxergar a sua administração com outros olhos – olhos de cidadão e não com olhos de político.

Nos últimos dias vivia a expectativa de um novo capítulo político com a vitória do seu vice Guilherme Guimarães. No entanto, sua saúde debilitada nos dias que antecederam a posse do Guilherme Guimarães, culminaram em dúvidas e especulações sobre seu estado de saúde em toda cidade de Montes Claros e outras de Minas Gerais.

Não obstante cercado por sua equipe médica e orações; otimismo da população de MOC, o resultado acabou sendo controverso, porém, a vontade de Deus. Após 44 dias internado; sendo, 19 dias na Santa Casa de Montes Claros, 25 dias no Sírio-libanês em Brasília (DF). Aos 90 anos, Dr. Humberto Guimarães Souto se despede do no plano terrestre, deixando Montes Claros em Luto.

O prefeito, o Engº Guilherme Guimarães perdeu um grande “guru” da política – aliás, Montes Claros também perdeu. Contudo, sua parceria com o exímio advogado – maçom e vice-prefeito, Dr. Otávio Batista Rocha Machado – Montes Claros entra para uma nova página na história política.

Dr. Humberto Souto – meu primeiro patrão – tenho muita gratidão pelos ensinamentos – às vezes de forma indireta – mas, bastantes incisivos.