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HIRARQUIA E PACIÊNCIA  | Alexsander cobra espaço e revela diálogo com Domínguez - Rede Gazeta de Comunicação

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HIRARQUIA E PACIÊNCIA  | Alexsander cobra espaço e revela diálogo com Domínguez

Volante mais caro do elenco custou R$ 35 milhões; recuperado de lesão grave, atleta soma apenas duas titularidades em 2026 e vive sombra de Alan Franco e Maycon

O investimento foi vultoso. A expectativa, gigantesca. Mas, quase dez meses após sua chegada a Belo Horizonte, o volante Alexsander ainda não conseguiu se firmar como protagonista no Atlético-MG. Contratado em agosto do ano passado junto ao Al-Ahli, da Arábia Saudita, por 5,5 milhões de euros (o equivalente a R$ 35,2 milhões na cotação da época), o cria da base do Fluminense vive um início de trajetória no Galo marcado por interrupções físicas, poucas oportunidades como titular e uma hierarquia consolidada no meio-campo alvinegro. Agora recuperado de uma grave lesão no joelho, o jogador de 23 anos resolveu quebrar o silêncio.

Em entrevista concedida na zona mista da Arena MRV, logo após o empate por 1 a 1 com o Botafogo, no último domingo (10 de maio), pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro, Alexsander foi direto ao ponto. Sem rodeios, o camisa 5 admitiu que a falta de minutos em campo o incomoda — mas garantiu que mantém a cabeça no lugar e o trabalho em dia. “Eu vim para cá para jogar. Infelizmente tive uma lesão e acabei perdendo um pouco do espaço. Isso requer tempo, estou dando meu máximo nos treinos, tenho certeza que uma hora a oportunidade vai chegar. Já conversei com o Barba [Eduardo Domínguez] também, estou só aguardando a minha oportunidade”, desabafou o volante.

A declaração expõe um desconforto silencioso que vinha sendo percebido nos bastidores da Cidade do Galo. Afinal, quando está saudável, Alexsander demonstra nos treinos e nas poucas partidas que disputou ter qualidades que justificam o alto investimento: bom passe, visão de jogo, chegada na área e intensidade defensiva. No entanto, o time comandado por Eduardo Domínguez encontrou uma estabilidade no setor que dificulta a quebra da hierarquia atual. O equatoriano Alan Franco é o titular absoluto como segundo volante (a chamada função de “camisa 8”), enquanto Maycon — que também atua como primeiro volante — surge como a primeira opção imediata para a vaga.

A prova mais recente dessa ordem de preferências aconteceu justamente contra o Botafogo. Suspenso pelo terceiro cartão amarelo, Alan Franco não enfrentou a equipe carioca. Em vez de promover Alexsander ao time titular, Domínguez optou por adiantar Maycon para a função de segundo volante e promoveu a entrada do argentino Tomás Pérez como primeiro volante. Alexsander só entrou no segundo tempo, substituindo o meia-atacante Bernard. Na ocasião, atuou como um terceiro homem de meio-campo — à frente de Maycon e Pérez —, ajudando a fechar os espaços no setor central quando o Galo vencia por 1 a 0. Ou seja: foi usado como peça tática de contenção, não como criador.

O histórico de lesões de Alexsander, no entanto, ajuda a explicar — ainda que não justifique totalmente — a cautela da comissão técnica. O volante chegou ao Atlético ainda sob o comando de Cuca, em agosto. Com a troca para Jorge Sampaoli em setembro, chegou a ganhar sequência: foram cinco titularidades em seis jogos, um período promissor que foi interrompido por uma entorse no joelho direito, que o afastou por cerca de um mês. Depois da recuperação, ele alternou entre o time titular e o banco até o fim de 2025.

O golpe mais duro veio logo no início de 2026. Na vitória por 3 a 1 sobre o Porto Alegre, pela quarta rodada do Campeonato Mineiro, Alexsander foi escalado como titular, mas sofreu uma grave contusão: a ruptura do ligamento colateral medial do joelho esquerdo. Foram mais de dois meses de tratamento intensivo, fisioterapia e recondicionamento físico. O retorno aos gramados aconteceu apenas em abril, já sob o comando de Domínguez, que substituiu Sampaoli no fim do ano passado.

Nos bastidores, dirigentes do Atlético avaliam que o momento de Alexsander é delicado, mas não irreversível. O departamento de futebol entende que o alto investimento precisa ser justificado e que o jogador ainda pode ser peça importante na reta final da temporada, especialmente com a sequência de jogos decisivos que se avizinha: além do Brasileirão, o Galo segue vivo na Sul-Americana e na Copa do Brasil. Lesões e suspensões tendem a ocorrer, e a profundidade do elenco será testada.