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Galinha de 98 centímetros é vendida por R$ 15 mil em São Francisco - Rede Gazeta de Comunicação

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Galinha de 98 centímetros é vendida por R$ 15 mil em São Francisco

Franga da raça Índio Gigante foi arrematada por produtor de São Paulo; valor é recorde para o criatório do Norte de Minas e está ligado à genética do animal

Uma galinha de 98 centímetros de altura foi vendida por R$ 15 mil em um leilão realizado pelo Criatório REFAIM, em São Francisco, no Norte de Minas. A franga da raça Índio Gigante foi arrematada por um produtor de São Paulo, que preferiu não ter o nome divulgado.

O valor chamou a atenção até mesmo dos criadores responsáveis pela negociação. Segundo Ualisson Ferreira da Silva, proprietário do criatório, a venda estabeleceu um recorde para o empreendimento e também para o leilão promovido pela LG Leilões.

“Foi o recorde tanto para o leilão quanto para o criatório. Uma galinha por R$ 15 mil foi algo inédito”, afirma.

O preço, no entanto, não está relacionado apenas ao tamanho da ave. No mercado especializado de Índio Gigante, características físicas e, principalmente, a genealogia são fatores considerados na formação do valor de animais destinados à reprodução e ao melhoramento genético.

Genética por trás dos R$ 15 mil

A franga comercializada pelo criatório de São Francisco pertence a uma linhagem considerada valorizada entre os criadores da raça. De acordo com Ualisson, o animal é filha de um reprodutor conhecido como “Padrão FIFA”, com 1,11 metro de altura, e possui, pelo lado materno, descendência de uma matriz da linhagem “Evolution”, proveniente de um criatório de São Paulo.

Os nomes utilizados para identificar essas linhagens são denominações dadas pelos próprios proprietários dos animais.

Ualisson trabalha com a criação do Índio Gigante há aproximadamente três anos. Nesse período, o foco tem sido a seleção genética e a formação do plantel. Atualmente, o criatório possui exemplares que chegam a cerca de 1,17 metro de altura.

“Nesse período, venho buscando incorporar genéticas de diferentes criatórios e estudar os acasalamentos para reunir características desejáveis nas novas gerações”, explica.

Na criação especializada, animais com características consideradas interessantes podem ser utilizados como matrizes e reprodutores. O objetivo é transmitir determinadas características para as gerações seguintes e, dessa maneira, melhorar o plantel.

Por que uma galinha pode custar tanto?

Apesar do nome e do porte impressionante, o Índio Gigante não é criado com finalidade convencional de produção de carne. Trata-se de uma criação voltada principalmente à reprodução, seleção genética e características ornamentais.

As aves se destacam pelas pernas longas, pescoço sem penas e grande porte. Alguns exemplares ultrapassam um metro de altura e podem chegar a aproximadamente cinco quilos. Para efeito de comparação, uma galinha doméstica comum costuma medir cerca de 50 centímetros.

Nesse mercado, o valor de uma ave pode estar associado à combinação de fatores como altura, estrutura corporal, desenvolvimento, padrão racial e, sobretudo, origem genética.

Uma matriz considerada diferenciada pode ser utilizada para produzir ovos férteis, pintinhos e novas aves destinadas à reprodução. Por isso, o comprador não está necessariamente pagando apenas pelo animal adquirido, mas pelo potencial genético que ele poderá transmitir ao plantel.

“O que torna a criação especialmente interessante é justamente acompanhar esse processo ao longo das gerações. Escolhemos pai e mãe considerando suas características e genealogia, realizamos o acasalamento e depois acompanhamos o desenvolvimento dos descendentes para verificar quais qualidades foram transmitidas”, explica Ualisson.

Para o criador, a venda da franga por R$ 15 mil representa o resultado de um trabalho que envolve seleção, planejamento dos cruzamentos e acompanhamento das características transmitidas aos descendentes.

“Para nós, mais importante do que o próprio valor da venda é ver uma ave produzida dentro do nosso projeto sendo escolhida por outro criador para contribuir com o melhoramento genético do plantel dele”, afirma.

Mercado especializado

A criação do Índio Gigante ganhou espaço entre produtores e criadores de diferentes regiões do país. As negociações ocorrem por meio de criatórios especializados, redes sociais, grupos de criadores e leilões.

Os valores variam de acordo com as características dos animais e das linhagens. Segundo Ualisson, o Criatório REFAIM já comercializou frangos por R$ 4 mil e R$ 5 mil, enquanto pintinhos de determinadas linhagens podem alcançar aproximadamente R$ 500.

Até mesmo os ovos férteis podem ter preços elevados. Conforme o criador, uma dúzia de ovos de determinadas linhagens chega a ser comercializada por cerca de R$ 1.500.

Há ainda negociações de valores superiores no mercado especializado. Ualisson cita o caso de um frango que teria sido vendido por R$ 40 mil durante um encontro de criadores da raça.

A venda da franga de 98 centímetros por R$ 15 mil, portanto, não se explica apenas pelo tamanho que impressiona quem vê uma ave quase do dobro da altura de uma galinha comum. O principal valor está na combinação entre porte, características do animal e genealogia, dentro de um mercado em que a seleção genética determina boa parte do preço.

Em São Francisco, o negócio colocou o criatório do Norte de Minas em evidência e transformou uma ave de quase um metro em um exemplo de como a genética pode movimentar valores elevados na criação especializada de aves.