Gaeco do MPMG divulga balanço das ações de combate ao crime organizado em 2025 - Rede Gazeta de Comunicação

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Gaeco do MPMG divulga balanço das ações de combate ao crime organizado em 2025

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), divulgou nesta quarta-feira (11) o balanço das atividades realizadas ao longo de 2025. O relatório apresenta um panorama detalhado das operações conduzidas pelo órgão tanto na capital quanto nas 12 regionais distribuídas pelo estado, evidenciando o avanço das ações integradas de enfrentamento às organizações criminosas e o fortalecimento das estratégias investigativas.

De acordo com os dados apresentados, o Gaeco realizou 109 operações ao longo do ano, resultando em 1.028 prisões relacionadas a diferentes modalidades de crimes investigados, incluindo tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e atuação de organizações criminosas estruturadas. Outro destaque do levantamento foi o trabalho técnico de análise de evidências digitais: 2.768 dispositivos eletrônicos — entre celulares, computadores, notebooks e discos rígidos — passaram por procedimentos de extração e análise forense.

As investigações conduzidas pelo grupo também resultaram no bloqueio ou apreensão de mais de R$ 30 milhões em bens e valores, obtidos de forma ilícita, reforçando a estratégia de enfraquecimento financeiro das organizações criminosas. Segundo o MPMG, a recuperação e o bloqueio patrimonial são instrumentos fundamentais para desarticular estruturas criminosas que operam com grande capacidade econômica.

Atuação estratégica e produção de inteligência

Entre as atividades desenvolvidas pela sede do Gaeco em Belo Horizonte, destaca-se a participação ativa nos Grupos de Intervenção Estratégica (GIE), especialmente nas iniciativas voltadas à redução de homicídios e roubos no estado. O órgão atuou diretamente nos programas GIE-Vida e GIE-Roubos, que buscam integrar diferentes forças de segurança pública para identificar padrões criminais e desenvolver respostas rápidas e coordenadas

Ao longo de 2025, foram elaborados 647 relatórios de inteligência e realizadas 73 reuniões de articulação, sendo 21 na capital mineira e 52 em municípios do interior. Além disso, foram formalizadas 136 intervenções dentro do GIE-Vida até julho de 2025, com reflexos considerados positivos na redução de crimes violentos em diversas cidades mineiras.

O Serviço de Análise e Estatística (SAE) também desempenhou papel relevante nas investigações. O setor realizou 136 pesquisas especializadas e 268 consultas por meio do Sistema Integrado de Operações (Siiop), auxiliando diretamente no andamento de inquéritos e investigações conduzidas pelo Ministério Público.

O serviço também monitorou 48 ações penais e 55 investigados, sendo que sete desses monitoramentos permanecem ativos, com acompanhamento permanente da evolução dos processos e das atividades dos investigados.

Forense digital ganha importância crescente

Outro setor que registrou crescimento significativo na demanda foi o Laboratório de Extração Forense, responsável pela análise técnica de dispositivos eletrônicos apreendidos em operações policiais. Em 2025, o laboratório recebeu 35 solicitações formais de perícia, processando 375 itens digitais.

A ampliação do uso de tecnologia em investigações criminais tem sido um dos pilares da atuação do Gaeco, sobretudo diante da crescente utilização de meios digitais por organizações criminosas para comunicação, movimentação financeira e planejamento de crimes.

Procedimentos instaurados e apoio a investigações

O balanço divulgado pelo MPMG mostra ainda que 139 procedimentos extrajudiciais foram instaurados em 2025, número que evidencia o volume de investigações conduzidas pelo órgão. Atualmente, 225 procedimentos permanecem em andamento, demonstrando a continuidade das apurações em diversas frentes.

Durante o período, o Gaeco apresentou oito denúncias à Justiça e firmou oito acordos relacionados a investigações conduzidas pelo grupo. Além disso, a instituição recebeu 115 solicitações de apoio de promotorias e órgãos parceiros.

Entre os apoios concedidos estão:

22 atividades de forense digital

22 pesquisas especializadas

15 relatórios de conhecimento, utilizados para confirmar endereços e informações antes do cumprimento de mandados

31 apoios operacionais em diligências

sete mandados de busca e apreensão executados com suporte do Gaeco

quatro auxílios técnicos na elaboração de peças processuais

Esse suporte reforça o papel do grupo como estrutura especializada de apoio às investigações conduzidas pelo Ministério Público em todo o estado.

Capacitação e atualização constante

Além das atividades investigativas, o Gaeco também investiu na capacitação técnica de seus integrantes e na troca de experiências com especialistas da área de segurança pública.

Em março de 2025 foi realizado o Encontro Estadual do Gaeco, que reuniu integrantes do Ministério Público e profissionais de segurança para discutir temas como investigação financeira, análise de vestígios digitais, infiltração virtual e uso de softwares investigativos.

Também foram promovidas reuniões técnicas abordando assuntos como violência extrema no futebol, confisco alargado de bens e atualizações legislativas relacionadas ao combate ao crime organizado.

Em setembro ocorreu o Encontro da Unidade de Combate ao Crime e à Corrupção (UCC), com debates sobre lavagem de dinheiro, gestão de ativos apreendidos e estratégias de investigação patrimonial.

Já em novembro foi realizada uma nova reunião de trabalho com especialistas discutindo standards interamericanos de combate ao crime e o uso de inteligência artificial em investigações.

O Gaeco também participou de eventos nacionais e internacionais voltados à inovação e tecnologia aplicada à segurança pública, como a LAAD 2025, feira internacional dedicada à defesa, segurança e tecnologia, além do Forensics Meeting, encontro especializado em investigação digital.

Desafios no combate ao crime organizado

Para o promotor de Justiça Giovani Avelar Vieira, coordenador do Gaeco, um dos principais desafios enfrentados pelas autoridades no combate ao crime organizado em Minas Gerais está relacionado à extensão territorial do estado.

Com 586.528 quilômetros quadrados, Minas Gerais possui dimensões comparáveis às de países europeus, como a França. Essa extensão territorial, somada às diversas fronteiras com outros estados brasileiros, facilita a movimentação e expansão de organizações criminosas

Segundo o coordenador, a cooperação entre instituições tem sido fundamental para enfrentar esse cenário.

“As forças de segurança pública têm percebido que a integração entre elas, sobretudo com o compartilhamento de informações, troca de expertises e operações conjuntas, é absolutamente fundamental para o sucesso no enfrentamento à criminalidade”, afirmou.

Ainda de acordo com o promotor, esse esforço conjunto permite ampliar a capacidade do Estado de retomar áreas onde organizações criminosas tentam estabelecer controle ou influência.

Preocupação com uso de inteligência artificial pelo crime

Outro ponto destacado pelo coordenador do Gaeco é a crescente utilização de inteligência artificial por organizações criminosas, especialmente em golpes digitais, manipulação de informações e planejamento de ações ilícitas.

De acordo com Giovani Avelar Vieira, o uso dessas tecnologias por grupos criminosos preocupa as autoridades porque esses atores não seguem limites éticos ou legais.

Por esse motivo, o Gaeco busca manter constante atualização tecnológica, investindo em equipamentos, softwares e capacitação para acompanhar a evolução das práticas criminosas.

“O grupo precisa dispor das ferramentas mais modernas para compreender as engrenagens dessas organizações, especialmente no que diz respeito à lavagem de bens, valores e capitais”, destacou.

Investimentos em estrutura e tecnologia

O balanço também apresenta avanços estruturais importantes no funcionamento do Gaeco. Um deles foi a implantação da Central de Custódia, espaço destinado ao armazenamento seguro de provas e evidências coletadas durante investigações.

A central atende toda a Unidade de Combate ao Crime e à Corrupção (UCC) e garante condições adequadas para preservar materiais apreendidos, respeitando rigorosamente os procedimentos da cadeia de custódia, fundamentais para a validade das provas em processos judiciais.

Além da unidade central, as 12 regionais do Gaeco também contam com estruturas próprias de custódia, o que amplia a segurança no armazenamento de vestígios e documentos.

O Laboratório de Extração Forense também recebeu investimentos e teve sua estrutura ampliada com a aquisição de novos equipamentos tecnológicos, capazes de realizar análises mais complexas de dispositivos eletrônicos.

Segundo o coordenador, está em andamento um projeto de expansão do laboratório para absorver também a demanda de análises digitais do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet).

Outro reforço ocorreu na estrutura de pessoal do grupo. Dois novos servidores foram incorporados à equipe, permitindo ampliar o suporte administrativo e técnico ao trabalho desenvolvido pelos promotores e investigadores.

Monitoramento das ações penais

O Gaeco também prepara a implantação de um novo sistema tecnológico que permitirá acompanhar de forma mais eficiente as ações penais decorrentes das investigações conduzidas pelo grupo.

A ferramenta deverá facilitar o controle do andamento dos processos judiciais e ampliar a capacidade de análise estratégica das investigações já concluídas.

“Mantemos uma atuação forte, reconhecida nacionalmente e em constante evolução. O órgão reforça a padronização, a profissionalização e a integração de suas atividades, apesar da crescente complexidade das investigações”, destacou Giovani Avelar Vieira.

Exposição apresenta trajetória do Gaeco

Durante a apresentação do balanço, o coordenador também destacou a realização da exposição “Atuação integrada do Gaeco/MG no enfrentamento às organizações criminosas”, montada na sede da Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais.

A mostra apresenta ao público a trajetória do grupo desde sua criação, destacando operações marcantes, evolução das técnicas investigativas e os principais resultados obtidos ao longo dos anos no combate ao crime organizado.

A exposição também aborda as transformações institucionais e tecnológicas que marcaram a atuação do Gaeco, evidenciando a importância do trabalho integrado entre Ministério Público, polícias e demais órgãos de segurança pública.

Com o balanço divulgado, o Ministério Público reforça o compromisso de intensificar as ações de investigação, cooperação institucional e inovação tecnológica para enfrentar o avanço das organizações criminosas em Minas Gerais.