América convoca Conselho para discutir venda da SAF
Em grave crise financeira e praticamente rebaixado à Série C, clube apresentará aos conselheiros proposta de investidor e plano para reorganizar as contas
O América se prepara para discutir uma das decisões mais importantes de sua história recente. O clube convocou o Conselho Consultivo para uma reunião na próxima quarta-feira (26), às 18h30, no Estádio Independência, em Belo Horizonte. Na pauta estão a possível venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e um novo plano de reestruturação financeira.
O encontro acontece em um momento de forte pressão dentro e fora de campo. Com o rebaixamento para a Série C de 2027 cada vez mais próximo, o América busca uma alternativa para reorganizar as finanças e garantir recursos suficientes para manter as atividades do clube.
Os conselheiros deverão analisar um Memorando de Entendimentos firmado com um possível investidor interessado em adquirir a SAF. O documento será apresentado como parte das tratativas conduzidas pela diretoria para viabilizar a entrada de capital privado.
A reunião também servirá para discutir o plano de recuperação financeira que a direção pretende colocar em prática até o fim de setembro. A intenção é reduzir o impacto da crise e criar condições para que o clube consiga honrar seus compromissos.
Patrimônio entra nas negociações
A busca por um investidor levou o América a flexibilizar algumas das condições que tradicionalmente eram adotadas nas negociações envolvendo a SAF. Entre as mudanças está a possibilidade de incluir ativos imobiliários no negócio.
O Centro de Treinamento Lanna Drumond, considerado um dos principais patrimônios do clube, passou a ser incluído nas discussões. A alteração demonstra o tamanho da pressão financeira enfrentada pela instituição.
A diretoria já havia confirmado a assinatura de dois acordos de confidencialidade com potenciais interessados. A expectativa é que o aporte possa representar uma alternativa para evitar que a crise financeira se transforme em um problema operacional ainda maior.
Os números do balanço de 2025 ajudam a dimensionar o cenário. Naquele ano, o América registrou aproximadamente R$ 71 milhões em receitas, enquanto as despesas chegaram a R$ 130 milhões. O resultado foi um déficit de cerca de R$ 60 milhões.
A dívida líquida alcançou R$ 143,5 milhões, sendo aproximadamente R$ 100,5 milhões com vencimento no curto prazo.
Salários sofrem atrasos
A dificuldade para equilibrar as contas também atingiu diretamente o futebol. O clube reduziu em quase 60% a folha salarial do departamento, que caiu de aproximadamente R$ 5,5 milhões para R$ 2,3 milhões.
Mesmo com o corte, o América enfrenta atrasos recorrentes no pagamento de salários e direitos de imagem. Segundo o levantamento apresentado pelo clube, o problema se estende há cerca de um ano e quatro meses e atinge jogadores, comissão técnica e o futebol feminino.
A situação também prejudicou a busca por reforços. Jogadores procurados pelo América teriam recusado propostas em razão dos atrasos financeiros e da situação esportiva da equipe.
Queda para Série C se aproxima
O agravamento da crise financeira acompanha a deterioração do desempenho esportivo. Desde o rebaixamento da Série A, em 2023, o América não conseguiu recuperar o espaço perdido no futebol nacional.
Na Série B de 2024, o clube terminou em oitavo lugar, com 58 pontos. No ano seguinte, encerrou a competição em 14º, somando 46 pontos e evitando uma nova queda.
A temporada de 2026, porém, representa o pior momento da trajetória recente. Após 24 partidas, o Coelho conquistou apenas duas vitórias e ocupa a 19ª posição, com 11 pontos. A distância para o Avaí, primeiro clube fora da zona de rebaixamento, é de 18 pontos.
De acordo com projeção do Departamento de Matemática da UFMG, o risco de queda supera 99%.
Além do impacto esportivo, o eventual descenso provocaria forte redução nas receitas. A cota fixa de transmissão, atualmente estimada em R$ 14 milhões na Série B, cairia para uma ajuda de custo próxima de R$ 1,35 milhão na Terceira Divisão.
Diante desse cenário, a reunião do Conselho ganhou caráter estratégico. A aprovação de uma operação envolvendo a SAF e a execução do plano financeiro podem definir os próximos passos do América dentro e fora de campo.


