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Fretes agrícolas sobem em Minas e pressionam logística do campo - Rede Gazeta de Comunicação

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Fretes agrícolas sobem em Minas e pressionam logística do campo

Boletim da Conab aponta alta de até 36,2% no transporte de cargas no Estado; no Norte de Minas, custos logísticos ganham importância para café, grãos e produção irrigada

Os custos de transporte continuam sendo um dos pontos de atenção para o agronegócio mineiro, em um momento de forte movimentação das cadeias de produção e exportação. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgados no Boletim Logístico de setembro, mostram que os fretes agrícolas tiveram comportamento diferente entre as regiões produtoras em agosto, mas permaneceram, de forma geral, em patamar superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Em Minas Gerais, a pressão logística foi especialmente influenciada pelo avanço da colheita de café. O Estado, maior produtor brasileiro do grão, registrou alta de até 36,2% nos valores dos fretes em algumas das rotas monitoradas pela Conab, principalmente nos deslocamentos com origem ou destino concentrados no Sul de Minas.

Embora o levantamento tenha como foco as principais rotas nacionais de escoamento de grãos, o comportamento observado em Minas interessa diretamente ao Norte do Estado, região que possui cadeias agrícolas próprias e depende de uma rede rodoviária extensa para conectar áreas produtoras, centros de armazenamento, indústrias, mercados consumidores e terminais de exportação.

No Norte de Minas, onde a produção agropecuária tem forte participação na economia de municípios como Jaíba, Janaúba, Nova Porteirinha, Matias Cardoso, Manga e São Francisco, o custo do transporte é um componente importante da formação da renda do produtor. A distância dos grandes centros consumidores e dos principais corredores de exportação faz com que combustível, disponibilidade de caminhões, condições das rodovias e distância até os terminais tenham peso significativo na competitividade.

Soja mantém demanda aquecida

No cenário nacional, a soja continua puxando a movimentação internacional. Entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil exportou 92,7 milhões de toneladas da oleaginosa, volume 7% superior ao registrado nos oito primeiros meses de 2025.

O milho apresentou comportamento diferente. Os embarques chegaram a 14,5 milhões de toneladas, queda de 7,9% na comparação anual. Mesmo com menor volume exportado, o cereal registrou valorização tanto no mercado brasileiro quanto internacional, influenciando a dinâmica de transporte em importantes regiões produtoras.

A movimentação dos grãos também reforça a importância dos corredores do chamado Arco Norte, conjunto de portos e rotas que ganhou espaço no escoamento da produção brasileira.

Entre janeiro e agosto, 48,98% das exportações brasileiras de milho passaram pelos portos do Arco Norte. Santos respondeu por 27,08%. No caso da soja, o Arco Norte concentrou 38,85% dos embarques, enquanto Santos respondeu por 34,42%.

O terminal paulista também teve participação expressiva nas exportações de farelo de soja, concentrando 44,02% dos embarques no período.

Norte de Minas no mapa logístico

A expansão dos corredores do Arco Norte interessa ao Norte de Minas não apenas pela possibilidade de acesso a mercados, mas também pelo impacto sobre a logística regional. Quanto mais competitivos forem os corredores de transporte que conectam a produção do interior aos portos, maior tende a ser a capacidade de produtores e empresas de disputar mercados fora de suas regiões.

Para o Norte de Minas, essa discussão ganha importância diante da expansão da agricultura irrigada, da produção de grãos e da fruticultura. O custo para transportar insumos até as propriedades e retirar a produção depois da colheita interfere diretamente na margem dos produtores.

Em regiões distantes dos grandes terminais, uma alta significativa do frete pode consumir parte do ganho obtido com uma boa produtividade ou com preços favoráveis das commodities.

Fretes variam conforme a região

A pesquisa da Conab mostra que o comportamento dos fretes em agosto não foi uniforme.

Em Goiás, algumas rotas tiveram alta de até 22,9%, em razão principalmente da demanda interna por sorgo destinado ao abastecimento de Minas Gerais. O movimento aqueceu principalmente os transportes de média e curta distância.

No Mato Grosso, apesar da predominância de variações negativas, os fretes permaneceram firmes diante do período de comercialização do milho. A demanda associada à alimentação animal e à produção de combustíveis ajudou a sustentar as tarifas.

Mato Grosso do Sul apresentou dinâmica semelhante, com tendência de estabilidade ou retração. No Distrito Federal, todos os corredores monitorados registraram redução no mês, mas os valores permaneceram elevados quando comparados a agosto de 2025.

Na Bahia, quase todas as rotas apresentaram alta, chegando a 4,8%. A expectativa de aumento dos embarques de algodão pode elevar a pressão sobre o transporte rodoviário nos próximos meses.

No Piauí, as variações ficaram entre queda de 9,1% e alta de 5,6%. Já no Maranhão, depois da concentração do escoamento da soja no primeiro semestre, houve redução na movimentação de cargas agrícolas e nos fretes.

São Paulo apresentou estabilidade relativa, com variações entre queda de 6,7% e alta de 5,7%, dependendo da rota.

Menos fertilizantes importados

Outro dado relevante para o agronegócio brasileiro está na chegada de fertilizantes ao país. As importações acumuladas até agosto somaram 25,38 milhões de toneladas, volume aproximadamente 13,7% menor que o registrado no mesmo período de 2025.

A redução das importações é um indicador importante para as regiões agrícolas porque os fertilizantes estão diretamente relacionados aos custos de produção. Alterações nos preços e na disponibilidade desses insumos podem repercutir sobre decisões de plantio, produtividade e rentabilidade.

No Norte de Minas, onde a agricultura irrigada possui peso econômico e depende de insumos, energia e transporte, a logística aparece como uma variável que vai além do simples deslocamento da produção. Ela influencia o custo de praticamente toda a cadeia, desde a chegada dos insumos até a saída das mercadorias para outros mercados.

Transporte continua sendo desafio

O levantamento da Conab analisou as principais rotas de escoamento de grãos em dez estados e mostra que os fretes continuam sujeitos a mudanças rápidas conforme a oferta de cargas, a disponibilidade de caminhões, o calendário das colheitas, a demanda interna e o comportamento das exportações.

Para o Norte de Minas, o cenário reforça uma questão estrutural: produzir mais não basta; é preciso conseguir transportar a produção a custos competitivos.

A melhoria das rodovias, a ampliação dos corredores logísticos, a integração com ferrovias e terminais e a redução das distâncias até os mercados consumidores são fatores que podem determinar quanto do valor produzido no campo efetivamente permanece com o produtor.

Com a soja mantendo forte demanda externa, o milho movimentando cadeias de alimentação animal e combustíveis e Minas atravessando um período de forte circulação de café, a logística deve continuar no centro das decisões do agronegócio nos próximos meses. No Norte de Minas, onde a distância dos grandes mercados é um dos desafios históricos, cada quilômetro percorrido tem impacto direto na competitividade regional.