Visitas a museus e exposições integram projeto de pesquisa que promove educação decolonial e combate às desigualdades étnico-raciais e de gênero nas escolas públicas
Entre os dias 12 e 14 de setembro, a cidade de São Paulo foi o destino de um grupo de professores de Artes Visuais da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e de professoras de Arte da Educação Básica da rede estadual mineira, que participaram de uma intensa agenda de visitas formativas em espaços culturais e museológicos da capital paulista. A viagem integrou uma etapa do projeto de pesquisa/ação “Arte/Educação decolonial: enfrentamento e superação das desigualdades étnico-raciais e de gênero em escolas de Educação Básica”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
A iniciativa está vinculada ao curso de Artes Visuais, do Departamento de Artes da Unimontes, e tem como objetivo promover uma formação continuada crítica e sensível, com foco na valorização da diversidade étnico-racial, de gênero e cultural por meio da Arte/Educação em escolas públicas.
Arte como ferramenta de transformação
Durante os três dias em São Paulo, os docentes visitaram espaços icônicos da arte brasileira e internacional, com destaque para:
Museu Afro Brasil Emanoel Araújo – referência na preservação e valorização da cultura afro-brasileira;
Ocupação Ailton Krenak, no Itaú Cultural – homenagem ao pensador indígena que inspira reflexões sobre ancestralidade, território e resistência;
Mostra “Histórias das Ecologias” e o acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP);
36ª Bienal de Arte de São Paulo, maior evento de Artes Visuais da América Latina, que nesta edição traz o tema “Nem todo viandante anda estradas – Da Humanidade como prática”, inspirado na obra da escritora mineira Conceição Evaristo.
As experiências culturais permitiram aos educadores ampliar repertórios, refletir sobre práticas pedagógicas e pensar novas metodologias para abordar a arte como meio de combate às desigualdades e promoção da cidadania nas escolas.
Educação decolonial nas escolas públicas
Coordenado pelo professor e pesquisador Eduardo Moura, a pesquisa/ação integra o trabalho do grupo Desencobrimentos – Grupo de Estudos e Pesquisas em Arte/Educação e Pensamento Decolonial, reconhecido pelo Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq. A proposta envolve diretamente cinco escolas públicas estaduais de Montes Claros, atendendo aproximadamente 850 estudantes do Ensino Médio.
As escolas parceiras são:
Escola Estadual Elói Pereira
Escola Estadual Professora Cristina Guimarães
Escola Estadual João de Freitas Neto
Escola Estadual João Álvaro Maia
Escola Estadual Simeão Ribeiro dos Santos
Desde maio de 2024, os professores vêm desenvolvendo atividades com foco na arte africana e afro-brasileira, por meio do projeto pedagógico “Cores pela Igualdade”. A proposta promove a superação das desigualdades étnico-raciais e de gênero, aliando teoria, prática artística e vivências culturais, dentro e fora da escola.
Nova etapa: Arte indígena e questões ambientais
As visitas em São Paulo encerram a primeira etapa do projeto e marcam o início de uma nova fase, que será desenvolvida ao longo de 2026. O foco agora será a arte dos povos indígenas e sua relação com as questões ambientais contemporâneas. A proposta busca fomentar uma educação mais conectada com as urgências do nosso tempo, valorizando saberes ancestrais e práticas sustentáveis.
“A formação continuada que promovemos não é apenas para ampliar o repertório técnico dos professores, mas para estimular uma mudança profunda de perspectiva: uma educação decolonial, inclusiva e sensível às diversidades que compõem nossa sociedade”, afirma o professor Eduardo Moura.
Unimontes como polo de inovação pedagógica
A ação reforça o papel da Unimontes como espaço formador e articulador de práticas educacionais inovadoras, especialmente em áreas estratégicas como a Arte/Educação. A valorização das artes visuais enquanto instrumento de transformação social, crítica e emancipatória tem sido central para os projetos do Departamento de Artes da universidade.
Além do impacto direto nas escolas parceiras, o projeto contribui para a formação de um modelo de ensino de arte comprometido com os direitos humanos, com a pluralidade cultural e com a construção de um Brasil mais justo, equitativo e democrático.


