Primeira edição reuniu produtores de Montes Claros e região e apresentou frutas cultivadas sem agrotóxicos, além de derivados como geleias, bolos, sorvetes e tortas
O morango produzido no Norte de Minas ganhou espaço para mostrar que também pode florescer em uma região marcada pelo calor e pelo clima seco. A primeira edição do Festival de Morangos do Norte de Minas foi realizada na terça-feira (29), no espaço da Feira da Carolina, na Praça da Igreja Nossa Senhora da Rosa Mística, no bairro Jardim São Luiz, em Montes Claros.
O evento reuniu produtores de morangos das comunidades rurais de Pentáurea, Lagoinha e Santa Rita Rural, além de agricultores de outros municípios, feirantes, autoridades e consumidores. A proposta foi aproximar quem produz de quem compra e estimular a comercialização do chamado “morango dos Gerais”, cultivado na região sem o uso de agrotóxicos.
Além da fruta in natura, o público encontrou uma variedade de produtos derivados do morango, como bolos, sorvetes, picolés, geleias e tortas. Também foram comercializadas mudas, ampliando as possibilidades de geração de renda a partir da atividade.
A Prefeitura de Montes Claros participou como parceira da iniciativa. A produção de morangos já envolve dezenas de agricultores familiares da zona rural do município e de cidades próximas, abastecendo feiras livres e estabelecimentos comerciais.
Parte dessa produção também chega à rede municipal de ensino. A Prefeitura adquire morangos para utilização na merenda escolar, criando um mercado institucional para os agricultores e aproximando a produção rural do consumo dentro do próprio município.
Para o agricultor familiar Antônio Neto da Silva, de Itacambira, o festival representou uma oportunidade de apresentar diretamente ao consumidor o resultado do trabalho realizado no campo.
“Estamos aqui hoje, neste 1º Festival de Morangos do Norte de Minas, comercializando o morango e a geleia de morango que produzimos. E foi um sucesso!”, contou.
De aposta improvável a produção regional
A história da produção de morangos na região também passa por experiências que, inicialmente, pareciam pouco prováveis diante das condições climáticas do Norte de Minas.
Maykon Thiago Ramos Silva, filho do produtor João Simael Ferreira da Silva, conta que o cultivo começou na propriedade da família, na comunidade rural de Planalto Rural. A experiência teve início em 2016, quando pai e filho decidiram testar uma nova variedade.
O desafio estava justamente no clima. O Norte de Minas é conhecido pelas temperaturas elevadas e pelo período prolongado de estiagem, características que, durante muito tempo, fizeram com que o cultivo de morangos fosse considerado pouco adequado para a região.
“Comecei em 2016, junto com meu pai, ao experimentar uma nova variedade de cultivo. No início, muitos nos chamaram de loucos, mas os resultados foram positivos”, relatou Maykon.
Segundo ele, a adoção de métodos orgânicos e o desenvolvimento das técnicas de produção ajudaram a transformar a experiência inicial em uma atividade com presença cada vez maior na região.
“Agora a região é reconhecida pela produção de morangos, e Montes Claros se transformou em um polo produtor. Este festival é excelente para a região, além de ser uma oportunidade para conectar o campo com a cidade”, acrescentou.
Clima pode favorecer cultivo sem agrotóxicos
A produção regional também chama a atenção de pesquisadores. Para Mário Sérgio Dias Carvalho, pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) Norte de Minas, as condições climáticas locais podem contribuir para o desenvolvimento do cultivo com menor pressão de doenças.
“O clima quente e seco dificulta o surgimento de doenças, e qualquer problema que apareça pode ser controlado biologicamente”, explicou.
Na avaliação do pesquisador, a combinação entre as características climáticas e as técnicas adotadas pelos produtores abre espaço para a expansão da atividade.
“Dessa forma, Montes Claros está destinada a se tornar um importante centro de produção de morango”, afirmou.
Campo e cidade no mesmo espaço
Coordenador do festival e presidente da Feira da Carolina, Geraldo Élcio do Socorro destacou que a iniciativa busca criar um espaço permanente de valorização da produção regional e facilitar o acesso dos consumidores aos produtos cultivados pelos agricultores.
O festival também mostrou que o morango pode gerar renda para além da venda da fruta. Geleias, doces, sobremesas, sorvetes, picolés, bolos e tortas ampliam as possibilidades de aproveitamento da produção e agregam valor ao trabalho das famílias rurais.
A primeira edição do evento colocou, no mesmo espaço, produtores, consumidores e pesquisadores, revelando uma atividade que vem ganhando espaço no Norte de Minas. A experiência iniciada em uma propriedade rural há uma década agora começa a ganhar identidade própria: a de um morango produzido nos Gerais, adaptado às condições da região e cada vez mais presente na mesa dos consumidores.


