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Festa do Pequi homenageia Zé Coco do Riachão, o “Beethoven do Sertão” - Rede Gazeta de Comunicação

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Festa do Pequi homenageia Zé Coco do Riachão, o “Beethoven do Sertão”

33ª edição do evento, de 6 a 8 de novembro, em Montes Claros, celebra o legado do violeiro, artesão e compositor que transformou os sons e as tradições do sertão norte-mineiro em patrimônio da música brasileira

A música que nasce da vida no campo, do canto dos pássaros, do barulho dos rios e da poesia cotidiana do sertão estará em evidência na 33ª Festa Nacional do Pequi. Realizado de 6 a 8 de novembro, em Montes Claros, o evento prepara uma homenagem a Zé Coco do Riachão, reconhecido como um dos grandes mestres da viola caipira e da música instrumental brasileira e conhecido como o “Beethoven do Sertão”.

Promovida pela Prefeitura de Montes Claros, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, a festa celebra a trajetória de um artista que, mesmo sem formação musical formal, desenvolveu uma linguagem própria e conquistou reconhecimento pela originalidade de suas composições e pela habilidade na construção dos próprios instrumentos.

Nascido em 1912, em Brasília de Minas, José dos Reis Barbosa dos Santos, nome de batismo de Zé Coco do Riachão, cresceu na comunidade rural de Riachão, no Norte de Minas. Filho de um fabricante e tocador de violas, aprendeu a tocar e a confeccionar instrumentos de maneira autodidata, transformando o conhecimento herdado e a experiência cotidiana em uma obra singular.

Um talento que nasceu no sertão

Antes de conquistar projeção nacional, Zé Coco passou grande parte da vida trabalhando como marceneiro e artesão no interior mineiro. Sem dominar a leitura de partituras, desenvolveu uma musicalidade intuitiva que surpreendia pela riqueza dos arranjos, pela precisão dos sons e pela capacidade de traduzir a paisagem sertaneja em melodias.

O reconhecimento fora da região ganhou força na década de 1980, com o apoio do compositor e produtor cultural Téo Azevedo. A partir daí, o artista passou a ocupar espaço no cenário da música brasileira e lançou trabalhos importantes, entre eles Vôo das Garças e Zé Coco do Riachão/Brasil Puro.

Canções como “Minha Viola e Eu”, “Amanhecendo no Sertão” e “Não Me Deixe Só” integram o repertório associado à sua trajetória. O músico também participou de iniciativas voltadas à valorização da viola e da cultura popular, como o projeto Violeiros do Brasil.

Sua obra percorre ritmos tradicionais, como calangos, lundus, mazurcas, maxixes e modas de viola. Na viola caipira e na rabeca, Zé Coco construiu uma sonoridade que remete à natureza, ao cotidiano das comunidades rurais e às raízes culturais do Norte de Minas.

Instrumentos feitos à mão e identidade própria

A genialidade do artista não se limitava à música. As violas e rabecas que produzia eram exemplos da luteria popular sertaneja, resultado de um trabalho artesanal que combinava conhecimento prático, criatividade e domínio da madeira.

Utilizando materiais da região e ferramentas rudimentares, Zé Coco esculpia e montava os próprios instrumentos, conferindo características particulares a cada peça. As fitas coloridas presas ao mastro das violas tornaram-se uma de suas marcas visuais, reforçando a identidade de um artista que reunia, nas mesmas mãos, o talento do músico e a habilidade do artesão.

Essa combinação fez de sua trajetória uma expressão da cultura popular construída fora dos grandes centros e dos espaços tradicionais de formação musical. Seu trabalho demonstrou que a criação artística também floresce a partir da memória, da observação e dos saberes transmitidos pelas comunidades.

Legado que atravessa gerações

Zé Coco do Riachão morreu em 1998, mas sua obra permanece como referência para violeiros, pesquisadores e admiradores da música brasileira. Sua história também inspirou produções audiovisuais, entre elas o curta-metragem documental Minha Viola e Eu – Zé Coco do Riachão, lançado em 2002 e dirigido por Waldir Pina.

Ao dedicar espaço à memória do artista, a Festa Nacional do Pequi reforça a importância de valorizar personagens que ajudaram a construir a identidade cultural do Norte de Minas. Mais do que recordar um músico, a homenagem destaca a força dos saberes populares, da tradição oral e da criatividade sertaneja.

A celebração dialoga com a proposta do evento de valorizar as raízes regionais, aproximando o público de expressões culturais que fazem parte da história mineira e da música popular brasileira.

Serviço — 33ª Festa Nacional do Pequi

Data: 6 a 8 de novembro de 2026

Local: Avenida Viriato Ribeiro de Aquino, bairro Canelas, Montes Claros

Sexta-feira (6/11): das 19h à meia-noite

Sábado (7/11): das 17h à meia-noite

Domingo (8/11): das 17h à meia-noite

Realização: Prefeitura de Montes Claros, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.

Patrocínio: Cemig. Apoio: Idene. Produção: Nossa Senhora das Produções. Gestão: Instituto FEH. Viabilização: Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.