Falece José de Paiva Netto, líder da Legião da Boa Vontade e referência humanista mundial - Rede Gazeta de Comunicação

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Falece José de Paiva Netto, líder da Legião da Boa Vontade e referência humanista mundial

O Brasil amanheceu mais silencioso nesta terça-feira, 7 de outubro. Faleceu, aos 84 anos, no Rio de Janeiro, o presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), o escritor, jornalista, radialista, compositor e educador José de Paiva Netto, uma das vozes mais marcantes do humanismo e da espiritualidade ecumênica no país. A notícia foi confirmada pela Instituição, que decretou luto oficial e anunciou que as homenagens ao seu fundador e líder ocorrerão nesta quarta-feira (8), em São Paulo.

Nascido no Rio de Janeiro, Paiva Netto dedicou mais de seis décadas à difusão de ideais voltados à fraternidade e ao amor ao próximo. À frente da LBV, consolidou um dos maiores movimentos humanitários do planeta, com atuação diária em dezenas de cidades brasileiras e em outros países, beneficiando milhares de famílias em situação de vulnerabilidade social. Sua liderança fez da entidade um exemplo internacional de atuação em Educação, Assistência Social, Comunicação e Ação Humanitária, ampliando o alcance do trabalho iniciado por Alziro Zarur, fundador da LBV.

Dotado de espírito visionário, Paiva Netto foi o responsável por criar e difundir uma linha pedagógica inovadora, baseada na integração entre Educação e Espiritualidade Ecumênica. Sua proposta, sustentada pelas Pedagogias do Afeto e do Cidadão Ecumênico, defende que o verdadeiro aprendizado deve unir razão e sentimento, estimulando crianças e jovens a reconhecerem seus valores, talentos e responsabilidades como cidadãos do mundo.

Essa concepção transformadora deu à LBV projeção internacional, garantindo à instituição reconhecimento junto à Organização das Nações Unidas (ONU), com a qual mantém status consultivo há mais de 30 anos. A atuação de Paiva Netto foi determinante para que a entidade se tornasse voz ativa em debates globais sobre educação, desenvolvimento sustentável e combate à pobreza, levando o nome do Brasil aos fóruns mais importantes de cooperação humanitária.

Em 1989, Paiva Netto idealizou e inaugurou o Templo da Boa Vontade (TBV), em Brasília — monumento símbolo da paz e do ecumenismo. Aclamado pela população como uma das Sete Maravilhas da Capital Federal, o TBV se tornou ponto de encontro de peregrinos de diversas religiões e nações, atraindo milhões de visitantes anualmente. Já em 2000, o educador fundou o Fórum Mundial Espírito e Ciência, iniciativa da LBV que consolidou o diálogo entre fé e conhecimento, aproximando cientistas, pensadores e líderes religiosos em torno de um ideal comum: a construção de uma humanidade mais solidária e consciente.

Além de gestor e educador, Paiva Netto foi um comunicador nato. Sua voz ecoou por décadas no rádio e na televisão, e sua pena deixou marcas profundas na imprensa e na literatura brasileira. Autor de dezenas de obras traduzidas para mais de 25 idiomas — incluindo edições em braile —, o escritor ultrapassou a marca de 10 milhões de exemplares vendidos. Foi também um dos pioneiros na interpretação do Evangelho e do Apocalipse sob a ótica ecumênica, tornando-se referência no estudo e na divulgação de temas espirituais e filosóficos em linguagem acessível e contemporânea.

Sua produção intelectual e jornalística percorreu as páginas de veículos como Folha de S. Paulo, Jornal de Brasília, A Tarde e revista Manchete, entre outros. Por sua trajetória, recebeu inúmeras honrarias, como a Medalha do 1º Centenário da Academia Brasileira de Letras (ABL), o título de Comendador da Ordem do Rio Branco, concedido pelo Ministério das Relações Exteriores, o Grau de Comendador da Ordem do Mérito Aeronáutico e a Medalha do Pacificador, do Exército Brasileiro.

Membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e à União Brasileira de Compositores (UBC), Paiva Netto foi reconhecido como um intelectual comprometido com a ética, o serviço e a fé na humanidade. Seu legado ultrapassa os muros da instituição que dirigiu: estende-se às escolas, aos centros comunitários e, sobretudo, à memória afetiva de milhões de brasileiros que, de alguma forma, foram tocados por suas palavras e ações.

O presidente da LBV deixa a esposa, dona Lucimara Augusta, e os filhos Franklin (in memoriam), Pedro, José Eduardo, Iraci, Tatiana, Alziro e Emmanuel Adolfo, além de noras, genros, netos, bisneto, familiares e uma legião de admiradores que reconhecem em sua trajetória uma vida dedicada à solidariedade e à fé no ser humano.

As homenagens a Paiva Netto ocorrerão nesta quarta-feira, dia 8, em São Paulo/SP (local a ser confirmado). O velório será aberto ao público, permitindo que seguidores, amigos e admiradores prestem suas últimas homenagens a um homem cuja existência foi, para muitos, uma verdadeira lição de amor, sabedoria e serviço à humanidade.