“Fiu Fiu de Cotovia: A Magia do Silêncio” levou teatro, música, Libras e educação ambiental a alunos da Escola Municipal Joaquim José de Azevedo
Uma experiência teatral que vai além do palco e busca fazer da arte uma linguagem acessível a diferentes públicos foi apresentada em Montes Claros. O espetáculo infantojuvenil “Fiu Fiu de Cotovia: A Magia do Silêncio”, da Companhia Cotovia Art Educa, reuniu estudantes surdos e ouvintes em uma apresentação que combinou música, teatro, brincadeiras e educação ambiental.
A atividade foi realizada no dia 17 de setembro, na Escola Municipal Joaquim José de Azevedo, e faz parte de um projeto que percorre diferentes escolas municipais de Montes Claros. A iniciativa conta com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo por meio da Lei Aldir Blanc.
A proposta é utilizar a arte como instrumento de inclusão e ampliar o acesso de crianças e adolescentes a experiências culturais que possam ser compartilhadas independentemente das formas de comunicação utilizadas.
No espetáculo, a música não ficou limitada ao som. A apresentação incorporou elementos visuais, interpretação em Libras e recursos que permitem a percepção das vibrações. Com isso, estudantes da comunidade surda puderam acompanhar a experiência junto aos colegas ouvintes.
A acessibilidade foi pensada como parte da própria construção do espetáculo, e não apenas como um recurso complementar. A equipe da Librescer participou com a interpretação em Libras, ajudando a criar uma ponte entre as diferentes formas de percepção e comunicação.
Música que também pode ser percebida
A proposta parte da ideia de que uma apresentação musical pode ser experimentada de diferentes maneiras. Para quem não ouve, os movimentos, as imagens, a interpretação em Libras e as vibrações ajudam a construir uma experiência que não depende exclusivamente da audição.
O espetáculo também envolve a construção de instrumentos musicais utilizando materiais reciclados, aproximando a atividade artística de temas ligados à sustentabilidade e à criatividade.
A cantora Leila Brito, que interpreta a personagem Lelê, destacou a emoção de participar da atividade e acompanhar a interação entre as crianças.
“É uma felicidade enorme cantar para essas crianças e perceber que a música pode criar pontes entre pessoas que se comunicam de maneiras diferentes”, afirmou.
Para os estudantes, a apresentação também representou uma oportunidade de convivência e diversão compartilhada. O aluno Brian Martins contou que ficou feliz com as músicas e brincadeiras e destacou o desejo de que experiências semelhantes sejam realizadas novamente.
“Eu fiquei muito feliz com as músicas, as brincadeiras e toda a alegria do evento. Foi um momento especial, em que todo mundo pôde se divertir junto”, relatou.
Arte e educação ambiental
Além da inclusão, o espetáculo utiliza a linguagem teatral para tratar de questões relacionadas à preservação do meio ambiente. As canções autorais apresentadas durante a atividade ajudam a levar o tema para o universo infantil de maneira lúdica.
A proposta combina, assim, diferentes dimensões da formação dos estudantes: cultura, convivência, acessibilidade e educação ambiental.
Para a comunidade escolar, atividades desse tipo também ampliam as possibilidades de participação de alunos com deficiência auditiva nas ações culturais realizadas no ambiente educacional.
O diretor da Escola Municipal Joaquim José de Azevedo, Milton Cordeiro Aguiar, destacou a importância da iniciativa e afirmou que a experiência pode abrir espaço para novas ações voltadas à comunidade escolar e aos Centros Municipais de Educação Infantil (CEMEIs) da região.
O projeto segue com apresentações em outras escolas municipais de Montes Claros. A iniciativa utiliza recursos da Lei Aldir Blanc para levar a produção cultural a espaços educacionais e aproximar crianças e adolescentes da linguagem teatral.
Ao colocar estudantes surdos e ouvintes no mesmo espaço de criação e diversão, “Fiu Fiu de Cotovia: A Magia do Silêncio” propõe uma reflexão que começa na escola, mas ultrapassa as paredes da sala de aula: a de que a cultura pode ser construída para ser vista, ouvida, sentida e compartilhada de diferentes maneiras.
Mais do que apresentar uma história, o espetáculo transforma o próprio encontro entre as crianças em parte da experiência. E, nesse caso, o silêncio também ganha lugar no palco — não como ausência, mas como outra forma de perceber e participar da arte.


