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Epamig apresenta tecnologia para retomar cultivo de arroz em terras altas em Bocaiuva - Rede Gazeta de Comunicação

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Epamig apresenta tecnologia para retomar cultivo de arroz em terras altas em Bocaiuva

Capacitação em Machados reúne produtores e aposta em novas cultivares e manejo para recuperar uma cultura tradicional da agricultura familiar

A agricultura familiar de Bocaiuva busca alternativas para recuperar uma cultura que durante décadas fez parte da rotina de comunidades rurais do município: o cultivo de arroz. Na quinta-feira (1º), produtores de Machados, Pedregulho, Patrona e localidades vizinhas participaram de uma capacitação sobre tecnologias para produção de arroz em terras altas, com apresentação de novas cultivares e técnicas de manejo.

A atividade foi realizada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) e a Prefeitura de Bocaiuva. O objetivo foi aproximar os resultados da pesquisa agropecuária da realidade dos agricultores e apresentar alternativas para produzir arroz em áreas que não dependem necessariamente de terrenos de várzea ou permanentemente úmidos.

Durante o encontro, os produtores receberam informações sobre melhoramento genético, escolha de cultivares, tratamento e correção do solo, adubação, controle de pragas e doenças e manejo de herbicidas. A relação entre a produção local e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) também entrou na pauta.

A retomada da cultura atende a uma demanda antiga das próprias comunidades. Segundo o extensionista da Emater-MG Iran Ferreira Leite Júnior, Machados, Pedregulho e Patrona possuem tradição no cultivo de arroz, mas a atividade perdeu espaço nos últimos anos, principalmente em razão da irregularidade das chuvas.

“Essa região de Machados, Pedregulho e Patrona sempre trabalhou com arroz na agricultura familiar. Nos últimos anos, a área de plantação diminuiu por causa da falta de chuva”, explicou.

Nesse cenário, as pesquisas desenvolvidas pela Epamig para o arroz de terras altas podem abrir uma possibilidade para os agricultores que desejam voltar a investir na cultura. A proposta é trabalhar com variedades e tecnologias adaptadas a sistemas de produção que não dependam das condições encontradas nas áreas de várzea.

“A Epamig tem pesquisado um arroz para ser plantado nas terras altas, então veio a calhar essa pesquisa com a necessidade dos agricultores daqui da região”, afirmou Iran.

Pesquisa chega à propriedade

A capacitação faz parte das ações do programa Semear Arroz, apresentado aos produtores pelo coordenador de Difusão de Tecnologia da Epamig, Kellson Tolentino. A intenção é transformar o conhecimento produzido pela pesquisa em uma alternativa que possa ser testada e avaliada pelos agricultores.

“A grande novidade nesse projeto é trazer um arroz que os produtores possam cultivar mesmo sem ser em várzeas úmidas, fortalecendo a agricultura no estado, fortalecendo o pequeno produtor e, sobretudo, fortalecendo essa parceria entre o Estado, através da Epamig e Emater, e a Prefeitura de Bocaiuva”, destacou.

Uma das próximas possibilidades discutidas é a implantação de unidades demonstrativas nas próprias comunidades. A ideia é permitir que os agricultores acompanhem, em condições semelhantes às encontradas em suas propriedades, o comportamento das cultivares e das tecnologias apresentadas durante a capacitação.

A experiência prática pode ajudar na tomada de decisão sobre a retomada do cultivo, considerando características como produtividade, adaptação ao solo, necessidade de manejo e disponibilidade de água.

Cultura que atravessa gerações

Para os produtores, o interesse pelo arroz não está relacionado apenas à possibilidade de ampliar a renda. Existe também uma relação histórica com a atividade, que passou de uma geração para outra e faz parte da identidade produtiva das comunidades.

Irllei, produtor da comunidade de Patrona, contou que a família mantém a tradição desde os avós e vê na tecnologia uma oportunidade para voltar a produzir.

“Nós trabalhamos com o plantio do arroz desde nossos avós e queremos continuar a plantar e produzir”, afirmou.

A expectativa dos agricultores é que o acesso a novas sementes e técnicas permita enfrentar parte das dificuldades que contribuíram para a redução das lavouras. A irregularidade das chuvas é um dos principais obstáculos apontados pelos produtores da região.

Produzir para abastecer o próprio mercado

A retomada do arroz também pode criar uma oportunidade de fortalecer os mercados locais. Em vez de depender exclusivamente da compra de produtos vindos de outras regiões, produtores avaliam a possibilidade de aumentar a oferta de alimentos produzidos no próprio município.

Pedro Amauri de Oliveira, presidente da Cooperativa Agropecuária de Engenheiro Dolabela Projeto de Assentamento Betinho (Cooperdola), afirmou que existe interesse em recuperar a produção no assentamento utilizando as novas tecnologias.

“A gente tem interesse de resgatar a cultura do arroz no assentamento, plantar novamente, mas plantar com as novas tecnologias, novas sementes, novos cultivares de arroz, para abastecer o mercado local, e até fornecer para o próprio município, que muitas vezes precisa comprar de outras regiões para a alimentação escolar”, disse.

É justamente nesse ponto que entra o PNAE. A compra de alimentos da agricultura familiar para a alimentação escolar pode representar um mercado para os produtores e, ao mesmo tempo, aproximar a merenda servida aos estudantes dos alimentos produzidos nas comunidades rurais.

Para os agricultores, a possibilidade de fornecer para escolas acrescenta uma perspectiva comercial à retomada de uma cultura tradicional. Para o município, pode significar maior circulação de recursos dentro da própria economia local e fortalecimento da produção familiar.

A capacitação em Machados representa, assim, o primeiro passo de um processo que pretende unir pesquisa, assistência técnica, produtores e poder público. A implantação de áreas demonstrativas poderá mostrar, na prática, se as novas cultivares e tecnologias conseguem se adaptar às condições locais.

Em uma região marcada por períodos de estiagem e irregularidade das chuvas, a busca por cultivos e sistemas de produção mais adaptados às condições de terras altas ganha importância. Para Bocaiuva, o desafio agora é transformar o conhecimento apresentado pela pesquisa em lavouras, renda e, quem sabe, no retorno de uma tradição que começou com os avós dos atuais produtores.