PAULA PEREIRA: Para começarmos, gostaria que cada um contasse um pouco sobre sua origem, a família e a infância.
DINAH TOLEDO SILVA RODRIGUES: Sou natural de Montes Claros, filha de Manuel Ferreira da Silva e Mércia Toledo Oliva da Silva. Sou a segunda de três irmãs. Venho de uma família muito simples. Meu pai era taxista e minha mãe professora primária.
Sempre fui muito curiosa. Gostava de entender como tudo funcionava. Quando minha mãe cozinhava, eu ficava ao lado fazendo perguntas. Ela também teve um salão de beleza e, desde criança, eu ajudava: fazia unhas, colocava bobs nas clientes, limpava e organizava o salão. Sempre gostei de organização.
Na escola era muito dedicada. Aprendi crochê ainda pequena com minha bisavó e também descobri minha paixão pelos esportes. Joguei vôlei e handebol pela Escola Estadual Professor Plínio Ribeiro e participei das Olimpíadas Escolares de Montes Claros.
Naquela época, uma cliente do salão trabalhava no Banco do Brasil e sempre contava histórias sobre a profissão. Aquilo despertou em mim um sonho: ser funcionária do Banco do Brasil. Ao mesmo tempo, sonhava em ser professora ou médica.
MAURO DE ALMEIDA RODRIGUES: Nasci em Belo Horizonte. Sou filho de Paulo Afonso Rodrigues e Eva de Almeida Rodrigues e o mais velho de quatro irmãos.
Também cresci em uma família simples. Meu pai era funcionário público e minha mãe dona de casa. Mesmo com dificuldades, eles nunca deixaram faltar educação. Meu pai dizia que a maior herança que poderia nos deixar era o estudo.
Tivemos uma infância muito feliz, brincando nas ruas, convivendo em família e superando as dificuldades com naturalidade. Graças a alguns tios, consegui viajar bastante quando criança, experiências que marcaram minha formação.
PAULA PEREIRA: Como surgiram as carreiras de vocês no Banco do Brasil?
DINAH: Quando terminei o ensino médio, entrei em Pedagogia na Unimontes, porque não consegui vaga em Medicina, que era meu grande sonho. Planejava tentar novamente no ano seguinte.
Foi quando surgiu o concurso do Banco do Brasil. Não havia vagas para Montes Claros, apenas para cidades como São Francisco, Pirapora e Brasília de Minas. Resolvi fazer a prova, estudei bastante e fui aprovada.
Precisei escolher entre continuar tentando Medicina ou aproveitar a oportunidade de trabalhar e conquistar minha independência financeira. Escolhi o banco e nunca me arrependi.
MAURO: Meu sonho era ser médico veterinário. Fiz vestibular para a UFMG, mas não consegui aprovação. Depois fui aprovado para a Polícia Civil, porém minha mãe não permitiu que eu seguisse essa carreira porque tinha medo da violência.
Continuei estudando até surgir o concurso do Banco do Brasil.
Antes disso eu já conhecia São Francisco. Em 1979 visitei parentes que moravam lá e fiquei encantado com a cidade e com o povo, mesmo tendo presenciado uma grande cheia do Rio São Francisco.
Quando abriu o concurso para o Banco do Brasil, fiz a prova em São Francisco. Vim praticamente sem dinheiro. Eu e alguns amigos acampamos às margens do Rio São Francisco enquanto estudávamos e aguardávamos o concurso. Depois fui convocado, enfrentei o rigoroso teste de datilografia e tomei posse no Banco do Brasil de São Francisco, em 15 de março de 1982.
PAULA PEREIRA: Como foi o encontro de vocês?
DINAH: Foi no Banco do Brasil, em São Francisco. Na época existia uma brincadeira entre os funcionários chamada “dobradinha”, quando colegas acabavam se casando.
Quando o Mauro chegou, algumas pessoas brincavam dizendo que ele seria meu futuro marido. No início ele ainda namorava outra pessoa, mas convivíamos diariamente no banco.
O que me chamou atenção nele nunca foi a aparência. Foi a educação, a tranquilidade e a honestidade. Aos poucos fomos nos aproximando.
MAURO: Eu costumo brincar que tudo começou quando comprei uma motocicleta DT-180. A Dinah pediu para dar uma volta na moto e nunca mais desceu. (risos)
Na verdade, nosso relacionamento nasceu da convivência diária. Trabalhávamos juntos, participávamos da mesma turma de amigos e, naturalmente, fomos nos aproximando.
PAULA PEREIRA: O esporte teve importância nessa história?
MAURO: Muita. Sempre gostei de futebol e logo que cheguei a São Francisco fui convidado para jogar pelo time do Banco do Brasil. O esporte facilitou minha integração na cidade.
Em 1983 foi inaugurada a AABB de São Francisco. Passamos a frequentar o clube, jogar bola, participar de eventos e fortalecer ainda mais nossas amizades.
DINAH: A cidade nos acolheu de uma forma muito especial. Participávamos das festas, dos eventos e convivíamos muito com a comunidade. Nosso relacionamento sempre foi baseado no respeito e isso também aproximava as pessoas de nós.
PAULA PEREIRA: Quando veio o casamento?
MAURO: Casamos em 1986 e construímos nossa vida em São Francisco. Nosso primeiro filho nasceu em 1987. Fizemos nossa casa, criamos grandes amizades e eu dizia que nunca mais sairia de lá.
DINAH: Foi em São Francisco que nasceram nossos três filhos. O Mauro queria permanecer por causa das amizades e da qualidade de vida. Eu, por outro lado, sempre desejava voltar para Montes Claros, onde estava toda a minha família.
PAULA PEREIRA: Como aconteceu a transferência para Montes Claros?
DINAH: Não foi simples. No Banco do Brasil a transferência dependia da existência de vagas. Como poucas pessoas queriam trabalhar no interior, era difícil conseguir sair de São Francisco.
Depois do Programa de Demissão Voluntária, passamos um período em Belo Horizonte e, finalmente, conseguimos as transferências para Montes Claros.
MAURO: Curiosamente, quando voltamos para Belo Horizonte percebemos que já não nos adaptávamos mais à vida na capital.
Quando chegamos a Montes Claros tivemos a certeza de que era aqui que queríamos viver. Costumo dizer que meu coração hoje é montes-clarense.
PAULA PEREIRA: O que Montes Claros representa para vocês?
MAURO: É uma cidade grande, mas que continua acolhedora. Você encontra amigos em qualquer lugar. Cresceu muito, tornou-se polo em saúde, educação, comércio e indústria, sem perder completamente esse jeito interiorano.
Tenho enorme carinho por Belo Horizonte, onde nasci, mas foi em Montes Claros que encontrei meu verdadeiro sentimento de pertencimento.
DINAH: Nós construímos praticamente toda nossa vida aqui. Fizemos amigos, criamos nossos filhos e acompanhamos o crescimento da cidade. Hoje nos sentimos completamente integrados.
PAULA PEREIRA: Falando da família, quais são os maiores motivos de orgulho?
DINAH: Nossos filhos.
Fernando Henrique começou no Direito, mas descobriu sua vocação na tecnologia e hoje trabalha com desenvolvimento de software no Magazine Luiza.
Nosso segundo filho, Mauro, é antropólogo, doutor, pesquisador da Fiocruz e desenvolve importantes projetos culturais ligados aos Catopês e à preservação das tradições populares.
A caçula, Luísa, é médica pediatra.
Também temos nossos netos, Miguel, Paco, Chico e agora aguardamos a chegada do pequeno Tiago. Somos uma família muito unida e fazemos questão de estarmos sempre juntos.
PAULA PEREIRA: São Francisco continua presente na vida de vocês?
MAURO: Sempre. Volto com frequência para rever os amigos. Tenho enorme gratidão por tudo o que vivi ali.
DINAH: Quando chegamos à cidade parece que o tempo não passou. Somos recebidos com muito carinho e guardamos lembranças maravilhosas daquela época.
PAULA PEREIRA: Em determinado momento da sua carreira no Banco do Brasil, o senhor assumiu outro grande desafio: a presidência da AABB de Montes Claros. Como isso aconteceu?
MAURO: Surgiu um projeto do Banco do Brasil para profissionalizar a gestão da AABB. Fui incentivado por colegas a disputar a presidência e aceitei o desafio. Alguns meses após minha eleição, fui cedido pelo Banco do Brasil para me dedicar integralmente à administração do clube, algo pelo qual sou profundamente grato até hoje. Agradeço todos os dias da minha vida ao Banco do Brasil por essa oportunidade.
Quando assumimos, a AABB tinha cerca de 800 associados. Formamos uma diretoria comprometida, modernizamos a gestão e conseguimos ampliar significativamente a estrutura e o número de associados, que hoje se aproxima dos quatro mil.
Sempre acreditei que nenhum resultado é construído sozinho.
DINAH: Foi exatamente assim. Enquanto o Mauro cuidava da administração, eu sempre participei da organização dos eventos e das ações sociais.
Essa parceria acompanha toda a nossa história. Nunca existiram projetos individuais. Tudo foi construído juntos, com diálogo, respeito e muito trabalho.
Acho que essa é a principal marca da nossa trajetória: uma vida construída a dois, baseada na honestidade, no companheirismo e no compromisso de fazer sempre o melhor pela família, pelos amigos e pela comunidade.



