O empréstimo consignado foi o principal alvo de reclamações feitas pelos consumidores ao Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ao longo de 2025. De acordo com balanço divulgado pelo órgão, essa modalidade de crédito respondeu por quase 8% do total de denúncias recebidas no período, consolidando-se como o segmento mais criticado pelos usuários dos serviços financeiros no estado.
Ao todo, o Procon Assembleia recebeu quase três mil reclamações durante o ano passado. Somadas às queixas relacionadas a empréstimos pessoais, as denúncias envolvendo operações de crédito alcançam 11,15% do total, evidenciando a insatisfação crescente da população com práticas adotadas por instituições financeiras, especialmente no que diz respeito à oferta, contratação e cobrança desses produtos.
Na segunda posição do ranking aparecem os cartões de crédito, responsáveis por aproximadamente 7% das reclamações. Os consumidores relataram problemas como cobranças indevidas, taxas abusivas, dificuldade de cancelamento e falhas no atendimento. Em terceiro lugar estão os descontos indevidos realizados por associações de aposentados, que representaram pouco mais de 5% das denúncias registradas pelo Procon Assembleia.
Completam a lista dos cinco setores mais reclamados os segmentos de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, com 4,42% das queixas, e o chamado “combo” de serviços de TV por assinatura, telefonia e internet, que respondeu por 4,1% das reclamações. Esses dados refletem dificuldades enfrentadas pelos consumidores tanto na aquisição de produtos quanto na contratação e manutenção de serviços essenciais.
Ranking dos principais assuntos reclamados
De acordo com os dados consolidados pelo Procon Assembleia, os assuntos mais recorrentes nas denúncias de 2025 foram:
Empréstimo consignado: 206 reclamações (7,29%)
Cartão de crédito: 194 reclamações (6,86%)
Descontos indevidos/associações de aposentados: 145 reclamações (5,13%)
Eletrodomésticos e eletroeletrônicos: 125 reclamações (4,42%)
Combo TV/Telefonia/Internet: 116 reclamações (4,1%)
O levantamento mostra que, embora os setores variem, o problema mais frequente relatado pelos consumidores foi a cobrança indevida ou abusiva. Mais de mil queixas registradas em 2025 — cerca de 40% do total — tiveram esse tipo de irregularidade como principal motivo. Também se destacaram denúncias relacionadas a descumprimento de contratos, fraudes, além de atraso ou não entrega de produtos adquiridos.
Empresas mais reclamadas
No ranking das empresas com maior número de reclamações, as prestadoras de serviços de telefonia lideram a lista. A operadora Claro ocupa a primeira posição, seguida de perto pela Vivo. Também figuram entre as mais reclamadas empresas de serviços públicos e instituições financeiras.
Confira as cinco empresas com maior número de denúncias registradas pelo Procon Assembleia em 2025:
Claro: 93 reclamações (3,1%)
Vivo: 88 reclamações (2,9%)
Copasa: 85 reclamações (2,8%)
Banco BMG: 81 reclamações (2,7%)
Caixa Econômica Federal: 75 reclamações (2,5%)
Segundo o Procon, os dados reforçam a importância da atuação dos órgãos de defesa do consumidor na mediação de conflitos e na orientação da população sobre seus direitos, sobretudo diante da complexidade crescente dos serviços financeiros e de telecomunicações.
Idosos são as principais vítimas de golpes
Além das reclamações contra empresas e fornecedores regulares, o Procon Assembleia também registrou um aumento significativo de denúncias relacionadas a golpes financeiros, tendo como principais vítimas pessoas idosas. Nesses casos, as ocorrências são encaminhadas diretamente à Delegacia de Polícia de Defesa do Consumidor para apuração criminal.
O coordenador do Procon Assembleia, Marcelo Barbosa, alerta familiares e cuidadores para que redobrem a atenção em relação a ligações telefônicas e mensagens recebidas por idosos, principalmente por SMS ou aplicativos como WhatsApp. Segundo ele, golpistas costumam se passar por funcionários de instituições financeiras, obtêm dados pessoais e induzem as vítimas a autorizar operações que resultam em prejuízos financeiros.
“Nunca responda a esse tipo de contato. O ideal é desligar imediatamente o telefone, apagar a mensagem e bloquear o remetente”, orienta Marcelo Barbosa. O Procon reforça ainda que bancos e instituições financeiras não solicitam senhas, dados pessoais ou autorizações de transações por telefone ou aplicativos de mensagens.
O órgão destaca que a prevenção e a informação continuam sendo as principais ferramentas para reduzir o número de golpes e proteger consumidores, especialmente os mais vulneráveis.


