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Em que você acredita? - Rede Gazeta de Comunicação

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Em que você acredita?

Adelaide Valle Pires

Psicóloga

Estava aqui falando com meus botões quando recebi um vídeo que me fez pensar. Uma mulher, diante de uma xícara de café, conversa consigo mesma e se pergunta do que somos feitos. A reflexão passa pelo tempo, pelo passado e pelo céu que observamos à noite.

A conversa me levou a uma cena de uma série que assisti recentemente. Diante da pergunta “Em que você acredita?”, a resposta do personagem foi direta: “Acredito no meu passado. Acredito na vida que vivi.”

Fiquei pensando nessas palavras. Nossa história é feita de experiências, escolhas, acertos, erros, encontros e despedidas. É nesse percurso que construímos nossas convicções, revemos certezas e aprendemos a olhar o mundo por diferentes ângulos.

Acreditar na vida que vivemos não significa considerar que tudo o que fizemos foi correto, nem transformar o passado em uma verdade incontestável. Significa reconhecer nossa trajetória, aprender com ela e assumir a responsabilidade pelas escolhas que fazemos daqui para a frente.

Vivemos tempos em que as opiniões se multiplicam e as divergências ganham proporções enormes. Não raro, parece mais fácil defender as próprias certezas do que compreender as razões do outro.

Mas em que acreditamos, afinal? Em ideias que repetimos? Em valores que proclamamos? Ou naquilo que demonstramos por meio das nossas atitudes?

Essa reflexão me levou a outra: nossas escolhas não dizem respeito apenas a nós. Na família, no trabalho e nos espaços de convivência, o que fazemos interfere na vida de outras pessoas, mesmo quando não percebemos.

Somos, ao mesmo tempo, causa e efeito. Influenciamos e somos influenciados. Uma palavra pode aproximar ou afastar. Uma decisão pode abrir caminhos ou fechar portas. Um gesto de respeito pode mudar o rumo de uma conversa; uma atitude impensada pode deixar marcas que nem sequer chegamos a conhecer.

Não precisamos pensar da mesma maneira para conviver. Nossas convicções não nos dispensam de respeitar as pessoas, assim como nossas experiências não nos tornam donos da verdade.

Uma das grandes aprendizagens da vida é olhar para o passado sem ficar preso a ele, reconhecer o que nos trouxe até aqui e escolher, com consciência, o que queremos construir daqui para a frente.

Afinal, se acreditamos na vida que vivemos, que vida estamos ajudando a construir com aquilo em que acreditamos?

E você, em que acredita?