Setor espera aumento temporário na produção de santinhos, folhetos e wind banners, enquanto digitalização muda perfil das empresas e amplia demanda por profissionais qualificados também no Norte de Minas
A corrida eleitoral deve provocar um aumento de até 25% no faturamento da indústria gráfica de Minas Gerais neste ano, segundo estimativa do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de Minas Gerais, ligado à FIEMG. O movimento coloca as gráficas novamente entre os setores que sentem de forma direta o impacto das campanhas, principalmente pela produção de materiais impressos distribuídos nas ruas.
Apesar da alta projetada, o crescimento é menor que o registrado em eleições anteriores. Em outros pleitos, o faturamento das empresas chegou a avançar entre 35% e 40% durante o período eleitoral. Para 2026, a expectativa do sindicato está entre 20% e 25%.
A diferença está relacionada principalmente à mudança na forma de comunicação das campanhas. O avanço das redes sociais e das ferramentas digitais reduziu parte da dependência dos materiais impressos, embora produtos tradicionais continuem sendo utilizados pelos candidatos.
Entre os itens mais procurados estão santinhos, colinhas eleitorais e folhetos. Os wind banners, por sua vez, ganharam espaço e, segundo o sindicato, alcançaram demanda recorde neste ciclo eleitoral.
Demanda concentrada na campanha
O movimento das gráficas costuma se concentrar especialmente nas três primeiras semanas da campanha. É nesse período que candidatos e equipes procuram produzir simultaneamente grandes volumes de materiais para colocar nas ruas.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de Minas Gerais, Betinho da Silva Lara, as eleições continuam sendo importantes para o setor, mas o crescimento das plataformas digitais alterou o perfil da demanda.
“Historicamente, o período eleitoral aumenta a demanda da indústria gráfica, mas, neste ano, o volume de impressos está abaixo do observado em outros pleitos. O crescimento das redes sociais tem influência nesse cenário. Mesmo assim, estimamos um incremento entre 20% e 25% no faturamento do setor”, afirmou.
Segundo o dirigente, um eventual segundo turno deverá movimentar menos as gráficas do que a primeira etapa da eleição. Ainda assim, o período eleitoral como um todo permanece relevante para os resultados das empresas.
O setor também prevê reflexos no mercado de trabalho, com crescimento de aproximadamente 10% na geração de empregos durante o período eleitoral.
Efeito chega ao interior
Embora a maior concentração de empresas e serviços especializados esteja na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a movimentação eleitoral também alcança o interior de Minas. Gráficas de cidades-polo atendem candidatos e campanhas municipais, estaduais e nacionais, além de fornecer materiais para diferentes regiões.
No Norte de Minas, cidades como Montes Claros, Janaúba, Januária, Pirapora, Bocaiuva e Salinas funcionam como centros regionais de serviços e comércio, o que inclui a produção de materiais de comunicação.
A característica da campanha eleitoral, entretanto, faz com que parte dos pedidos possa ser direcionada a empresas de maior capacidade produtiva, especialmente quando envolve grandes volumes e prazos curtos. A demanda regional também varia conforme o número de candidaturas e a estratégia adotada por cada campanha.
Para as empresas do interior, o período eleitoral representa, portanto, uma oportunidade de ampliar temporariamente a produção, mas sem alterar uma transformação que já ocorre há anos no segmento: a modernização tecnológica.
Tecnologia muda o perfil das gráficas
Se as eleições provocam uma alta pontual na produção, a digitalização vem produzindo mudanças permanentes na indústria gráfica.
Impressão digital, automação, softwares especializados e equipamentos mais modernos modificaram etapas que tradicionalmente dependiam de processos manuais. Com isso, também mudou o perfil dos profissionais procurados pelas empresas.
No SENAI Horto, em Belo Horizonte, são oferecidos cursos técnicos relacionados à cadeia gráfica, incluindo formações em Design Gráfico, Processos Gráficos e Comunicação Visual.
De acordo com o gerente da Unidade SESI SENAI Horto, Dalison Lage, as empresas têm buscado profissionais preparados para lidar com processos cada vez mais tecnológicos.
“A indústria gráfica mudou muito nos últimos anos com o avanço da impressão digital, da automação, dos novos equipamentos e do uso de softwares. Hoje, o profissional precisa ter uma formação mais ampla, que envolva preparação de arquivos, ferramentas gráficas, qualidade, acabamento e novos recursos tecnológicos”, destacou.
A avaliação é que essa transformação tem impacto mais duradouro sobre o setor do que o próprio calendário eleitoral.
Impressão ainda tem espaço
Mesmo com o avanço da comunicação digital, o material impresso continua presente nas campanhas eleitorais. Santinhos, folhetos, colinhas e peças de comunicação visual ainda cumprem funções específicas, especialmente em ações de rua e mobilizações presenciais.
No entanto, o setor gráfico mineiro enfrenta uma realidade diferente da observada em eleições de anos anteriores: o papel continua importante, mas passou a dividir espaço com telas, redes sociais e plataformas digitais.
Para as gráficas, a eleição de 2026 representa uma combinação de dois movimentos. De um lado, uma alta temporária na produção, com expectativa de crescimento de até 25% no faturamento. De outro, uma transformação tecnológica que exige investimentos, atualização dos equipamentos e formação contínua dos trabalhadores.
No Norte de Minas, onde a indústria gráfica atende um mercado regional amplo e diversificado, esse processo também coloca a qualificação profissional no centro das mudanças que devem definir o futuro do setor.


