EDITORIAL | WAGNER BATISTA — O Operário do tempo e da amizade - Rede Gazeta de Comunicação

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EDITORIAL | WAGNER BATISTA — O Operário do tempo e da amizade

Paula Pereira

Jornalista/ Programadora visual/ Analista de marketing

Há homens que passam pela vida como o vento manso que sopra no entardecer do sertão — discretos, firmes, mas que deixam rastro de mudança por onde passam. Assim é Wagner Batista, um filho trabalhador do Norte de Minas, cuja trajetória se confunde com a própria história do Max Min Clube.

“Não tive vida morna”, ele diz, com aquele sotaque arrastado e verdadeiro de quem aprendeu que o mundo não perdoa preguiça. Começou cedo, aos quinze anos, trabalhando numa loja, ajudando o pai e o sogro num depósito de materiais. Ali, entre o pó do cimento e o barulho dos caminhões, foi moldando o caráter de quem prefere o suor à espera. Depois veio o concurso da Telemig — e ali, na empresa que conectava vozes e distâncias, construiu 25 anos de uma carreira digna, feita de dedicação, lealdade e competência.

Mas o destino, generoso com quem não teme o trabalho, lhe abriu outros caminhos. Depois da Telemig, continuou prestando serviços para grandes empresas — Claro, Vivo, TIM — sempre na área de telecomunicações, como técnico, solucionador, daqueles que não fogem da lida. E ainda se aventurou no empreendedorismo, tocando com o filho uma empresa de planos corporativos. A vida, para ele, nunca foi de morna rotina — foi de desafio, coragem e reinvenção.

Se há um lugar, porém, onde o coração de Wagner se fez morada, esse lugar se chama Max Min Clube. Desde 1996, ele voltou àquela casa de tantas memórias e nunca mais se afastou. Ali, vestiu a camisa com amor e senso de pertencimento. Foi presidente, vice-presidente, conselheiro. E mais do que cargos, exerceu compromisso. Trabalhou por um clube melhor, mais bonito, mais acolhedor — um espaço que não é só lazer, mas história viva de uma cidade que cresceu junto com seus servidores e suas famílias.

Foram muitas as obras que deixaram a marca de sua gestão e da sua amizade com o Max Min. Ele murou o clube, que antes era todo aberto e sujeito à poeira e ao descuido. Asfaltou as ruas internas, implantou energia fotovoltaica, fechou a via que dividia o espaço — transformando o Max Min num ambiente mais seguro, moderno e integrado. Cada melhoria carrega um traço de seu empenho silencioso, daquele que trabalha não por vaidade, mas por amor à causa.

E ele nunca esteve só. Fez amigos de fé e de jornada: Gualter, Charles, Wellington e tantos outros companheiros de diretoria, de conversa e de partilha. Gente que, como ele, acredita que o clube é mais que um patrimônio físico — é uma extensão da casa, um lugar de encontros, de memórias e de pertencimento.

Neste fim de semana, Wagner completou 70 anos de vida — e celebrou do jeito que sempre viveu: com alegria, simplicidade e rodeado de amigos. A festa foi no campo da pelada, ao lado dos companheiros de bola e da família, com música boa, risadas francas e comida de boteco daquelas que contam histórias. Nada de pompa — só o calor humano que ele sempre cultivou com generosidade. Era o retrato perfeito de um homem que fez da amizade seu maior patrimônio.

Hoje, olhando para trás, ele sabe que o tempo passou, mas o trabalho ficou. O Max Min é, em parte, o reflexo desse homem que se recusa a ver o mundo parado. “Minha intenção é colaborar, como sempre”, diz, com a serenidade de quem entende que servir é uma forma de continuar vivo.

Em tempos em que muitos preferem o discurso ao esforço, o exemplo de Wagner Batista é lição. Ele é daqueles que constroem com as mãos e com o coração, que acreditam no poder do fazer coletivo, que sabem que amizade e compromisso são as verdadeiras moedas da vida.

O Max Min Clube, com suas novas estruturas e velhos laços, é testemunha desse legado. E o sertão, com seu sol teimoso e sua gente brava, agradece a mais um dos seus — um homem simples, de palavra firme, que fez da dedicação sua marca e da lealdade, o seu nome gravado na história.

Porque há pessoas que apenas passam pela vida — e há aquelas que, como ele, constroem caminhos, plantam amizades e deixam o tempo mais bonito de se viver.