EDITORIAL | QUERIDO LEITOR: Das secas e dos sentires - Rede Gazeta de Comunicação

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EDITORIAL | QUERIDO LEITOR: Das secas e dos sentires

Paula Pereira

Jornalista/ Programadora visual/ Analista de marketing

Escrever hoje não foi só tarefa de ofício — foi travessia de alma. Há dias em que as palavras se derramam fáceis, feito água de fonte fresca; há outros em que elas teimam, entaladas no peito, como pedra no meio da enxurrada. Hoje foi desses: o pensamento embolado, coração querendo falar mais que a razão.

A seca voltou a dar notícia. Mas a seca, meu caro, não é só ausência de chuva — é ausência de fôlego. É o chão rachado, sim, mas também o olhar cansado do povo, a esperança murchando devagarinho. E a economia? Ah, essa continua tropeçando, feito burro teimoso, entre promessas, escândalos e CPIs que se empilham como poeira antiga. Corrupção é praga que insiste em não se acabar, mesmo quando a gente reza forte e trabalha direito.

E no meio disso tudo, o mundo segue girando, meio tonto, distraído com a vida alheia: celebridades, futebol, fofoca. Um véu bonito, mas véu ainda — cobrindo o que é miúdo e verdadeiro. Fico aqui pensando: o que é mesmo que importa, no fim das contas?

Nessas horas, me bate um silêncio de dentro. E eu volto a lembrar dos aprendizados que a vida e o sertão me ensinaram — que o homem não controla tudo. Que há coisas que são do mando de Deus, e outras que são do mando da gente. O resto é vento. A fé, essa sim, me acalma. Me faz pequena, mas forte. É ela que me diz que basta seguir reta, fazendo o bem, e o mais, o mais é com o Pai.

Tem dias que parece coincidência, outros parecem castigo. Tem hora que é só fraqueza mesmo — da carne, do coração. A angústia vem, e a gente deixa vir, porque ela também ensina.

E é a você, leitor, que deixo o chamado. Você tem se lembrado de ser gente? De acordar e tentar ser melhor do que ontem? O que tem desassossegado sua alma, seu peito? Que sonho anda escondido aí dentro, pedindo pra nascer — o emprego que não vem, o amor que não deu certo, é coragem que falta pra começar de novo?

Dizem que o sertão é dentro da gente. Pois então, é lá que mora também a resposta — ou pelo menos a pergunta certa. Que a gente não se canse de perguntar, nem de sentir.

E se quiser dividir seu pensar, seu sofrer e seu sonhar, escreva, mande notícia. Porque pensar junto é também um jeito bonito de existir.

E por hoje é isso: a vida segue, seca ou chuvosa, mas sempre pedindo da gente o mesmo — esperança, fé e o gesto simples de continuar. Contato: paulapereira2207@gmail.com