Paula Pereira
Jornalista/ Programadora visual/ Analista de marketing
Montes Claros volta seus olhos para o amanhã. Entre planilhas, metas e projeções, nós, que vivemos essa cidade, vemos nascer no papel — e na vontade — o esboço do nosso futuro de quatro anos. O Plano Plurianual (PPA) 2026–2029 é mais que um documento técnico: é uma carta de intenções, um mapa de sonhos possíveis, uma tentativa de transformar a esperança coletiva em ação concreta — e, sobretudo, em compromisso com a vida real das pessoas.
A cifra impressiona: mais de R$ 12 bilhões circularão pelos cofres municipais até 2029. Mas o que realmente nos toca vai além dos números. O que se discutiu na Câmara Municipal foi o destino simbólico de cada centavo — a promessa de escolas que formem cidadãos, não apenas alunos; de postos de saúde que acolham pessoas, não apenas pacientes; de ruas que conduzam histórias, não só carros.
Montes Claros cresce — e esse crescimento nos enche de orgulho, mas também de responsabilidade. Um orçamento é como um espelho: mostra o que escolhemos priorizar, revela nossas ausências e nossos desejos. Ao prever recursos para o Hospital Municipal, para a urbanização da Lagoa do Interlagos e para o asfaltamento das vias, o município busca equilibrar a estética da cidade com o bem-estar de quem a habita. E o asfalto que se estende é mais do que obra: é o símbolo de quem sai da poeira e conquista caminho.
Há algo de poético nesse ato de planejar: um misto de realismo e sonho. O PPA, ao adotar uma agenda transversal, reconhece que os problemas da cidade não andam sozinhos — saúde conversa com educação, que depende de saneamento, que se cruza com transporte. É um tecido que, se bem costurado, pode transformar o que antes era remendo em política pública de verdade.
Mas todo planejamento é promessa. E promessa boa é aquela que o povo acompanha de perto. Que o debate não termine na audiência, e que nós, cidadãos, continuemos cobrando, participando, fiscalizando.
Porque o destino de Montes Claros não cabe apenas nas planilhas — cabe nas mãos de cada um de nós.
E talvez o maior saldo desse orçamento não esteja nos bilhões previstos, mas na certeza de que uma cidade se constrói com gente, coragem e sonho compartilhado.


