EDITORIAL: Mãe: aquela que reclama, mas é insubstituível - Rede Gazeta de Comunicação

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EDITORIAL: Mãe: aquela que reclama, mas é insubstituível

Paula Pereira

Jornalista/ Programadora Visual/ Analista de Marketing

Toda mãe reclama das mesmas coisas. Seja porque deixamos a luz acesa, a toalha molhada em cima da cama, ou porque não ligamos com a frequência que ela considera ideal (que, no fundo, seria todos os dias — e com tempo para uma conversa decente). Toda mãe tem aqueles jargões clássicos que repetem como mantras do amor: “leva o casaco!”, “você não é todo mundo!”, “só vou falar uma vez!”. E por mais que a gente revire os olhos, o coração sempre amolece. Porque só mãe consegue reclamar com tanto amor.

Mas a minha mãe… a minha vai além. Ela é dessas que poderia estar num livro. E, aliás, se dependesse dela, a nossa infância toda teria sido uma grande história encantada — e, de certa forma, foi.

Teve sete filhos. Todos de parto normal. Sete vezes escolheu a coragem. Sete vezes abriu mão de sua juventude, do seu tempo, dos seus sonhos individuais — por amor a um coletivo que ela mesma construiu com o corpo, o coração e uma força que não se mede. A cada filho, ela doava uma parte de si, mas multiplicava amor.

Simples, cheia de manias, exigente — principalmente consigo mesma —, minha mãe tem uma presença que é quase uma entidade. Entre uma ligação e outra dos filhos (sim, todos ligam diariamente), ela reparte sua atenção como quem reparte pão. E cada ligação é uma disputa velada: quem vai conseguir mais minutos com a mamãe hoje?

Entre essas conversas, ela encontra tempo para seus crochês e tricôs, como quem borda o mundo com linha e paciência. E ainda sobra espaço para ajudar em obras de caridade e cuidar da minha avó — que, com razão, também quer sua parte do carinho. Hoje, quem realmente manda nela são os netos, pequenos chefes de estado que já entenderam o que todos nós sabemos: que o colo da vovó é um reino encantado, onde tudo se resolve com um abraço.

Ela foi — e é — a melhor companheira que meu pai poderia ter tido. Mas mais do que isso: foi também nossa cúmplice de infância. Não era aquela mãe distante que assistia de longe. Nada disso. Ela puxava meu pai pela mão, entrava nas nossas brincadeiras, virava parte da bagunça. Inventava histórias, fazia vozes, criava mundos. E foi assim que crescemos: cercados de presença, de amor e de fantasia. Num lar onde livros, contos e personagens faziam parte da mobília. Teve até o tal do João Jurumbá — mas essa história… ah, essa fica pra outro dia.

A verdade é que toda mãe reclama. Toda mãe tem seus jargões e suas broncas. Mas algumas — como a minha — criam um mundo inteiro em volta dos filhos. E quando a gente cresce e olha pra trás, entende que o que parecia “só” rotina era, na verdade, uma delicada obra de amor. Feita de palavras, de risos, de linhas de crochê e de histórias que, mesmo que não estejam escritas, nunca serão esquecidas.