Paula Pereira
Jornalista/ Programadora Visual/ Analista de Marketing
De vez em quando, a gente precisa mesmo é dar um respiro. Trocar o barulho do relógio despertando pelo silêncio de uma manhã preguiçosa, esquecer por uns dias do corre-corre, das planilhas, do trânsito danado e entregar o corpo ao descanso que a rotina vai comendo pelas beiradas.
Férias é isso: um jeito de lembrar que a vida não cabe só no repetir dos dias.
A pessoa viaja, conhece um canto novo, experimenta comida diferente, faz fotografia de lugar bonito. E não há pecado nenhum nisso — o mundo é grande, tem paisagem que ensina, tem gente que alarga a alma da gente. Mas o coração geraizeiro sabe: quanto mais longe a gente vai, mais o pé da pessoa começa a coçar pra voltar.
Porque chega uma hora que o corpo sente falta do cheiro de café passado na hora, do céu cor de anil que só o Norte de Minas sabe escrever, da fala cantada dos amigos que perguntam “Uai, já voltou?”. A saudade vem é mansa, igual água de chuva por essas bandas, mas vai crescendo até virar certeza.
E a certeza é essa: não tem canto nesse mundo que bata Montes Claros.
Pode até existir cidade maior, mais iluminada, com prédio que parece que vai beliscar o céu. Mas “melhor” mesmo… melhor é esse pedaço de chão onde o vento tem nome, onde o pôr do sol parece bênção, onde cada esquina guarda um pedacinho da nossa história.
Montes Claros é aquele lugar que abraça a gente sem fazer força.
Lugar de voltar e sentir o corpo encaixar no tempo certo.
Lugar onde a rotina — aquela da qual a gente foge nas férias — volta a fazer sentido.
E como a rotina maravilhosa já começou, hoje é dia de quê? De estar no melhor clube do planeta, com os amigos queridos, a pelada da tarde, as risadas e, claro, o fechamento top das paradas: a comida de buteco do Bar da Lora. Nossa, que tempero, que saudade… já deu água na boca.
Porque o descanso é bom, renova, refresca. Mas o que dá rumo à vida é o cotidiano que a gente constrói aqui, entre os nossos, nesse território que insiste em ser lar todas as vezes que a gente atravessa de volta as suas avenidas.
Então é isso: viajar é uma beleza, respirar novos ares é preciso.
Mas bom mesmo, de verdade, é chegar, arrastar a mala na calçada conhecida, sentir o calor do asfalto e pensar baixinho:
“Uai… voltei pra Montes Claros, a melhor cidade do mundo. Moss, Moss!”


