EDITORIAL | ENTRE O RISO E O DESESPERO: Quando o corpo cobra a conta - Rede Gazeta de Comunicação

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EDITORIAL | ENTRE O RISO E O DESESPERO: Quando o corpo cobra a conta

Paula Pereira

Jornalista/ Programadora Visual/ Analista de Marketing

Hoje, este editorial oscila entre o riso e o choro. Confesso que ainda não decidi qual deles prevalece. Em apenas dez dias, dois episódios “engraçados” — se não fossem tão doloridos — me deixaram baqueada e, sobretudo, reflexiva.

O primeiro aconteceu dentro de casa. Em plena rotina doméstica, escada, sabão, água e aquela sensação de dever cumprido, veio o tombo. Não houve fratura, graças a Deus, mas houve dor, constrangimento e a constatação de que o corpo já não responde como antes. A dor, aliás, ainda insiste em ficar.

O detalhe que transforma o episódio em alerta é que não foi a primeira queda. Cerca de um ano atrás, no mesmo ambiente, caí de costas no chão. Na ocasião, veio o diagnóstico: desgaste ósseo. “Coisa da idade”, disseram. A idade, essa palavra que chega silenciosa e, de repente, pesa.

Dias depois do novo tombo, mais uma visita ao médico. E então, a revelação que muda o tom da conversa — e da vida: pré-menopausa. Assim, sem cerimônia, sem aviso prévio, sem manual de instruções.

Foi tão bom fazer 40 anos. A sensação de autonomia, força e maturidade parecia inaugurar a melhor fase da vida. Mas passou rápido demais. Nem cheguei aos 50 e já sinto saudade dos 40. Dizem que os 50 são a idade do poder, da plenitude. Para mim, a virada aconteceu aos 40 — e durou pouco. Aos 47, confesso, já bate o desespero de querer voltar no tempo. Não tem condição.

Aí começa a busca inevitável: “Quais são os sintomas da pré-menopausa?”. A resposta é quase cruel — cada mulher vive de um jeito. Ou seja, não há regra, não há padrão, não há preparo suficiente. E fica a pergunta que ecoa: alguém está realmente preparado para isso? Há informação clara? Há acolhimento? Há profissionais capazes de tratar não só o corpo, mas também o impacto emocional dessa fase?

Porque não se trata apenas de ondas de calor, alterações hormonais ou dores físicas. Trata-se de identidade, de tempo, de como a sociedade lida — ou ignora — o envelhecimento feminino. Trata-se de mulheres que seguem trabalhando, cuidando, produzindo, enquanto aprendem, na marra, a conviver com um corpo em transformação.

Sendo muito franca: chamar isso apenas de “pré-menopausa” parece até eufemismo. Para muitas, os sintomas já vêm com força total. E o silêncio em torno do tema só aumenta a sensação de solidão.

Este editorial não é apenas um desabafo. É um convite à conversa, à informação e ao respeito. Rir, às vezes, é um mecanismo de defesa. Chorar, também. Mas entender, acolher e tratar com seriedade essa fase da vida é urgente. Pelo amor de Deus.