Paula Pereira
Jornalista/ Programadora Visual/ Analista de Marketing
Em Minas, queijo não é só comida. É memória, é afeto, é conversa puxada à sombra do fogão a lenha. É gesto antigo, repetido com paciência, daqueles que o tempo respeita. Celebrar o Dia Mundial do Queijo, por aqui, é mais do que exaltar sabor: é reconhecer um modo de vida que atravessa gerações e sustenta a identidade de um povo que aprendeu a transformar leite, silêncio e espera em patrimônio.
Mas tradição, sozinha, não caminha longe. Para seguir firme, precisa de cuidado, zelo e responsabilidade. É aí que entra o trabalho muitas vezes silencioso — mas essencial — do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). Enquanto o queijo descansa na tábua e ganha ponto, há técnicos, fiscais e servidores garantindo que cada peça carregue, além do gosto, segurança, procedência e dignidade.
Minas se orgulha de ser terra de queijo bom porque aprendeu que qualidade não nasce por acaso. Ela é construída. O IMA, ao regular, orientar e fiscalizar, não engessa a tradição: protege. Não apaga o jeito antigo de fazer: legitima. É o elo entre o saber herdado do avô e a exigência do mercado moderno, entre o curral simples e o consumidor que confia.
Quando o instituto registra queijarias, visita agroindústrias familiares e orienta produtores, não está apenas cumprindo tabela burocrática. Está garantindo que o pequeno produtor possa vender sem medo, crescer sem perder a alma e alcançar mercados que antes pareciam longe demais para quem trabalha com as mãos calejadas e o coração na roça.
O Selo Arte, por exemplo, virou mais que um carimbo. Virou passaporte. Abriu porteiras, cruzou divisas, levou o queijo mineiro para além das montanhas, sem que ele perdesse o sotaque. Cada peça que ganha o mundo carrega junto o cheiro da fazenda, o clima da serra, o cuidado no fazer — e a confiança de que ali tem fiscalização, regra clara e respeito ao consumidor.
Há quem pense que inspeção é entrave. Em Minas, ela virou aliada. Porque proteger a saúde pública é também proteger a tradição. Garantir segurança alimentar é valorizar o produtor sério. E organizar o setor é assegurar que o queijo mineiro continue sendo referência — não só pelo sabor, mas pela história que conta.
Neste Dia Mundial do Queijo, o brinde não é só ao produto, mas ao caminho que ele percorre. Da ordenha ao prato, da mão do produtor ao mercado, há um estado que entende que cuidar do queijo é cuidar da própria identidade. Porque Minas sabe: o que é bom a gente guarda, protege e entrega com orgulho. E queijo, ah… queijo é coisa nossa.


