Paula Pereira
Jornalista/ Programadora Visual/ Analista de Marketing
A notícia de que a arrecadação mineira cresceu 7,5% de janeiro a outubro chega fazendo barulho igual trovão no fim da tarde, daquele jeito que faz o povo parar pra olhar pro céu. Segundo a Secretaria de Fazenda, os cofres do Estado juntaram R$ 94,9 bilhões nesse período — um tanto bom de dinheiro, R$ 6,69 bilhões a mais que no mesmo pedaço de 2024. À primeira vista, parece até que a economia engrenou de vez. Mas, como diria qualquer geraizeiro acostumado a lidar com seca e fartura, número bonito demais sempre merece ser olhado com calma.
A inflação, rondando os 4,7%, teve peso grande nesse aumento. Quando a gente tira esse tempero inflacionário da conta, o crescimento real cai pra perto de 2,8%. Ou seja: o Estado até andou pra frente, mas foi no passinho manso, nada daquele pulo de onça que Minas está precisando pra dar conta dos seus desafios, que não são poucos — dívida grande, estrada precisando de cuidado, serviços públicos com muito buraco pra tampar.
Minas é um Estado forte, diverso, cheio de indústria, de mineração e de gente trabalhadeira. A resiliência do mineiro é conhecida, mas a economia ainda depende demais dos ventos do mercado e das circunstâncias que a gente não controla. Por isso, cada centavo arrecadado precisa ser tratado com a mesma cautela que o sertanejo tem com a última gota d’água da cisterna.
Agora, mais do que comemorar arrecadação alta, o governo precisa mostrar serviço. Dinheiro entrando é bom, mas bom mesmo é dinheiro aplicado do jeito certo: saúde funcionando, escola bem cuidada, segurança dando conta do recado e políticas de desenvolvimento que cheguem também nos rincões onde o progresso costuma atrasar. Minas é grande demais pra deixar parte dela esquecida.
Também é preciso lembrar que esse aumento de receita acontece enquanto muita gente, empresa ou família, luta pra fechar o mês. A inflação pesa no bolso do comerciante, aperta a vida do trabalhador e deixa todo mundo mais atento a cada cobrança. E se o contribuinte está fazendo a parte dele, o governo tem obrigação dobrada de fazer a sua — com responsabilidade, transparência e respeito ao dinheiro público.
O crescimento da arrecadação é um sinal positivo, sim, mas não pode virar acomodação. É hora de planejar, investir com juízo e transformar números em melhorias reais na vida dos mineiros. Porque, no fim das contas, como sabe muito bem o povo do Gerais, arrecadar pode até ser importante — mas entregar resultado é que mostra quem trabalha direito.


