Paula Pereira
Jornalista/ Programadora Visual/ Analista de Marketing
Por trás da engenharia e da vida social ativa, reside um homem moldado pelo exemplo rural e pela recusa consciente da vaidade.
Para Zé Geraldo Maia Batista, as memórias mais vivas não vêm dos cálculos da engenharia ou dos estúdios de televisão onde trabalhou, mas da simplicidade do distrito de São Pedro. É lá, nas terras de seus avós paternos e maternos, que a base de seu caráter foi cimentada. “O que mais lembro da minha infância é o exemplo que meu pai sempre mostrou na vida da gente”, afirma, definindo desde cedo que sua bússola moral apontaria para o trabalho e a humildade.
Do sonho de menino à engenharia
Como muitas crianças, Zé Geraldo sonhava em ser bombeiro enquanto engatinhava, mas a vida no campo logo direcionou seu olhar para o meio agrícola. Estudou no Colégio Agrícola, mas o destino — e a amizade — o levou por outro caminho. Seguindo uma grande turma de amigos, partiu para Santa Rita do Sapucaí, onde se graduou em Engenharia Elétrica.
Após cinco anos fora, o retorno a Montes Claros marcou o início de uma carreira sólida: sete anos na antiga TV Montes Claros, seguidos pelo empreendedorismo. Sentindo que era hora de construir algo próprio, fundou sua empresa no ramo de antenas, negócio que gerencia até hoje.
O clube como âncora
Retornar à terra natal após anos de estudo traz o desafio da reconexão. Para Zé Geraldo, o Clube Max Min não foi apenas uma opção de lazer, mas uma estratégia de vida. “O clube é um lugar que eu achei para voltar às amizades que a gente tinha e que tinha me afastado pelo tempo que eu estava fora”, explica.
Sua dedicação é notável: em mais de 40 anos de associação, dedicou 30 deles trabalhando ativamente pela instituição, passando por quase todos os cargos. No entanto, sua filosofia de liderança revela um traço peculiar de sua personalidade: a aversão à vaidade dos títulos.
Zé Geraldo recusa sistematicamente a presidência do clube ou o cargo de Venerável na Maçonaria. Não por falta de capacidade, mas por prezar sua liberdade. “Eu gosto da minha liberdade. Se eu fosse presidente, passaria a ter obrigações… No meu lazer, não quero ser obrigado”, confessa. Ele prefere ser o membro que ajuda em qualquer função, do que aquele que ostenta o título mas perde a autonomia de ir e vir.
Família e valores
Casado há 31 anos com Maria de Lourdes Brito Batista,Zé Geraldo descreve uma união baseada no respeito mútuo à individualidade. “Se eu vou num lugar e ela não quer ir, eu vou e não me importo. Quando a gente acerta esses detalhes, dá certo”, diz ele, com a sabedoria de quem entende que o amor não precisa ser uma prisão.
Pai de Ludimila(médica) e André Luis(advogado), ele aplicou na educação dos filhos a máxima de “dar o anzol, não o peixe”. O orgulho transparece não apenas nas profissões que escolheram, mas na independência que conquistaram.
O legado de Zé Maia
A postura de Zé Geraldo diante da vida — tratar o presidente e a faxineira com a mesma deferência — tem uma origem clara: seu avô, Zé Maia.
Figura histórica de Montes Claros, Zé Maia foi um político que, mesmo com apenas o ensino primário, presidiu a Câmara e assumiu a prefeitura interinamente na década de 60. Mas não foi o poder do avô que marcou o neto, e sim sua generosidade excessiva.
Essa herança moral, de honra e desprendimento material, vive em Zé Geraldo. Ele não busca ser “venerado” ou aplaudido. Ele busca ser útil, manter suas amizades sinceras e, acima de tudo, preservar a liberdade de viver uma vida modesta e autêntica.


