O Atlético vive uma temporada extensa, de retomada emocional e reconstrução competitiva, após meses de turbulência, oscilação técnica e cobrança permanente vinda das arquibancadas, da imprensa e de si mesmo. Mas, neste momento, cada entrevista e cada frase dá a entender que o foco real do clube não está mais na Série A do Campeonato Brasileiro, apesar do esforço visível para escapar de riscos e para terminar a competição com dignidade. O foco essencial, confesso, emocional e determinante do grupo está no próximo dia 22 de novembro, em Assunção, no Paraguai. Na tarde desse sábado (8/11), após mais uma atuação de protagonista, Hulk abriu o coração sobre o tamanho dessa final. O atacante não relativizou: “é o jogo da nossa vida”.
A frase foi dita após a virada por 4 a 2 sobre o Sport, na Ilha do Retiro, pela 33ª rodada do Brasileirão. Hulk, mais uma vez, saiu do banco e fez diferença — gol, duas assistências, mudança de energia e leitura de jogo. O ícone do Galo reafirmou a importância de vencer para chegar ao período pré-final com o mínimo de pressão possível e com o entorno alvinegro em clima positivo antes da decisão continental.
“Nosso objetivo era conquistar o máximo de pontos para conseguir jogar sem tanta pressão. Esse ano não foi fácil para nós, foi sempre com pressão. Poder concentrar na final vai ser importantíssimo”, disse o paraibano. Na sequência, ele detalhou a rota final: primeiro, o Fortaleza, na Arena MRV; depois, o Red Bull Bragantino; e então, o jogo que, segundo ele, pode ser o mais importante de sua passagem pelo clube, porque é inédito para o Atlético e porque falta também para a sua galeria pessoal. “Depois tem o grande jogo, o jogo do ano. O jogo da nossa vida. Acho que é o mais importante desde que cheguei aqui. A gente não tem essa taça. Deus abençoe para que a gente possa realizar esse sonho, que é ganhar a Sul-Americana”.
O discurso revela, também, o aspecto psicológico: o Atlético chega à reta final da temporada invicto há seis partidas. O time saiu de situação psicológica de ameaça real de rebaixamento para outro patamar — o de finalista continental. O próprio Hulk usou a palavra “leve”. “Às vezes você se cuida, baixa gordura, trabalha demais, mas não consegue estar leve. Às vezes, você está ‘cheinho’ e está leve, está solto, está tomando decisões assertivas”, disse, valorizando o clima no CT e a estratégia de Jorge Sampaoli de usar mais a amplitude do elenco no fim da temporada, dando minutagem e ritmo de decisão a mais jogadores.
O Atlético enfrentará o Lanús, da Argentina, no dia 22 de novembro, às 17h (de Brasília), em jogo único, no Defensores del Chaco, em Assunção. É a segunda final internacional do clube na década, e a primeira de Sul-Americana da história do Atlético. É também o único grande título possível a ser adicionado ao currículo recente do Galo em nível continental.
Hulk tem números de gigante em Belo Horizonte. Oficialmente, soma 133 gols e 52 assistências em 282 partidas com a camisa preta e branca. É o maior ídolo recente do clube e, para parte da torcida, o maior jogador da história do Atlético em impacto esportivo, mercadológico e emocional. Tem cinco Campeonatos Mineiros (2021 a 2025), o Brasileirão de 2021, a Copa do Brasil de 2021 e a Supercopa de 2022. Falta uma internacional. Falta a Sul-Americana. Falta o carimbo que fecha ciclo.
Por isso, quando ele diz que esse é o jogo de sua vida, não é metáfora. É o resumo exato de um ciclo inteiro. É o resumo do Atlético moderno. É a chance do Atlético de escrever a linha que não está escrita no seu museu.
E é por isso que, nas palavras do camisa 7, mais do que uma final, é um sonho coletivo que o clube, hoje, abraça: o sonho de tocar a taça que ainda ninguém tocou em preto e branco.


